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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Olhos nos olhos

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Estava parado na esquina. Parado. Só parado. Esperando. O vento me desarrumava os cabelos e sentia um leve frio passeando por meu rosto. Nada incomum. Um dia comum, um lugar comum, um espaço comum. Uma espera comum. Nada ao redor, nenhum barulho sequer o do vento que soprava leve naquele fim de tarde. O céu cinzento, raramente um carro passava por aquela esquina. E lá me encontrava, sentindo o vento, apreciando o clima agradavelmente fresco. Um frio suportável, diria até apreciado, cá onde resido. De repente passos. Passos suaves.

Não olhei para o lado, não sai do meu mundinho. Passos de paço imperial. Alguém se aproximava na calçada, alguém que, como eu, talvez estivesse passando por ali somente, vindo de alguma padaria próxima, de algum mercadinho próximo... Alguém comum. Aleatório. Ainda sentia o vento em meu rosto. Virei o rosto em direção aos passos. Vi. Não somente vi como fui visto. Nossos olhares se cruzaram, nossos olhares se fixaram. Olhos verdes, verdíssimos, fixos em meus olhos. Não um olhar qualquer. Um olhar daqueles em que sentimos os olhos do outro na mais profunda estância de nossa alma.

Assim de fato me senti. Senti aqueles olhos lá no interior de minha mente, como se fitassem o vazio completo que me passava pela cabeça naquela hora. Nenhum pensamento, nenhuma idéia. Somente um olhar secando-me a alma. Aqueles olhos verdes. Os olhos desviaram uma parcela de segundo para o chão, e depois se voltaram para os meus novamente. Os meus continuaram fixos. Fitando aquele olhar, fitando aquele olhar como se da mesma forma pudesse ver a própria alma daqueles olhos... Naquele vazio.

Não durou mais do que alguns segundos. Não durou nem sequer cinco segundos. Pareceu... Bom, não pareceu nada. Só passou. O tempo não parou, o tempo não passou mais devagar... Passou. Voltei meus olhos para dentro de mim mesmo. E pensei. Sim, inundei minha cabeça de pensamentos. O que teriam aqueles olhos pensado ao fitar os meus? Meus olhos, maciços. Tão negros que mal se diferenciam as íris das pupilas. Negros. Ébano. Verde. Sentiriam aqueles olhos a mesma profundidade que senti naquele olhar. Ou eu, ali preso ao meu próprio sentir, também me fechei completamente ao mundo?

Nessa história não há começo nem fim. Só a própria história. Não há o que dizer, não há o que concluir. Somente refletir. Somente viver, continuar vivendo, sentindo o vento no rosto, sentindo olhos nos seus.

Vinicius" Neres
P.S.: Me surpreendi com a foto. O olhar não era tão profundo assim como esse, mas vale o superlativo. A beleza está nos detalhes. (:

Postado por Vinicius Neres às 01:31 0 comentários  

Marcadores: Crônicas e Contos

"Ó homem, conhece a ti mesmo (...)"

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Às vezes acordo pela manhã e a primeira coisa que faço é olhar para mim mesmo, no eselho. Olho dentro dos meus olhos, como se para encontrar alguém. Como se para encontrar eu mesmo. Nada de mais, apenas analiso meu próprio eu. Estranho, talvez. Incomum. Mas de fato creio que ser comum não é a mais proeminente de minhas qualidades.

Encontrar-se consigo mesmo talvez seja a questão. Ser quem se é verdadeiramente é mais difícil do que parece. Andamos cobertos de máscaras e fantasias sociais, como escudos para proteger o nosso ser da selva que é o mundo lá fora. Ter cuidado para não nos perder próprios personagens é fundamental; e não é tão difícil quanto se pensa encontrar pessoas “perdidas” assim ai fora. Na verdade a maioria delas é. Escravas do mundinho que o próprio homem criou; escravas de padrões e de comportamentos, escravas da aparência. Sabemos que as duas grandes questões da humanidade são Conhecer a si mesmo e Ser a si mesmo. Duas frases fundamentais, uma do oráculo de Delfos e outra de Nietzsche: “Conhece a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses” e “Torna-te quem tu és”. Ambas a síntese se qualquer estudo comportamental e análise que se possa fazer dos seres humanos. Eu diria que as duas frases mais fascinantes sobre nós mesmos.

De qualquer forma, como lutar contra esse mundo que sufoca os eu verídicos para formar um exército de pseudo-nós padronizados? Simples, irmãos romanos: conheça o inimigo. Analise suas fraquezas. Use-as contra ele mesmo. Pare para analisar como nossa sociedade se comporta. Acabe com as amarras sociais, mas não caia fora do jogo. Querer se isolar do mundo é mais doentio do que viver nele. O que temos que controlar é a habilidade de transitar entre o mundo de ilusões que vivem a grande massa da sociedade, e o mundo real, com todas as suas belezas de que os detalhes nos mostram.

Existe um mundo ai fora, uma vida, um milagre acontecendo a cada segundo. Isso é que as pessoas não percebem. Ébrias na ilusão – totalmente presas na Matrix, diriam alguns mais radicais e futuristas – não sentem a superioridade que o ser humano atingiu. Insistem em serem animais e usar somente sua parcela instintiva, deixando de lado sua parcela de divindade. Esquecem que somos à imagem e semelhança do Criador, digo e insisto, na mente. Mas deixe passar, deixe fazer... O despertar virá algum dia. Enquanto isso observamos e rimos da ilusão alheia, que não percebem as respostas, mesmo estando elas escancaradas em suas faces.

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 01:17 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Reflexões

domingo, 31 de outubro de 2010

Por vezes me observo, olho-me atentamente, e não me compreendo. Não sei direito explicar que fenômeno pode ser esse. Não sou inseguro quanto ás minhas posições, minhas escolhas, meu modo de ser e agir... Somente, algumas vezes, olho-me no espelho e sinto que ainda não conheço aquele ser humano que vejo refletido. Pergunto-me se aquilo que sou talvez não seja somente facetas de não-eus, misturados e convivendo em harmonia para formar este eu que sou. Talvez, na verdade, eis que isso seja a verdadeira representação da personalidade de qualquer pessoa: diversas personalidades convivendo como uma. Mas como saber? E como compreender à si mesmo? Sempre, sempre, sempre lembro aquela velha frase do oráculo de Delfos “Conhece a ti mesmo, e conhecerás o universo e os deuses”. Quantas pessoas não conhecem a si mesmas ainda? Ou melhor, reformulando de maneira mais clara a questão: Quantos de nós realmente conhecem a si mesmos? Sei que não é a questão. Não são os outros, sou eu.

Recentemente, ao ouvir um texto de certa maneira comum, e que já ouvira outras vezes, uma parte me chamou a atenção. Esse trecho dizia, mas ou menos com estas palavras, que como o bicho-da-seda que tece ao redor de si um casulo, assim é o homem verdadeiro que tem ao redor de si aquilo que é fisicamente. Da mesma forma que o casulo não é o verdadeiro bicho-da-seda, assim o homem não é verdadeiramente aquilo que aparenta ser. Igualitariamente, assim como o bicho-da-seda que um dia rompe o seu casulo para poder voar livremente pela natureza, um dia o homem se libertará daquilo que aparenta ser para ser aquilo que verdadeiramente é.

Não posso negar que isto é uma das coisas mais bonitas que já ouvi. Certamente me fez refletir por longos dias. Talvez essa seja a chave da compreensão, ou talvez não. Mas de fato o homem que busca respostas é um homem que tem um propósito, e que leva em sua existência, somente por isso, uma razão. Isso, somente, já me basta para ter a tranqüilidade de saber que ao menos vivo, e não simplesmente existo.

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 03:17 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Desolação

sábado, 16 de outubro de 2010

O local era o Shopping Iguatemi, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Noite de Quinta-feira, aproximadamente 9h30min da noite. Estava eu caminhando sozinho, olhando algumas lojas até que resolvi entrar na Livraria Saraiva. Adoro ver livros, adoro analisar as capas, ler as sínteses, sentir aquele cheiro nas páginas de livro novo. Eu estava à esquerda da entrada da livraria, na sessão relacionada à religião e esoterismo. Um amigo me encontra. Diz que havia outro amigo nosso, que reside em Porto Alegre, que veio até o local só para nos ver. Conversar conosco… Enfim, colocar o papo em dia. No meio desta conversa, vejo entrar na livraria um senhor. Um senhor de certa idade, olhar sereno, cavanhaque. Tinha poucos cabelos. Entra, e no centro da livraria para. Fica estático. Dirige, então, olhar para a prateleira de livros, e de repente seu olhar baixa. Eu, com um livro na mão, aberto. Amigo à minha esquerda. O nobre senhor a cinco metros de mim. Ele me olha nos olhos fixamente, enquanto meu amigo falava. Eu sequer prestava atenção direito na fala. Pensava com meus botões “Será mesmo? Em uma cidade deste tamanho, será possível?”. Estava eu ali, entre um amigo com quem não conversava há tempos, que me aguardava e que tinha cinco minutos somente para conversar; e um possível imortal – que me observava olhando os livros. Na dúvida, apesar de a intuição gritar “Vai lá cara, vai lá cara!”, fui conversar com o velho amigo. Quando saí da livraria, olhei para trás – com uma nesga de vontade de voltar ainda – e comentei com o amigo que ia junto comigo: “Acho que conheço aquele senhor que estava lá”. “Quem é?”, ele perguntou. “Deixe quieto”, respondi. E assim, meus caros, assim desse jeito, for falta de iniciativa, falta de ousadia, e falta de atitude, deixei que ficasse lá o nobre senhor. Exatamente desse modo, sem distorcer qualquer fala ou fato, que perdi a oportunidade de um autógrafo, uma foto e talvez – porque não ser otimista – uma pequena conversa ou troca de palavras somente com o ilustre Imortal porto-alegrense Moacyr Scliar. Triste.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 02:54 0 comentários  

Marcadores: Crônicas e Contos

Metade

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


Oswaldo Montenegro

Postado por Vinicius Neres às 15:04 0 comentários  

Marcadores: Poemas

Amanhã é segunda...

domingo, 26 de setembro de 2010

Amanhã é segunda, quando uma semana recomeça oficialmente, quando as dietas começam, quando as mudanças começam. Amanhã é dia de despertar. Acordar para o mundo, e deixar de ser seduzido pelo canto das sereias... Aquele canto que te leva ao abismo. Acordar da ilusão, deixar de sonhar, de pensar que vive em um lindo mundinho particular, onde impera a ilusão e a farsa. Tomar um choque de realidade.

Justo quando achamos que somos intocáveis, insuscetíveis aos encantos do mundo das sensações, do mundo das ilusões, nos damos conta que estamos nos emaranhando nesse mundo. Um mundo que maquia a verdadeira realidade, e que nos cega a vida de verdade e a sua beleza ímpar. Pensamos estar contemplando as coisas mais maravilhosas do universo, quando na verdade estamos cegos para o que acontece realmente e o quanto cada detalhe é divino e milagroso.

É hora de acordar. Acordar para vida, respirar ar de verdade, sentir a grande máquina do universo trabalhar. Sentir o mundo como ele é, sem ilusões, sem máscaras, sem falsas sensações. Ser aquilo que se é de verdade, tendo a certeza de que se é alguem, e não se é escravo desse mundo de que tira sarro, mas que é perigoso a ponto de te seduzir.

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 22:19 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Desejo

domingo, 19 de setembro de 2010

La seule vraie tristesse est dans l'absence de désir.

Charles-Ferdinand Ramuz

Postado por Vinicius Neres às 16:46 0 comentários  

Marcadores: Frases

Autopsicografia

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Fernando Pessoa

Postado por Vinicius Neres às 14:03 0 comentários  

Marcadores: Poemas

O preço da genialidade

domingo, 15 de agosto de 2010


Neste exato momento acabo de assistir um filme, como tradicionalmente acontece todo o Sábado. Não sempre os filmes que assisto são bons, interessantes, ou, no mínimo, nos fazem refletir sobre algo superior. Este foi diferente. O filme chama-se A Ilha do Medo, tendo como protagonista Leonardo di Caprio. Logo ao acabá-lo, pensei em escrever algo sobre. Acho digno deste blog – e de nenhum outro mais de que escrevo.

O filme trata, basicamente e fundamentalmente, da Loucura. Mas não da Loucura humana, a excentricidade de nossos relacionamentos, aquela tratada com bom humor por Machado de Assis e Erasmo de Rotterdam. Não. A Loucura da qual falo é a demência. A Loucura doentia, insana. Não quero falar do filme – seria péssimo falar do enredo cá – mas sim do assunto abordado.

A mente humana, por si só – e sempre bato na mesma tecla – é fascinante. Criamos e destruímos coisas como se fôssemos deuses de nossos próprios mundos, criadores e destruidores de universos. Talvez a própria existência humana carregue consigo o fardo dessa genialidade. Feitos à imagem e semelhança de Deus, diria Eu, ousadamente, em nossas mentes sim. Mas até que ponto podemos suportar a genialidade e a capacidade de nossas mentes?

Mesmo nossa própria capacidade mental não nos deixa – em grande número de vezes – abandonar a característica instintiva e irracional de animais selvagens caçando e competindo constantemente. O ser humano mata, o ser humano humilha, destrói. Em várias ocasiões o ser humano é muito mais animal que qualquer outro ser que considera inferior a si. Deveras, essas atitudes não são suportadas por nossas faculdades mentais. É inconcebível, sim, conciliar o animalesco, vil e instintivo, com o racional e emocional – estâncias tão superiores e divinas do comportamento humano. Daí surge a Loucura insana, demente.

Estaria o homem, me pergunto, preparado para suportar toda a sua superioridade mental? Estaria o homem preparado para o conhecimento? Talvez seja esse o verdadeiro sentido do Gênesis, ao dizer que o homem perdeu o direito ao paraíso ao provar do fruto proibido do saber e do conhecimento. Talvez não estejamos preparados. Talvez sejamos em demasiado animais – ou demasiado humanos mesmo, como diria meu caro Friedrich Nietzsche – para sermos dignos do conhecimento divino.

Deuses de nossos próprios mundinhos, criadores e destruidores. Tornamos-nos tão criadores que nos esquecemos de nossa parcela de criatura. E não pequena parcela, para não dizer parcela inteira. Esqueçamos amigos, de nossa suposta superioridade, e reconheçamos nossa inferioridade ante o universo. Ainda muito animais, buscando compreender o incompreensível, descrever o indescritível e expressar o inexpressável. Vis. Vis como nosso próprio instinto animalesco que nunca nos libertará para a verdade suprema.

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 02:18 1 comentários  

Marcadores: Textos próprios

(...)

quarta-feira, 14 de julho de 2010


Diante de ti, ó alma, eu colocarei princípios eternos. Integra-os à tua essência
a fim de que os possuas, e sê penetrada da verdade, como te convenceste de que
o fogo consome as coisas e, por natureza, é quente e seco, e de que a água sacia
a sede e, por natureza, é fria e úmida.

E se algumas coisas te parecerem um tanto obscuras, volta-te para ti mesma,
para tua consciência, protegendo assim tuas faculdades da oposição e da confusão.
Então, pelas coisas exteriores, serás conduzida à visão interior. Exatamente
como alguém que ao olhar uma pintura adivinha a existência do pintor e, pelo
jogo das linhas da pintura, vê o movimento da mão do criador animada pela
inspiração, assim também o espectador toma parte na idéia do criador.
Ocorre o mesmo com tudo, ó alma. Como o criador não é imediatamente perceptível,
podemos nos aproximar dele por meio de suas obras.

Da mesma forma podemos meditar sobre o Criador do Universo através de
suas obras e meditar sobre as obras do destino.

Eu te peço, ó alma, que medites sobre todas as coisas, quer as percebas pelo
pensamento ou pelos sentimentos. E sabe que o que existe verdadeiramente é a
Causa Primeva, a plena luz, que te oferece a possibilidade de conheceres a natureza
interior das coisas e suas sutis variações. Em suma, a Gnosis.

Hermes Trimegistus

Postado por Vinicius Neres às 14:57 0 comentários  

Marcadores: Textos de terceiros

O nada na madrugada

domingo, 4 de julho de 2010


Publiquei esse "desabafo" no meu blog no site todosobrexanxere.com.br na madrugada de Domingo, dia 27 de Julho, ás 02h16min da madrugada. Mas convenhamos, não combinou nada com o local. Considero cá muito mais aconchegante. Aqui não preciso de público, não preciso de leitores, só preciso de um teclado e de pensamentos... Posso ser autêntico, posso ser natural, posso falar de tudo, escrever o quanto quiser. Posso usufruir da Sabedoria de minha Loucura. Minha águia de Moria. Nada como meu bom e velho blog. Ai vai:
___________________________________
Estou eu aqui, na madrugada de Sábado para Domingo, ouvindo Carlos Gardel e sua melancolia magnífica, de frente para um Borsalino preto – idêntico ao que ele usava inclusive, a não ser pela cor – com uma falta de sono indescritível e uma vontade de fazer “não-se-o-que”. Pensei então em escrever alguma coisa. Decisão estranha não? Mas eu também posso ter a liberdade de escrever sobre nada. E eis que o nada me parece tão fascinante.

Hoje em dia o nada é raríssimo. O nada é uma espécie em extinção. Nunca fazemos nada – no sentido real. É raro fazermos nada, pensarmos em nada… Normalmente fazemos algo inútil, e classificamos isso como fazer nada. Mas não é bela a arte do ócio? Ficar só, em silêncio, e limpar a mente… Tão difícil não? Os pensamentos enchem nossas cabeças. Ficamos presos a idéias longínquas, a pensamentos, a situações… Presos ao passado e ao futuro, mas raramente ao presente. Mergulhados nesse oceano de nossas próprias mentes, quase nos afogamos. Mas é tão bom o silêncio. O nada. E do nada tudo. Enfim, o que quero dizer é que justamente o nada que nos faz abrir a mente a novos pensamentos. A mente também precisa de descanso, e não raro nessas ocasiões é que surgem as grandes idéias. Do nada, tudo. Do caos, a ordem.

Mas é só. Não tinha nada planejado para escrever, e até me estendi demais para falar nada. Um vício: escrever demais e não falar nada. Ou falar do nada. Que seja. Talvez a mesma coisa. A fabulosa arte da prolixidade!

Saudações, amigos!

Daqui vou-me, ao som de Por una cabeza, de Gardel, deitar-me. (:

Boa noite.


Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 01:33 2 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Um grande mestre se vai...

domingo, 20 de junho de 2010


“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.”

José Saramago
(16/11/1922 – 18/06/2010).

Ontem perdemos um grande homem. E sem hiérbole alguma, um dos maiores homens que a Língua Portuguesa conheceu; ao nível de Camões e Fernando Pessoa. Ontem perdemos José Saramago, o único escritor de Língua portugêsa à ter conquistado o Nobel de Literatura em toda a história do prêmio. Não por pouco. Escritor consagrado por clásicos como “Ensaio sobre a cegueira”, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, e mais recentemente “Caim”, foi daqueles que a humanidade sente pesar, sincero, em cada segundo a mais não aproveitado de sua sabedoria. Confesso que li somente “Ensaio sobre a cegueira” de Saramago. O livro já foi adaptado para o cinema pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles, e narra a história de uma “praga” pelo qual os seres humanos adiquirem uma espécie de cegueira, mas ao invés de ficarem imersos em trevas, passam à enchergar apenas branco. Por isso é chamada de “cegueira branca”. Vale a pena lê-lo. Uma história interessantíssima, e que nos traz uma reflexão imensa sobre a natureza dos seres humanos. Que descanse em paz o grande mestre, e que tenhamos a graça de ainda surgurem homens que cheguem aos pés de tal pessoa.




Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 18:09 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Vamos falar de Amor?

quarta-feira, 9 de junho de 2010


Já há algum tempo que meu maior objeto de fascínio no mundo em que vivemos é o ser humano. Sem dúvida nossa espécie é fascinante, e peculiaríssima, em suas mais variadas facetas. A cada dia vejo-me mais próximo de Rotterdam, o inquestionável monge inglês, ao comprovar que a humanidade vive, há milhares de anos, absorta em um sono tranqüilo nos braços de Moria. Mas dentre tantas loucuras, situações cômicas e interessantíssimas com as quais nos deparamos em nosso dia-a-dia, sem dúvida uma das mais peculiaridades é o amor.

Não posso diferenciar aqui amor a paixão. Hoje dizer “Eu te amo” tem tanta validade quanto dizer que “Estou apaixonado por você”. Não há distinção, e não há porque fazermos distinção de duas facetas de um mesmo sentimento. Os reflexos na psique humana são os mesmos. Também não me apego aos processos químicos que envolvem tal sentimento. Sabe-se, creio, que minha pendência sempre foi maior à mente humana do que às suas fisiologias. Mas voltemos aos aspectos chaves.

Quão interessante não é um casal de apaixonados, e quão ebriante não é o amor. Ah, o amor. Lindo é ver aqueles rostos de crianças deslumbradas, tão idiotas como cães girando em torno de si para capturar suas próprias caudas! Não, não estou indignado com ninguém, nem isto foi um xingamento. Convenhamos que o termo idiota seja o chulo mais formal que se podem descrever os apaixonados. Talvez a melhor forma de chamar-lhes de “bobos-alegres”. Deslumbrante, deslumbrante. Surpreende por quem as pessoas se apaixonam, não? Confrontam-se opiniões, estilos, idéias, pelo sentimento mais nobre que o ser humano pode alcançar. Uma pena que os sentimentos sejam tão voláteis hoje. O amor une os distintos, mistura os imiscíveis, e atrai até esmo os iguais, veja só! Que outra coisa em todo o Universo pode ter esse poder?

A paixão, creio eu, não pode representar mais do que desejo. Deseja-se algo, e esse algo está relacionado à outra pessoa. Esse desejo pode ser dividido em duas estâncias: quando desejamos as sensações que aquela pessoa pode nos proporcionar, e quando desejamos a pessoa em si. Todos acham que se enquadram na segunda opção, mas a grande maioria das relações de hoje são do primeiro tipo. Isso explica a transição desenfreada de parceiros que acompanhamos hoje. Queremos o carinho que aquela pessoa nos proporciona; aquelas mãos suaves, aquele abraço sentimental, aquelas palavras ditas na hora certa... Mas pessoas são voláteis, personalidades são voláteis. Pessoas casam sem conhecer seus parceiros, crentes na imortalidade daquelas sensações. O encanto acaba no banheiro. Literalmente, meus caros. A primeira urinada de porta aberta masculina, e a primeira depilação de pernas feminina na presença do parceiro et voilat: descarga abaixo o amor.

Mas eu também seria hipócrita ao discutir casamentos sem nunca ter casado. E afinal os estereótipos são apenas para efeito cômico, e não são um retrato fiel daquilo que ocorre - convenhamos que é necessário muito mais que um banheiro para por fim à um casamento. Um pouco de exagero é sempre bem vindo para reforçar uma idéia. Mas ainda temos o grupo daqueles que se apaixonam verdadeiramente pela pessoa a qual desejam. Magnífico. Todos os defeitos desaparecem, todo o mundo é mero detalhe. Um beijinho no pescoço, algumas frases ao pé do ouvido, o ar quente da boca amada no seu rosto... E o Apocalipse pode acontecer à vontade. São estes o grupo dos relacionamentos mais duradouros: a simples presença da pessoa, um olhar apenas, estar perto... Eis que com pouco se sustenta muito. Como é interessante a criatura humana!

Mas segue-se assim o mundo. E lá estão aquele exército de zumbis deslumbrados, ofuscados pelo seu raio de sol perpétuo, seus pequenos pedaços perfeitos de carne imperfeita, mascarado na mais antiga droga conhecida pela humanidade.

Não, isso não é uma crítica meus caros, não. É um gesto de amor pelo Amor. Fico realmente deslumbrado com o Amor; realmente fascinado. É tão interessante, tão ebriante, tão imensurável... Estou eu apaixonado pelo Amor. Não é poético? Apaixonar-se é algo incrível, incrível mesmo... Mas meu amor pelo Amor ainda é um amor platônico, e muitíssimo mal correspondido. Afrodite ainda não me deu nenhuma chance, e nem um jantar á luz de velas a convenceu que sou digno de seus encantos. Bom, estou aqui, eu e meu café frio – que me esperou demais por esse texto e desistiu de reter o calor – a devanear nesse mar aberto e infinito que são os sentimentos humanos. Ainda deslumbrado...

Vinicius" Neres

P.S.: Como prova de minha boa vontade com os apaixonados, um pequeno poema em francês. Apreciem! De Paul Eluard...


LA COUBE DE TES YEUX

"La courbe de tes yeux fait le tour de mon coeur,
Un rond de danse et de douceur,
Auréole du temps, berceau nocturne et sûr,
Et si je ne sais plus tout ce que j'ai vécu
C'est que tes yeux ne m'ont pas toujours vu.

Feuilles de jour et mousse de rosée,
Roseaux du vent, sourires parfumés,
Ailes couvrant le monde de lumière,
Bateaux chargés du ciel et de la mer,
Chasseurs des bruits et sources des couleurs,

Parfums éclos d'une couvée d'aurores
Qui gît toujours sur la paille des astres,
Comme le jour dépend de l'innocence
Le monde entier dépend de tes yeux purs
Et tout mon sang coule dans leurs regards."

Postado por Vinicius Neres às 03:12 3 comentários  

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A voz que não se cala

quinta-feira, 6 de maio de 2010


Hoje, meus caros, tive o enorme prazer de ter que escrever um artigo - na verdade tão pequeno que eu o chamaria de "Artículo" - sobre o gênio que ouço quase todos os dias: Frank Sinatra. Por incrível que pareça foi por um trabalho colegial que tive essa oportunidade. Apreciem, é breve mas de coração.

NO ECO DA ETERNIDADE
Por Vinicius dos Santos Neres da Cruz

"Há quase doze anos, completos no próximo dia 14 de Maio, o mundo perdera uma de suas mais representativas vozes, e com ela a alma de toda uma geração musical do mundo inteiro. Frank Sinatra, o descendente de italianos cuja voz atravessou os oceanos una ou em trama com os mais variados artistas, talvez não soe familiar para as mais recentes gerações, mas sem dúvida foi o estrangeiro de popularidade impar em nossa nação. Sua voz grave, porém suave, marca registrada de uma brilhante carreira, somada á típica gravata borboleta e aos ternos e smokings sob os quais se apresentava formavam sua imagem elegante de um típico galã do cinema hollywoodiano em preto-e-branco – não á toa sua lista de participações em filmes não é breve.

O que mais impressionava era a naturalidade de sua canção. Prodígios de técnica vocal eram alcançados facilmente com a serenidade que traz ao olhar a senilidade de um jovem garoto. O rosto tranqüilo, o sorriso suave e a voz estarrecedora encantaram gerações e gerações de ouvintes; seja no dueto consagrado com o tenor italiano Luciano Pavarotti – do qual surgiu talvez a mais ouvida, reproduzida e apreciada versão de My Way – ou no delírio daqueles que se deixaram levar pelo convite “lunático” de Fly me to the moon. Não à toa o mundo o conheceu como The Voice – a Voz. Um artista pop em seus áureos tempos, apesar de que os toques de Blues não serem bem os mais populares na atualidade.

Infelizmente não poderemos nunca mais ouvi-lo cantar ao vivo pelos palcos mundo afora. Para aqueles que não se importam, pouco mudará uma música a mais ou a menos. Entretanto, aos apreciadores da voz – em todos os sentidos que este homem pode representar – sem dúvida agradecem aos modernos equipamentos que puderam preservar estas e tantas outras obras primas dos mais brilhantes artistas em todo o mundo. Sem dúvida o glamour dos chiados do gramofone não se compara a qualquer modernidade; mas ao menos a eternidade guardará para sempre as jóias que as vozes da genialidade humana nos proporcionaram. As grandes vozes não se calam. "
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 19:08 0 comentários  

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A ignorância e o povo

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Muitas vezes aspiramos por futuros melhores, imaginando que a situação de que o povo se encontra hoje melhorará com o passar do tempo; mas a cada dia mais tenho certeza que esse pensamento é errôneo. No futuro, como muitas vezes ocorreu no passado, demagogos moverão grandes massas ainda com habilidade. Basta um bom discurso, uma idéia complexa e um cara carismático.

Por vezes e vezes bradei o velho adágio de que “da ignorância, somente da ignorância o povo precisa ser libertado”; mas acreditem meus amigos, o povo não quer ser libertado da ignorância. A ignorância é ébriante e viciante. Entendo agora verdadeiramente que a ignorância, não a religião, é o ópio do povo. Não se pode livrar um dependente de uma dependência sem que ele consinta, fato. As massas sentem-se confortáveis com pessoas que pensem por elas, que ajam por elas, e que tomem as decisões por elas. É cômodo, é confortável. Enquanto o mundo real acontece, eles podem devanear em seu mundo de ilusões, cheio de fofocas, bebedeiras e “coisas maneiras”. Liberdade para que? A democracia para os ignorantes é uma grande demagogia, sinto muito em dizer. O poder é para poucos, e esses poucos é que verdadeiramente fazem acontecer – seja para o bem, seja, infelizmente, para o mal.

O mundo das ilusões é preferível ao real. A maioria dos seres humanos passa toda a sua vida vivendo nesse confortável meio, e deixando de viver a vida real. Conheço milhares de pessoas assim, e não é tão difícil encontrá-las. Olhe para os lados: pessoas fracas, que vão de acordo com a onda, sem opinião; ou aquelas cuja opinião é sempre seguida, mas que em sua própria opinião reside o ilusionismo do mundo e da sociedade.

O grande segredo é saber transitar entre os mundos. Poder conviver com todas estas pessoas vivendo na ilusão, podendo ser crítico e incontaminável pelas drogas da cegueira ilusória e da ignorância. Os que caem na real e não conseguem ser flexíveis a esse ponto enlouquecem, afastam-se da sociedade a tal ponto de criar em si uma mente doentia. Ver a realidade não é fácil, certamente; mas isolar-se da humanidade é o pior dos remédios. Transite. Seja flexível. Viva cada detalhe de sua vida, cada parcela do mundo e ria ou se compadeça do mundo à sua volta, ébrios de futilidades e ignorância; mergulhados nas trevas que lhes cegam.

Resta-nos somente esperar. Envelhecer a cada dia, enquanto nossas células perdem água e nossos órgãos ficam cada vez mais frágeis com o passar das décadas. Tenho certeza que, mas cedo ou mais tarde, voltarei a bradar aquele velho adágio; entretanto sinto dizer que não poderei livrar aqueles que não desejarem ser livrados. Aquele que não busca a luz, não correrá atrás dela entre as trevas. Aquele que adora ilusão não criará a ordo ab chao.


Que o pai celestial ilumine nossa caminhada!

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 15:36 1 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Simplicidade.

domingo, 28 de março de 2010

Há quem diga que os bons textos surgem de emoções extremas. Felicidade extrema, amor extremo, dor extrema, solidão extrema... Confesso que não saberia dizer. Escrevo por impulso, só. Escrevo o que me vem à mente na hora que me der na telha. Seja em um rascunho, um guardanapo, ou no marcador de páginas de um livro que eu esteja lendo. Simplesmente escrevo. Confesso que é um prazer que tenho como poucos na vida. Ler e escrever faz parte de mim tanto quanto qualquer hábito mais simples. Adoro palavras, livros, histórias; adoro quando as palavras descrevem e narram coisas. Certamente a escrita é uma das maiores dádivas do ser humano. Sinto, porém, de não estar escrevendo muito ultimamente. Ando meio parado, talvez enferrujado. A prática que a perfeição requisita não está sendo suprida, digamos. Talvez eu deva conhecer mais o mundo para falar mais do mundo. Experiência é a palavra. As mesmas pessoas, os mesmo hábitos, os mesmos costumes... Talvez eu esteja enjoado de escrever sobre pessoas conhecendo as mesmas pessoas. Além do mais, muitas delas nem pessoas são. Vivem na fantasia de seu êxtase constante, em um transe coletivo indescritível. Talvez eu os inveje. No fundo eu os invejo, pois eu sei quando estou fora da ilusão, e eles não. Mas não sinto pena de mim mesmo, como deve parecer. Só terei pena de mim mesmo se um dia descobrir que me coloquei em um patamar tão superior aos outros que fechei minha mente e me tornei mais vil do que aqueles de que senti pena. Quero só continuar simples, ler um livro idiota em baixo de uma figueira, comer feijão e arroz e rir de uma criança que cai quando está dando os primeiros passos; descobrir que o universo é somente uma casca de noz.

Vinicius"Neres

Postado por Vinicius Neres às 19:09 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Desprezo

terça-feira, 16 de março de 2010

"Il n'ya que ceux qui sont méprisables qui craignent d'être méprisés"

François de la Rochefoucauld

Me permitam dizer que simpatizei com esta frase. Estava cá perdida em meus Rascunhos. Interessante, simplesmente interessante.

Postado por Vinicius Neres às 17:18 0 comentários  

Marcadores: Frases

Respeito

domingo, 28 de fevereiro de 2010

"Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso era algo que sempre deveríamos ter presente".

Claude Levi-Strauss
1908 - 2009

Postado por Vinicius Neres às 18:14 0 comentários  

Marcadores: Frases

Consciência

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


"A Consciência nunca nos engana e é a verdadeira guia da humanidade. Ela é para a alma o que o instinto é para o corpo; quem quer que a siga persegue o caminho direto da natureza e não necessita temer estar desorientado."

Jean Jacques Rousseau

Postado por Vinicius Neres às 11:55 0 comentários  

Marcadores: Frases

Experiência senil

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sabe-se eu, quando vemos, voltamos grande parte de nossa atividade cerebral para a visão. Por isso grande é a percepção auditiva que nos ocorre ao fecharmos os olhos, ou sermos vendados. A atividade cerebral transfere-se para outros sentidos. Mas em vista disso, imagens nos chamam muita atenção. A célebre frase “Uma imagem vale mais que mil palavras”, clichê até o último fio de cabelo, expressa bem isso (apesar de clichês, na maioria das vezes, só me trazerem incômodos mentais). Mas o fato é a imagem. As imagens, como creio que na maioria das pessoas, me chamam muito a atenção. Essa acima, em especial, me tocou. Confesso que fico curioso quando vejo imagens de pessoas. Inconscientemente me pergunto o contexto daquilo. O que estariam fazendo? O que estariam pensando? Quem seria aquela pessoa? Isso me motiva muito a escrever determinadas coisas. Claro, a maioria das imagens desse blog é achada depois do texto, e são influenciadas por ele. Mas essa em particular me fez um chamado. Como se os olhos dessa senhora convidasse-me para uma conversa.

Acho que não cheguei a comentar nunca aqui que, muitas vezes, prefiro a companhia dos ditos “velhos” às pessoas da minha idade. Infelizmente a grande massa dos meus semelhantes não se dá conta do que essas pessoas nos têm a oferecer. Sua sabedoria, seu ser em si, exala experiência. Dessas pessoas ouvimos histórias dignas de roteiros de cinema. Fico surpreso de como uma conversa pode me deixar entusiasmado. Sou um grande admirador do poder das palavras, principalmente da palavra falada, que não passa por revisão, que saem nua e crua da alma de cada ser humano. Mas voltemos à imagem.

Rugas. Admiro rugas. Em grande número de casos rugas não mostram somente experiência, mas simplicidade acima de tudo. Na era das plásticas e modificações “divinas” na aparência, rugas são privilégios dos menos favorecidos. E eis a fina flor da sociedade: os menos favorecidos. Os marginas – e antes que confundam com delinqüentes, marginais são aqueles que estão à margem da sociedade, excluídos – esquecidos, ignorados. Não falo propriamente dos pobres de espírito, ignorantes, delinqüentes, estúpidos, vis, e inúteis de vagam por essas ruas. Estou falando de pessoas simples, que em sua simplicidade trazem a mais profunda sabedoria da vida. A grande maioria destes é idosa, que nem por seus filhos e netos mais são lembrados; mas que bastam alguns minutos com eles para que se possa renovar a alma e ser favorecido com uma dos mais belos conhecimentos da humanidade: a vida. Sim, meus amigos. Essas pessoas, que não são aqueles velhos reclamando de suas dores e doenças, exalam vida. E enquanto mais os anos passam mais vida essas pessoas podem proporcionar a outras pessoas.

Porque não se pode absorver vida enquanto somos jovens? Porque não sentar e ouvir por horas e horas essas pessoas tão simples, mas de sabedoria e essência tão profunda. Porque não aproveitar cada fração daquilo que eles têm a nos proporcionar? Infelizmente ficamos, muitas vezes, tão absortos em nossa vidinha social de festas juvenis, bebedeiras irracionais e coisas sem sentido, que não nos damos conta que uma grande parte do mundo, e talvez a parte mais sábia, está perdendo a vida a cada segundo sem que nós tenhamos aproveitado o que têm a nos oferecer.

Fica o toque.

Agradeço ao blog que me proporcionou essa imagem e o gérmen daquilo que seria esse texto.
Gratidão á: http://bidimensional-sushie.blogspot.com/
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 23:59 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Situação familiar

sábado, 23 de janeiro de 2010

O homem esperava a beira da cama pelo filho inquieto. Sua face era de cansaço. Ele estava cansado, mas o filho não o deixava sair.

— Mas a mamãe foi mesmo para esse lugar papai? Foi mesmo? E como eu vou para lá também?
— Não, Leopoldo, não. Foi só um senhor que conheceu a mamãe quando ela tinha a sua idade e pensou nela para escrever a história, querido.

O nome do filho ainda o incomodava. Era seu filho, claramente. Em cinco anos de vida a semelhança era mais do que notória. Os olhos da mãe, mas os cabelos, a personalidade, o rosto... Tudo lembrava o pai. Mas o nome... Principalmente quando a mãe do menino o chamava de “my Prince”. Meu príncipe. Isso o incomodava no nicho mais profundo de sua alma. Leopoldo. Porque não qualquer outro nome. Leopoldo...

— Mas porque ele escreveria uma coisa que nunca aconteceu papai? Por quê?
— Ah querido, os escritores não escrevem coisas necessariamente porque elas aconteceram. Eles simplesmente escrevem. Escrevem o que lhes vem à mente, escrevem o que imaginam!
— Então eu posso escrever o que eu quiser em um livro e as pessoas podem ler?
— Não meu filho, não tudo. Tudo deve seguir as normas morais. Não se pode sair por ai escrevendo qualquer coisa em qualquer lugar! E se alguém se sentir ofendido?
— Mas a mamãe não se sentiu ofendida quando esse homem fez uma história mentirosa sobre ela?

A mulher de cabelos escuros adentrou o quarto do menino. Beijou-lhe a fonte. No marido um beijo na bochecha.

— Não tarde a dormir Leopoldo. Você anda dormindo muito tarde ultimamente.

Apagou a lamparina e convidou o marido a retirar-se.

— Vamos Reginald. Boa noite my Prince... Durma com os anjos.

O marido já estava na sala de estar. Por um momento pensou ter visto um coelho branco pulando apressado em direção ao quarto de seu filho. Olhou para dentro do cômodo. Silêncio. O filho tinha se virado para o lado e já tentava dormir. “Esqueça”, pensou a encantadora mulher. “Bobagens da infâcia”.

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 19:08 0 comentários  

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Bobagens

terça-feira, 19 de janeiro de 2010


Olá seres humanos e demais seres aeróbicos que estiverem lendo isso!

Minhas férias estão tranqüilas. Não sei se vocês querem saber isso, mas como quem escreve sou eu, e eu não estou nem ai pra que os outros querem ler e desde sempre nunca fiz questão de ser pop. E não, não estou estressado. Simplesmente me incomoda que eu não possa seguir um método tranqüilo de tranqüilidade e de férias sem interferência de pessoas que interferem nas coisas alheias. Não posso eu simplesmente seguir com minhas leituras e ouvir minha querida Bossa Nova em Paz? E de vez em quando relaxar no jazz simplesmente não fazendo nada. No ócio total e completo de minha vidinha simples e completa? Porque o mundo requer força de vontade para cumprir um monte de protocolos de inutilidades fúteis e sem serventia em um tedioso ciclo social que arranca as entranhas do verdadeiro ser próprio de cada ser humano. Ser ou não ser, eis a questão! Pobre Shakespeare, que deve estar dando “duplos twists carpados” em seu túmulo por uma frase tão usada por tanta gente que nem sequer sabe que Sir Willian escrevia teatro, e muito menos faz idéia de quem é esse “tal de Hamlet”. Ó céus, ó vida, ó azar. Quis escrever hoje, simplesmente escrever. Tudo sai assim, vomitado da mente. Não, não me deu o trabalho de gestar nada em minha mente, simplesmente deixei que o teclado me levasse. Agora, por exemplo, estou ouvindo uma versão tão depressiva de Besame Mucho, que se eu não estivesse tão tranqüilo eu teria me matado. Não, ao penso em me matar regularmente. Isso foi ironia baby. Posso fumar um charuto? Ah, é, você não decide nada. Vou imaginar que eu estou fumando um charuto então. Pronto, agora estou em um Café, em Paris, próximo a torre de Eiffel, com uma brisa de outono soprando no rosto, com um ótimo sobretudo bem ao estilo máfia russa, tomando um café preto, sem açúcar, e degustando um charuto cubano legítimo ao ouvir um cara magro tocando violino ligeiramente à minha esquerda. Deixe-me apreciar o momento. Vão embora e esqueça tudo o que eu falei. Escrevi. Vomitei ai nesse texto sem pé nem cabeça. Mas agora, deixe-me sentir a brisa de Paris em Paz.

Bonne nuit!
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 21:37 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Navegar é preciso...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

"Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: ‘Navegar é preciso; viver não é preciso.’ Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa raça."


Fernando Pessoa

Postado por Vinicius Neres às 23:46 2 comentários  

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