Por vezes me observo, olho-me atentamente, e não me compreendo. Não sei direito explicar que fenômeno pode ser esse. Não sou inseguro quanto ás minhas posições, minhas escolhas, meu modo de ser e agir... Somente, algumas vezes, olho-me no espelho e sinto que ainda não conheço aquele ser humano que vejo refletido. Pergunto-me se aquilo que sou talvez não seja somente facetas de não-eus, misturados e convivendo em harmonia para formar este eu que sou. Talvez, na verdade, eis que isso seja a verdadeira representação da personalidade de qualquer pessoa: diversas personalidades convivendo como uma. Mas como saber? E como compreender à si mesmo? Sempre, sempre, sempre lembro aquela velha frase do oráculo de Delfos “Conhece a ti mesmo, e conhecerás o universo e os deuses”. Quantas pessoas não conhecem a si mesmas ainda? Ou melhor, reformulando de maneira mais clara a questão: Quantos de nós realmente conhecem a si mesmos? Sei que não é a questão. Não são os outros, sou eu. Recentemente, ao ouvir um texto de certa maneira comum, e que já ouvira outras vezes, uma parte me chamou a atenção. Esse trecho dizia, mas ou menos com estas palavras, que como o bicho-da-seda que tece ao redor de si um casulo, assim é o homem verdadeiro que tem ao redor de si aquilo que é fisicamente. Da mesma forma que o casulo não é o verdadeiro bicho-da-seda, assim o homem não é verdadeiramente aquilo que aparenta ser. Igualitariamente, assim como o bicho-da-seda que um dia rompe o seu casulo para poder voar livremente pela natureza, um dia o homem se libertará daquilo que aparenta ser para ser aquilo que verdadeiramente é.
Não posso negar que isto é uma das coisas mais bonitas que já ouvi. Certamente me fez refletir por longos dias. Talvez essa seja a chave da compreensão, ou talvez não. Mas de fato o homem que busca respostas é um homem que tem um propósito, e que leva em sua existência, somente por isso, uma razão. Isso, somente, já me basta para ter a tranqüilidade de saber que ao menos vivo, e não simplesmente existo.
Vinicius" Neres

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