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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Desolação

sábado, 16 de outubro de 2010

O local era o Shopping Iguatemi, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Noite de Quinta-feira, aproximadamente 9h30min da noite. Estava eu caminhando sozinho, olhando algumas lojas até que resolvi entrar na Livraria Saraiva. Adoro ver livros, adoro analisar as capas, ler as sínteses, sentir aquele cheiro nas páginas de livro novo. Eu estava à esquerda da entrada da livraria, na sessão relacionada à religião e esoterismo. Um amigo me encontra. Diz que havia outro amigo nosso, que reside em Porto Alegre, que veio até o local só para nos ver. Conversar conosco… Enfim, colocar o papo em dia. No meio desta conversa, vejo entrar na livraria um senhor. Um senhor de certa idade, olhar sereno, cavanhaque. Tinha poucos cabelos. Entra, e no centro da livraria para. Fica estático. Dirige, então, olhar para a prateleira de livros, e de repente seu olhar baixa. Eu, com um livro na mão, aberto. Amigo à minha esquerda. O nobre senhor a cinco metros de mim. Ele me olha nos olhos fixamente, enquanto meu amigo falava. Eu sequer prestava atenção direito na fala. Pensava com meus botões “Será mesmo? Em uma cidade deste tamanho, será possível?”. Estava eu ali, entre um amigo com quem não conversava há tempos, que me aguardava e que tinha cinco minutos somente para conversar; e um possível imortal – que me observava olhando os livros. Na dúvida, apesar de a intuição gritar “Vai lá cara, vai lá cara!”, fui conversar com o velho amigo. Quando saí da livraria, olhei para trás – com uma nesga de vontade de voltar ainda – e comentei com o amigo que ia junto comigo: “Acho que conheço aquele senhor que estava lá”. “Quem é?”, ele perguntou. “Deixe quieto”, respondi. E assim, meus caros, assim desse jeito, for falta de iniciativa, falta de ousadia, e falta de atitude, deixei que ficasse lá o nobre senhor. Exatamente desse modo, sem distorcer qualquer fala ou fato, que perdi a oportunidade de um autógrafo, uma foto e talvez – porque não ser otimista – uma pequena conversa ou troca de palavras somente com o ilustre Imortal porto-alegrense Moacyr Scliar. Triste.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 02:54  

Marcadores: Crônicas e Contos

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