Há quem diga que os bons textos surgem de emoções extremas. Felicidade extrema, amor extremo, dor extrema, solidão extrema... Confesso que não saberia dizer. Escrevo por impulso, só. Escrevo o que me vem à mente na hora que me der na telha. Seja em um rascunho, um guardanapo, ou no marcador de páginas de um livro que eu esteja lendo. Simplesmente escrevo. Confesso que é um prazer que tenho como poucos na vida. Ler e escrever faz parte de mim tanto quanto qualquer hábito mais simples. Adoro palavras, livros, histórias; adoro quando as palavras descrevem e narram coisas. Certamente a escrita é uma das maiores dádivas do ser humano. Sinto, porém, de não estar escrevendo muito ultimamente. Ando meio parado, talvez enferrujado. A prática que a perfeição requisita não está sendo suprida, digamos. Talvez eu deva conhecer mais o mundo para falar mais do mundo. Experiência é a palavra. As mesmas pessoas, os mesmo hábitos, os mesmos costumes... Talvez eu esteja enjoado de escrever sobre pessoas conhecendo as mesmas pessoas. Além do mais, muitas delas nem pessoas são. Vivem na fantasia de seu êxtase constante, em um transe coletivo indescritível. Talvez eu os inveje. No fundo eu os invejo, pois eu sei quando estou fora da ilusão, e eles não. Mas não sinto pena de mim mesmo, como deve parecer. Só terei pena de mim mesmo se um dia descobrir que me coloquei em um patamar tão superior aos outros que fechei minha mente e me tornei mais vil do que aqueles de que senti pena. Quero só continuar simples, ler um livro idiota em baixo de uma figueira, comer feijão e arroz e rir de uma criança que cai quando está dando os primeiros passos; descobrir que o universo é somente uma casca de noz.
Vinicius"Neres


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