O homem esperava a beira da cama pelo filho inquieto. Sua face era de cansaço. Ele estava cansado, mas o filho não o deixava sair.— Mas a mamãe foi mesmo para esse lugar papai? Foi mesmo? E como eu vou para lá também?
— Não, Leopoldo, não. Foi só um senhor que conheceu a mamãe quando ela tinha a sua idade e pensou nela para escrever a história, querido.
O nome do filho ainda o incomodava. Era seu filho, claramente. Em cinco anos de vida a semelhança era mais do que notória. Os olhos da mãe, mas os cabelos, a personalidade, o rosto... Tudo lembrava o pai. Mas o nome... Principalmente quando a mãe do menino o chamava de “my Prince”. Meu príncipe. Isso o incomodava no nicho mais profundo de sua alma. Leopoldo. Porque não qualquer outro nome. Leopoldo...
— Mas porque ele escreveria uma coisa que nunca aconteceu papai? Por quê?
— Ah querido, os escritores não escrevem coisas necessariamente porque elas aconteceram. Eles simplesmente escrevem. Escrevem o que lhes vem à mente, escrevem o que imaginam!
— Então eu posso escrever o que eu quiser em um livro e as pessoas podem ler?
— Não meu filho, não tudo. Tudo deve seguir as normas morais. Não se pode sair por ai escrevendo qualquer coisa em qualquer lugar! E se alguém se sentir ofendido?
— Mas a mamãe não se sentiu ofendida quando esse homem fez uma história mentirosa sobre ela?
A mulher de cabelos escuros adentrou o quarto do menino. Beijou-lhe a fonte. No marido um beijo na bochecha.
— Não tarde a dormir Leopoldo. Você anda dormindo muito tarde ultimamente.
Apagou a lamparina e convidou o marido a retirar-se.
— Vamos Reginald. Boa noite my Prince... Durma com os anjos.
O marido já estava na sala de estar. Por um momento pensou ter visto um coelho branco pulando apressado em direção ao quarto de seu filho. Olhou para dentro do cômodo. Silêncio. O filho tinha se virado para o lado e já tentava dormir. “Esqueça”, pensou a encantadora mulher. “Bobagens da infâcia”.
Vinicius" Neres

0 comentários:
Postar um comentário