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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Tranquilidade

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sinto-me bem. Tranquilo, confiante e seguro. Me sinto leve, sem culpa, sem pesos. Nessas horas penso como é interessante a transitoriedade humana. Ora nos sentimos frágeis como um livro antigo que se despedaça ao ser tocado. Ora parece que nada nos destruirá, que tudo é maravilhoso e belo. Vocês podem verificar isso somente lendo textos anteriores desse blog. Mas por incrível que pareça, toda aquela fragilidade agora parece uma rande besteira. Porque me afligi tanto? Porque me senti tão vulnerável? Não posso responder nada. Da mesma forma que agora me sinto invensível, posso mudar para um estado semi-depressivo. O que será? Pressão? Medo? Creio que ninguém consiga compreender a complexibilidade da psiquê humana. Aqueles que crêem ter desvendado seus mistérios certamente não a analisaram mais á fundo. Mas continuo nesse impasse, vivendo como muitos, ciênte como poucos, e indescritívelmente auto-inexplicável.


Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 01:35 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Reciprocidade ou morte!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Saudações humanos!

Esse é a transcrição de uma publicação do Jornal Diário do Iguaçu, em 14 de Dezembro de 2009. Recebi esse texto por e-mail de uma grande e velha amiga e o apreciei muito. Espero que também gostem. Fala sobre o nosso compromisso com o meio natural onde vivemos. Espero que apreciem.

Att,
Vinicius" Neres
_____________________________
Por Leonardo Boff




Hoje vos trago um texto digno de nossa leitura; de um grande teólogo, filósofo, escritor e defensor da prática de sustentabilidade. Leonardo Boff desistiu da carreira eclesiática há alguns anos e passou a dedicar-se a atividades realmente importantes, relacionadas ao meio-ambiente que não conservamos. É sobre isso que o texto abaixo aborda. O cara é tão bom, que prefere andar de ônibus a avião em suas longas viagens pelo Brasil afora; por tratar-se de um transporte coletivo, em que menor quantidade de CO2 é liberada à atmosfera.

"Desde que os seres humanos decidiram viver juntos, estabeleceram um contrato social não escrito pelo qual formularam normas, proibições e propósitos comuns que permitissem uma convivência minimamente pacífica.

Depois surgiram os pensadores que lhe deram um estatuto formal como Locke, Kant e Rousseau. Todos esses contratos históricos têm um defeito: supõem indivíduos nus e acósmicos, sem qualquer ligação com a natureza e a Terra. Os contratos sociais ignoram e silenciam totalmente o contrato natural. Mais ainda, a partir dos pais fundadores da modernidade, Descartes e Bancon, implantou-se a ilusão de que o ser humano está acima e fora da natureza com o propósito de domínio e posse da Terra. Este projeto continua a se realizar mediante a guerra de conquista seguida pela apropriação de todos os recursos e serviços naturais. Atrás sempre fica um rastro de devastação da natureza e de desumanização brutal. Antes se fazia guerra e apropriação de regiões ou povos. Hoje conquistaram-se todos os espaços e se conduz uma guerra total e sem tréguas contra a Terra, seus bens e serviços, explorando-os até a sua exaustão. Ela não tem mais descanso, refúgio ou espaço de recuo.

A agressão é global e a reação da Terra-Gaia [teoria de James Lovelock] está sendo também global. A resposta é o complexo de crises, reunidas no devastador aquecimento global. É a vingança de Gaia.

Não temos outra saída senão reintroduzir consciente e rapidamente o que havíamos deixado para trás: o contrato natural articulado com o contrato social. Trata-se de superar nosso arrogante antropocentrismo e colocar todas as coisas em seu lugar e nós junto delas como parte de um todo.

Que é contrato natural? É o reconhecimento do ser humano de que ele está inserido na natureza, de quem tudo recebe, que deve comportar-se como filho e filha da Mãe Terra, restituindo-lhe cuidado e proteção para que ela continue a fazer o que desde sempre faz: dar-nos vida e os meios da vida. O contrato natural, como todos os contratos, supõe a reciprocidade. A natureza nos dá tudo o que precisamos e nós, em contrapartida, a respeitamos e reconhecemos seu direito de existir e lhe preservamos a integridade e a vitalidade.

Ao contrato exclusivamente social, devemos agregar agora o contrato natural de reciprocidade e simbiose. Renunciamos a dominar e a possuir e nos irmanamos com todas as coisas. Não as usamos simplismente, mas ao usá-las quando precisamos, as contemplamos, admiramos sua beleza e organicidade e cuidamos delas. A natureza é o nosso hospedeiro generoso e nós seus hospedes agradecidos. Ao inés de uma trégua nesta guerra sem fim, estabelecemos uma paz perene com a natureza e a Terra.

A crise econômica de 1929 sequer punha em questão a natureza e a Terra. O pressuposto ilysório de que elas estão sempre aí, disponíveis e com recursos infinitos. Hoje a situação mudou. Já não podemos dar por descontada a terra com seus bens e serviços. Estes mostraram-se finitos e a capacidade de sua reposição já foi ultrapassada em 40%.

Quando esse fator é trazido ao debate na busca de soluções para a crise atual? Somos dominados por economistas, em sua grande maioria verdadeiros idiotas especializados - Fachidioten - que não veem senão números, mercados e moedas esquecendo que comem, bebem respiram e pisam em solos contaminados. Quer dizer, que só podem fazer o que fazem porque estão assentados na natureza que lhes possibilita fazer tudo o que fazem, especialmente, dar razões ao egoísmo e às barbaridades que a atual economia faz, prejudicando milhões de pessoas e que vai minando a base que a sustenta.

Ou restabelecemos a reciprocidade entre natureza e ser humano e rearticulamos o contrato social com o natural ou então aceitamos o rosico de sermos expulsos e eliminados por Gaia. Confio no aprendizado a partir do sofrimento e do uso do pouco bom senso que ainda nos resta."

Publicado em 14/12/09 no jornal "Diário do Iguaçu".

Depois dessa brilhante síntese de idéias, só posso pedir-lhes que repassem esse texto e os ideais que estão contidos nele.

Obrigada!

Com satisfação,
Anne S.

Postado por Vinicius Neres às 16:16 1 comentários  

Marcadores: Textos de terceiros

Sobre a natureza do homem

segunda-feira, 30 de novembro de 2009



A natureza do homem é estranhíssima. Sim, estranha ao extremo. Conciliar opiniões, idéias, críticas, sugestões, reclamações, confrontos abertos... Não é simples. É estranho. Intrigante. É inconcebível. Talvez as religiões e mitologias expliquem isso, mas a ciência, principalmente as ciências extremamente racionais, arrastar-se-ão pela eternidade se basearem-se apenas na observação e experimentação para explicar o homem e sua natureza.

Não é simples conviver com pessoas. Tudo seria mais fácil com o isolamento. Porém é fato que o isolamento também faz mal a sanidade do homem. A convivência, a sociedade é um mal necessário; um mal que nos corrói e que corrói cada vez mais a alma dos seus integrantes como uma sanguessuga que executa seu trabalho discretamente. Não causa dor, mas explora-te e consome-te as forças a cada passada, a cada ato e gesto. Infelizmente assim é o mundo atual. Um Manicômio Global, como tanto cita Augusto Cury.

Há alguém que compreenda a natureza do homem, que se adapte a ela, que a sorva em toda a sua essência? O tempo dirá. Não sou digno desse conhecimento, infelizmente. Pouco conheço a mim mesmo, muito menos as outras personalidades. Todavia, talvez esse seja o segredo, não? Conhece a ti mesmo. Descubra sua natureza, para então descobrir a natureza do homem. O mundo e as pessoas negam conhecer-se. Negam descobrir-se. É estranho, macabro, caótico. Vivemos em uma época em que o narcisismo é tão constante que é praticamente imperceptível. Vivemos na era das relações superficiais, dos relacionamentos sem espírito, da amizade sem alma.

O que posso fazer? Sou humano, demasiado humano para compreender a natureza humana. Talvez algo ilumine a minha caminhada, mas o futuro é quase sempre incerto, e a vida é uma caixinha de surpresas. Por enquanto sigo, peregrinando pelos labirintos de minh’alma, sorvendo de mim o que eu necessito, e procurando, talvez tão erroneamente, conhecer aqueles que me cercam.

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 21:00 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Mistérios de Fernando Pessoa

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Uma coisa me intrigou nisso que li. Fazendo uma pesquisa sobre o grande Mestre português, deparei-me com um texto de sua autoria. Confuso. Misterioso. Sabem vós por que! Datilografada e assinada pelo escritor em 30 de Março de 1935. Publicada pela primeira vez, muito incompleta, como introdução ao poema À memória do Presidente-Rei Sidónio Pais, editado pela Editorial Império em 1940. Publicada em versão integral em Fernando Pessoa no seu Tempo, Biblioteca Nacional, Lisboa, 1988, pp. 17–22. Abaixo, na íntegra:
Vinicius" Neres
__________________________
FERNANDO PESSOA

Nome completo: Fernando António Nogueira de Seabra Pessoa.

Idade e naturalidade: Nasceu em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de S. Carlos (hoje do Directório) em 13 de Junho de 1888. Filiação: Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim António de Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto e Director-Geral do Ministério do Reino, e de D. Madalena Xavier Pinheiro. Ascendência geral: misto de fidalgos e judeus.

Estado civil: Solteiro.

Profissão: A designação mais própria será "tradutor", a mais exata a de "correspondente estrangeiro" em casas comerciais. O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação.

Morada: Rua Coelho da Rocha, 16, 1º. Dto. Lisboa. (Endereço postal - Caixa Postal 147, Lisboa).

Funções sociais que tem desempenhado: Se por isso se entende cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas.

Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações ocasionais. É o seguinte o que, de livros ou folhetos, considera como válido: "35 Sonnets" (em inglês), 1918; "English Poems I-II" e "English Poems III" (em inglês também), 1922; livro "Mensagem", 1934, premiado pelo "Secretariado de Propaganda Nacional" na categoria Poema". O folheto "O Interregno", publicado em 1928 e constituído por uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que repudiar muito.

Educação: Em virtude de, falecido seu pai em 1893, sua mãe ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o Comandante João Miguel Rosa, Cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali educado. Ganhou o prémio Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.

Ideologia Política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, embora com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário.

Posição religiosa: Cristão gnóstico e portanto inteiramente oposto a todas as igrejas organizadas e, sobretudo, à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.

Posição iniciática: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templária de Portugal. Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: "Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação".

Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima. Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.

Lisboa, 30 de Março de 1935 [em várias edições está 1933, por lapso]

Fernando Pessoa [assinatura autógrafa]

Fonte: Cópia do original dactilografado e assinado existente na Colecção do Arquitecto Fernando Távora.

Postado por Vinicius Neres às 17:43 0 comentários  

Marcadores: Textos de terceiros

Duas frases e um humor ácido

— Eu queria propor-lhe uma troca de idéias...
— Deus me livre!

Mário Quintana


______________________________
Genial. Simplesmente genial.

Postado por Vinicius Neres às 17:35 1 comentários  

Marcadores: Frases

Análise Econômica da Sociedade Contemporânea

terça-feira, 27 de outubro de 2009



Quando falamos a respeito da Segunda Guerra Mundial – um conflito sem dúvida impar na história da humanidade – nos vem à mente, quase unanimemente, um acontecimento chave para o fim desse conflito. Na verdade, um acontecimento “bifurcado”: dois atos idênticos, contudo em datas e locas distintos. As bombas atômicas de urânio e plutônio lançadas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram marco do início de uma era de tensas relações internacionais; e que é denominada pelos historiadores de Guerra Fria. Esse confronto colocou em cheque – mesmo que sem conflitos armados diretos – as duas maiores potências econômicas e ideológicas do século XX: URSS e EUA.

Sabemos que essas duas potências lutaram juntas na segunda grande guerra, entretanto nem por isso suas relações eram mais amistosas. Apesar de aparentemente companheiras, essas potências travavam guerras implícitas para estender suas áreas de influência sobre o globo. A principal divergência que as colocava em conflito eram seus sistemas econômico-governamentais. Enquanto a Rússia tinha o Socialismo como fundamento, os Estados Unidos da América glorificavam-se da liberdade do sistema Capitalista e Liberal.

A análise desses sistemas é complexa. São sistemas idealizados por diversos teóricos, que durante o séculos modificaram, estudaram e aperfeiçoaram as teorias governamentais que regem esses dois sistemas.

Na questão Socialista, sem dúvida o teórico mais respeitado e estudado é Karl Marx. Marx, apesar de ser classificado como um Socialista, pode ser facilmente estudado como um teórico Capitalista. Explico: A principal obra de Marx, o Capital, apesar se ser citado por muitos como a fonte da organização governamental Socialista, é uma obra que analisa sistematicamente e da forma mais detalhada possível o Capitalismo Europeu do século XIX. Sem dúvida uma obra prima da Economia, a análise de Marx, apesar de apaixonante, é imparcial, analisando a formação da sociedade fundamentada na busca de lucros e na industrialização. A organização do governo Socialista coube, não a este homem, mas a outro que analisou sua obra, e fez das conclusões de Marx uma base para a formação de um estado nacional: Lênin.

Não seria viável fazer uma análise das duas potências mundiais do século XX nesse ensaio, já que os estudos sobre ambas são de um volume imensurável. O que nos interessa nesse momento são as ideologias por trás dessas potências.

O fato, como se admite certos historiadores e estudiosos, é que Marx, em sua obra, não considera a flexibilidade do sistema. Vê o capitalista como um ser que vive, pensa e busca incondicionalmente o capital e seu crescimento. Como escreve um determinado Editor de uma publicação que resgata o resumo feito por Carlo Cafiero - um anarquiesta italiano - da obra prima de Marx, “(...) Marx não estava errado na sua interpretação econômica, mas na suposição de que as atitudes psicológicas e sociais eram fixas e inalteráveis. (...)”. Para Karl Marx é inconcebível a doação de fundos de uma grande empresa para Organizações que ajudam as pessoas mais necessitadas, com essa empresa negando o direito de administrar esses fundos. Para Marx é inconcebível que o sistema formado por Capitalistas dê assistência ao proletário. Nisso consiste o erro de Marx. A nossa sociedade não estava prevista em seu estudo. Como esse mesmo Editor escreve “(...) No Novo mundo, porém, surgiram novas atitudes: a idéia da democracia, a idéia de um governo imparcial procurando reconciliar os interesses diversos, a idéia da luta de classes sem guerra de classes. O governo norte-americano tem freqüentemente mostrando leves indícios de um interesse de classe, mas dificilmente esse interesse se manifesta abertamente pela imposição. Para Marx, essa situação teria parecido apenas uma fantasia bem intencionada. (...)”.

O passar dos anos permitiu que o modo de vida e de pensamento da população se modificasse, e um sistema híbrido se estabelecesse. A luta contra os grandes proprietários era a única alternativa em uma Inglaterra do século XIX em que crianças com menos de 10 anos trabalhava até 18 horas por dia. A estrutura social se modificou. Mesmo quer o sistema aplicado não seja perfeito, a cada dia que passa ele se encaminha para que se torne assim. É concebível que poucas pessoas tenham muito, desde que o grande montante de impostos que estes pagam seja aplicado racionalmente para que os menos favorecidos tenham uma vida digna. Se os sistemas públicos de Educação, Cultura, Saúde e Residência funcionarem como foram planejados, a desigualdade social será ínfima, e todos terão a liberdade de buscar o próprio sucesso financeiro com a garantia de que os órgãos públicos já lhe garantem uma vida tranqüila.

Marx não previu o salário mínimo, o seguro desemprego, o auxílio maternidade, a jornada de trabalho de 8 horas, a proibição do trabalho infantil; conquistas que a sociedade moderna adquiriu. Citando novamente a introdução do resumo d'O Capítal “(...) não é com o Marx revolucionário que o Capitalismo terá que lutar finalmente – é com o Economista, o estudiosos que procurou provar laboriosamente que a essência do capitalismo é a autodestruição. A resposta a Marx não está tanto em demonstrar que as injustiças do comunismo como em assinalar que, numa atmosfera social nunca sonhada por Marx, o capitalismo pode sobreviver e florescer.”. Quanto a isso, ao menos teoricamente, acredito que a sociedade do século XXI conseguiu provar. O Capitalismo pode sim sobreviver e florescer sem que o abismo social seja tão grande. Sim, é verdade que teoria e prática são coisas distintas, e que não conseguimos atingir perfeitamente essa realidade – ainda mais no Brasil. Todavia a luta social e a participação do povo nas decisões nacionais nos encaminharão a um futuro próspero e promissor.

Vinicius" Neres


Obra: La liberté guidant le peuple - Eugène Delacroix

Postado por Vinicius Neres às 20:47 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Estrela das ruas

Ali ele vivia. Ali ele andava. Vagava nas noites frias. Rastejava nas noites quentes. Mas ali era seu lar, o lugar onde escolheu viver, o lugar d’onde optou por ficar. Era difícil aquela vida, mas tinha seus prazeres. As noites de inverno eram aquecidas com a cachaça que passava de mão em mão na roda de mendigos. Interessante era ver aquela cena. Interessante é ver como é maior o companheirismo e a compaixão entre os que menos têm a partilhar. Ele era poliglota, falava cinco línguas. Tinha um talento indescritível nos palcos. Deixara críticos boquiabertos com sua genialidade. Extrapolava no palco, fazia daquele pequeno tablado seu mundo. Seu mundo agora era a rua, e a rua era um mundo inteiro. Nem se recordava como chegara aquele ponto. Talvez a influência de seus próprios colegas, ou a curiosidade digna da juventude áurea daqueles tempos. Sua vida era burguesa. Lera os maiores autores de línguas estrangeiras de todo o mundo. Deliciara-se com o cheiro de tinta das obras de Shakespeare, no inglês puro e original, devaneara na melancolia de Goethe lendo Werther, e Charles Baudelaire dava vida à suas noites solitárias da adolescência. O vício o pegou de surpresa. Sabia que estava exagerando, e que a cocaína não deveria ser consumida em tão grandes doses. Perdeu a linha, a concentração e a carreira artística. Tentou outras atividades, ensinar línguas, ensinar música, teatro... Mas a sua aparência de eterna ressaca desencorajava qualquer que fosse o aluno ou pai. Tentou a vida na mata, mas as crises de abstinência quase o mataram. Não suportava aqueles suores e tremedeiras. Tentou os trabalhos braçais, foi trabalhar como minerador, como pedreiro, mas os vícios do corpo e da alma consumiam-lhe cada centavo ganho e o deixavam indisposto para essas atividades. Tentou voltar à sua família, mas seu estado físico e psicológico não era mais aceitável a um ser humano. Estava só no mundo. Abrigou-se no Brasil, perto de sua terra natal. Estabeleceu-se em Porto Alegre, e lá juntou uma horda de caminhantes que ficavam estarrecidos ao vê-lo, quando já passado da linha da sobriedade, gritar frases soltas em alemão e francês. A erva que conhecera em Amsterdã, em festas que nunca imaginara participar, era agora tão comum naquele meio como a água-ardente que dividia com seus companheiros. Dormia sob as estrelas, envolto em uma caixa de papelão. Acordava somente quando o sol do meio-dia era quente e incomodativo demais. As esmolas que recebia serviam apenas para os vícios. Raramente comia, quando, em ocasiões que nem ele lembrava, davam-lhe restos de alimentos. Era um marginal. Antes aplaudido pela elite, agora era desprezado até pelos mais miseráveis. Conheceu o crack. Seu corpo frágil, já nem mais tão jovem, tão bem construído outrora, foi apunhalado e corroído, agora com uma intensidade nunca antes experimentava. Dois meses. Morreu. Parada cardiorrespiratória. Seu corpo indigente ficou esticado naquela rua durante horas. Uma multidão passou e nem sequer desviou o olhar para aquele corpo sem vida. Morrera à noite. Na tarde do dia seguinte o corpo de bombeiros foi chamado. Os companheiros mesmo acionaram a ambulância, e o sol já propiciava um odor de putrefação característico. Hoje seu nome poderia estar sendo chorado por multidões. Hoje homenagens internacionais poderiam ser prestadas. Mas nada disso seria feito. Era agora somente um marginal, um ignorado e esquecido. Indigente. Só.

Inspirado por acontecimentos autênticos.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 20:32 0 comentários  

Marcadores: Crônicas e Contos

Gestação mental

domingo, 25 de outubro de 2009


Um caminho escuro de se estende sob minha frente. O futuro é incerto. Sinto talvez não ter feito a coisa certa. Temo ser mal compreendido. Temo que os meus motivos sejam considerados vis. Tudo a minha frente é incerteza, mas o primeiro passo foi dado. Tenho medo. Temo ter magoado pessoas. Temo que elas não me compreendam. Sou inseguro, sim. Sou seguro e confiante somente por fora. Uma aparência, apenas. Não sei que rumo tomar, apesar de apenas um se desenrolar a minha frente. Dei os primeiros passos. Sabia o que estava fazendo; contudo sentir realmente aquilo que somente se deduz é algo completamente diferente. Será que fui egoísta? Será que meus motivos foram somente para suprir um desejo de ser o centro de tudo? Não sei. Não sei mais. Mas as decisões foram tomadas, as considerações feitas, e agora todos já sabem dos meus planos. Não são planos ruins afinal, só pensei no bem estar e no crescimento daqueles que me rodeiam. Fiz certo? Tomei as decisões certas? Tentei fazer com que tudo não parecesse uma decisão isolada, um desejo desvirtuado... Mas é impossível não surpreender. Tenho medo de ser mal compreendido apenas. Será que me apoiarão? Será que conseguirei cumprir aquilo que idealizo? Sou inseguro, como disse. Apenas controlo minha insegurança. Não transpareço que sou dependente da aprovação de todos. Sou um qualquer como qualquer outro. A aprovação dos outros me move também. Tudo à minha frente é obscuro. O futuro é incerto. Aqueles de quem mais admiro, apesar de alguns classificarem como menos preparados do que estou, talvez não consigam ver o que vejo. O mundo é complexo. Pessoas são complexas. Procurei sempre agradar a todos, mas creio ser impossível. Mas tentei. Dai-me sabedoria e humildade para seguir em frente, e permita-me ser compreendido ó Senhor de todas as coisas do céu e da terra. Sigo em frente. Voltar é impossível. Não quero ser hipócrita. Não gostaria de ser interpretado como egoísta, mas parece que isso é que sou. O clima de espanto se espalha, e acredito ser cada vez menos compreendido. Queira Deus que eu tenha forças, e que não afaste de mim pessoas que admiro e que vejo com grandes expectativas. Talvez seja eu uma cópia daqueles de quem tanto critiquei. Apenas um ditador disfarçado impondo minhas vontades. Será que sou isso? Não sei mais qual é a natureza de minha alma. Pensei que conhecia a mim, mas agora compreendo que o conhecimento de si é algo indispensável, mas dificílimo de alcançar. As pessoas passam grandes períodos, ou talvez até a vida toda, sem saber quem realmente são. Não me conheço. Não sei quem sou. Não sei a natureza de minh’alma. Só sei que vivo. Sinto-me leve agora. O que me angustiava agora está todo neste pequeno período léxico que se inicia linhas atrás. Talvez eu leia isso novamente daqui a algum tempo, e compreenda o que se passa em minha mente conturbada. Nietsche nos dá conselhos valorosos quando nos instiga a conhecer a nós mesmos. Só sei que meus motivos não foram torpes nem vis. Não pensei em mim. Não quero que o foco da luz fique em mim. Somente temo que isso não seja entendido, como já disse. Mas temo, temo muito isso. Espero que me compreenda caro texto. É tu a natureza do meu pensamento, ainda que falho – pois palavras nunca dizem exatamente aquilo que pensamos. Mas aproximam-se bem disso. Estão conturbadas e desorganizadas como minha mente e espero que a organização delas me dê luz, força, e sabedoria para completar aquilo que iniciei. É isso. Não esperem mais. Não consigo pensar em nada mais que explique tudo isso. Tudo isso foi uma gestação. Enfim nasceu. Boa Noite!

Parido de minha mente na madrugada de Sábado, 25 de Outubro de 2009.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 01:13 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

A incapacidade de ser verdadeiro

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça: “Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia."
Carlos Drummond de Andrade

Postado por Vinicius Neres às 23:10 0 comentários  

Marcadores: Textos de terceiros

"Não vá o sapateiro além do sapato"

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

De José Maurício Guimarães


Depois que Vanusa apresentou a mais estapafúrdia interpretação do Hino Nacional Brasileiro, o país acordou para uma série de polêmicas sobre a obra de Joaquim Osório Duque Estrada (letra) e Francisco Manuel da Silva (música).

Ouvi dizer que Carlos Heitor Cony aproveitou a onda. Não sendo músico, disse que a melodia é bonitinha, mas a letra é complicada, difícil de ser memorizada e compreendida por parte dos jovens. "Os Lusíadas", "Os Sertões" e "Matéria de Memória" também são de difícil compreensão por parte dos menos letrados; difíceis de serem memorizados e, até certo ponto, complicadíssimos. Nem por isso devem ser mutilados, reduzidos ou resumidos. Pândega geral na terra de Cabral! Patuscadas!

Quanto aos jovens, garanto que eles sabem de memória os roteiros dos mais complexos games, as imbricadas senhas e labirintos da internete. Façam um teste: todos sabem que Sepp Maier, Karl-Heinz Rummenigge, Rudi Völler, Michael Ballack, Miroslav Klose, Andreas Brehme, Oliver Kahn, Andreas Möller, Karlheinz Förster, Wolfgang Overath, Bernd Schneider, Torsten Frings e Harald Schumacher são jogadores de futebol na Alemanha. Quem pensava que eram músicos da Orquestra de Câmara de Berlim, errou! Portanto, não há desculpas. Parem de reclamar que nosso Hino tem duas partes. Se "La Marseillaise" tem sete partes incluindo um "couplet des enfants"; se o do Estados Unidos da América, "The Star-Spangled Banner", tem 4 estrofes enormes, por que nosso Hino haveria de se contentar com menos?Parece que essa gente está apressada para acabar logo a música e atacar no coquetel. E ninguém reclama dos malditos discursos dos puxa-sacos que alongam desnecessariamente as solenidades.

Extravagância: Em recente programa da CBN, uma respeitável senhora apareceu com uma "letra" para a introdução do Hino. Achei admirável o vigor daquela senhora e o entusiasmo com que ela defende o civismo. Ela está certíssima. Mas, essa "letra de introdução" é pirataria. Por descuido das autoridades, a monstruosidade foi contrabandeada para dentro do Hino por volta de 1880. A façanha foi atribuída ao Exmo. Sr. Dr. Américo de Moura Marcondes de Andrade, político que presidiu as províncias do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Devia viajar de cá prá lá o tempo todo. Visando matar o proverbial tédio dos políticos e não conhecendo nada sobre a estrutura das marchas, o Exmo. Sr. Dr. bolou uma letra canhestra para a introdução. O monstrengo tem mais sílabas do que as notas musicais da melodia; o efeito final é ridículo. Um monstro de Frankenstein cheio de emendas e parafusos. Haja língua e glote para pronunciar aquilo tudo em tempo marcial: "Que todos cumprais(sic!)...Gravai o buril Nos pátrios anais...Eia avante!...O lábaro erguei!...Eia sus, oh sus!" Felizmente, excluíram esse mau gosto e o "sus" que faz lembrar o Sistema Único de Saúde.

O compositor Francisco Manuel da Silva fundou o Conservatório do Rio de Janeiro, origem da atual Escola de Música da Universidade Federal. Foi regente do Teatro Lírico Fluminense, cantor da Capela Real, integrante da orquestra da mesma instituição, violoncelista na corte de D. João VI, violinista, e organista. Organizou e dirigiu conjuntos musicais, destacando-se como regente e primeiro incentivador do ensino musical no país. Respeitemos esse brasileiro. Grande conhecedor dos estilos musicais da época, jamais teria admitido "letra" numa introdução orquestral; isso não existe nem aqui, nem na Republiken Lettland nem em Isla Navarino. Dessa forma, Francisco Manuel da Silva e o poeta, crítico literário, professor e ensaísta brasileiro Joaquim Osório Duque Estrada jamais pensariam numa presepada desse quilate: letra na introdução!
O que está valendo é o texto e música oficializado pela lei nº 5.700, de 1 de setembro de 1971, publicada no Diário Oficial de 2 de setembro de 1971. Dura lex sed lex. Cumpra-se!

Não nos deixemos iludir. Deixemos, sim, de lado, as palavras cruzadas que não ajudam na preservação da memória. Mas, procuremos decorar nosso Hino para preservarmos a memória nacional. "De cór" significa "de coração".



Texto original: http://zmauricio.blogspot.com/2009/09/nao-va-o-sapateiro-alem-do-sapato.html

Postado por Vinicius Neres às 17:25 0 comentários  

Marcadores: Textos de terceiros

Grande homem

quinta-feira, 3 de setembro de 2009




"Qualquer ideia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro em ti se achava inteiramente nua..."
Mário Quintana


Só o nome por trás da idéia, o escritor dessas palavras, já é sufuciente para medir a sua grandeza. Sábio Mário. Enquanto a tu negaram uma cadeira na imortalidade da Academia Brasileira de Letras, lá está Sarney. A mediocridade humana é imensurável. Espero que tenha partido ciente de que, mesmo não imortalizado por mortais estúpidos, és imortal em nossas almas. Muito Obrigado!

Postado por Vinicius Neres às 21:23 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Desabafo

A natureza humana é algo muito complexo para a compreensão de nós, mortais. Personalidades distintas em um mundo, um conglomerado de idéias, opiniões, e modos de vida praticamente incompatíveis entre si, mas que nosso modo de vida obriga a condensar em núcleos familiares e sociais tão complexos quanto às personalidades que os compõem.

Mas infelizmente a vida como compreendemos hoje se sustenta nessa hipocrisia. A sociedade nos obriga a nos mantermos ligados a cada vez mais pessoas, ter muitos amigos, companheiros, colegas... São raros os que conseguem se libertar dessa maquinação em que vivemos. A mediocridade humana não se restringe, por isso, a seus próprios seres, mas estendem-se a todos os membros do grupo social de que esse ser humano faz parte, contaminando as reles e fracas mentes.

É assim que surgem as “tribos”, os padrões comportamentais, a homogeneidade de idéias bestas e absurdas que assola a sociedade contemporânea. Vivemos em uma selva. Orgulhamo-nos tanto de ter desenvolvido toda essa tecnologia que nos cerca, todo esse mundo monocromático de que somos tão ligados que não percebemos que a única coisa que fizemos foi reconstruir a selva a nosso modo. O ser humano é um predador natural de seres humanos, que a tecnologia fez com que nos autodestruíssemos sem tocar uns nos outros. Fazemos isso através da manipulação de mentes. Sofremos isso diariamente através do inferno kafkiano de que somos submetidos pelo modo de vida apressado, violento, e tão orgulhosamente chamado de moderno. A violência, a fome, a miséria... São apenas sintomas do enorme doença que se espalha pelas mentes humanas... Augusto Cury é extremamente exato quando diz que vivemos em um manicômio global. Padrões doentes de consumo, de personalidades e de beleza são jogados em nossa mente tão constantemente quanto o movimento de nossos pulmões.

Entretendo quem é forte o suficiente para suportar isso? A loucura global não se estende apenas a essas pessoas que chamamos vulgarmente de povo. Ao dissertar, fazemos referência a esse povo que se fossem um grupo afastado, longe de nossa realidade, um exemplo a não ser seguido. O povo é o causador da corrupção, o povo é manipulado, o povo é alvo da mídia... Mas e nós? Nós não somos povo? Não fazemos parte dessa massa que vive marcada com esses padrões como gado em uma fazenda? Os privilegiados economicamente não são apenas um subgrupo desse povo, e que é classificado por seu grau de sociabilidade, que, de forma tão comum, chamamos de status social? Esses status é que define o quão aceito você é nessa selva que construímos. Pessoas lutam por esse status. Pessoas morrem por esse status.

Às vezes a vontade é que temos – que tenho – é de jogar todos esses padrões, essas porcarias que nos cercam, e abandonar essa selva para a selva de que viemos originalmente. Meu plano de fuga é frustrado, como vocês devem perceber. Se isso acontecesse, não estaria aqui escrevendo isso nesse computador. A verdade é que sou um fraco. Fascinado pelo semi-status que tenho, e pelo que posso adquirir ao trilhar o caminho que sigo. Todas essas críticas, fundamentalmente, são para mim. Talvez isso seja vergonhoso para alguém. Nunca tive vergonha de dizer o que eu penso, e sou um autocrítico sim. A vida segue e se desenrola com mediocridade. Eu e a enorme maioria dos jovens desse mundo ainda ficamos aqui, devaneando com nossos desejos e medos inexpressáveis, movidos apenas pela paixão e pela esperança de um dia fazer algo decente. Algo realmente decente. Não venham me contar histórias de bebedeiras sem precedentes, viagens regadas a álcool e energéticos, baseados de juventudes frustradas, “pegações”, festas “maneiras” ou quaisquer orgias que lhes venham à mente. Nada disso me interessa, nem nunca me interessou.

Sou ainda apenas mais um nesse mundo, mas que não se encaixa nas concepções de juventude que se tem. Quem sabe a vida me mostre que tudo isso foi em vão. Que fui apenas um cara estranho, em um mundo de loucos. A rebeldia não me interessa. Isso não é um manifesto. É apenas um espaço em que estou jogando tudo que me vem da mente. Estou em harmonia comigo mesmo. Acho que isso, no fim, é o que importa. Quanto talvez à remota possibilidade de alguém que compartilha esses meus ideais, um conselho:

Audi, vide, tace, si vis vivere in pace.

Obrigado pela paciência!


Vinicius” Neres


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Marcadores: Textos próprios

A revolução da energia limpa

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A constante e sucessiva busca por energia no mundo contemporâneo é algo banal em nosso dia-a-dia. Fontes de energia, métodos para seu melhor a aproveitamento, e pesquisas e teses sobre o assunto são fundamentais para que estude e se aproveite os recursos energéticos que a natureza nos oferece. O maior problema de tudo isso, contudo, é que o uso desenfreado das fontes de energia que a natureza nos disponibiliza está destruindo-a, e por conseqüência esgotando esses mesmos recursos. A conciliação entre desenvolvimento e responsabilidade ambiental, hoje, figura entre os maiores problemas a serem solucionados pelos grandes pesquisadores.

No meio de todo esse conflito nos perguntamos: Qual será a solução? O que suprirá a demanda energética que cresce geometricamente ano após ano? E o pior. Como é que faremos isso sem desgastar a fonte provedora de tudo isso, a natureza? A cultura da utilização de combustíveis fósseis e usinas termoelétricas no mundo – uma vez que o Brasil é uma exceção por obter a maior porção de sua energia elétrica por usinas hidrelétricas – é algo impregnado no cotidiano do ser humano. Esse apego, essa cultura é a maior barreira a ser transposta por essa “Revolução Energética”. Os combustíveis fósseis – petróleo, carvão e gás natural – são a matéria prima para a fabricação da vida como a entendemos hoje.

Pensando nisso, e cientes de que todo esse consumo excessivo de energias não-renováveis não será perpétuo, há anos cientistas vem apresentando soluções para o problema da carência energética. Na questão das termoelétricas, sabe-se que com a queima do carvão, ou do gás natural, há produção de gases causadores do efeito estufa – e todos os eventos relacionados que presenciamos constantemente nos noticiários. Sugere-se como solução a substituição dessas usinas, bem como das usinas termoelétricas nucleares – problemáticas por sua produção de lixo radioativo – por usinas hidrelétricas. Apesar do impacto ambiental local dessas construções, uma vez que é necessário o deslocamento da fauna do local da formação do lago da usina, a maior vantagem desse tipo de energia, e que se sobressai entre todas as usinas de produção de eletricidade, é a produção de energia sem poluir o meio ambiente; sendo ela classificada como energia limpa por isso.

No caso dos combustíveis fósseis, pode-se dizer que o Brasil anda a passos largos nessa tecnologia. Além de nosso já conhecido Etanol – chamado popularmente de Álcool combustível – a tecnologia produzida em solo brasileiro de produção do chamado biodiesel é revolucionária. Segundo o site do governo federal, “O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido (...) a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais, existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como mamona, dendê (palma), girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja, dentre outras. (...)”. Em síntese, a qualidade principal do biodiesel é não agredir a natureza através de sua degradação natural e rápida. Hoje, o Brasil já adiciona cerca de 2% de biodiesel no óleo diesel comum - mistura chamada de B2 - e através disso, gradativamente está incluído esse combustível alternativo na vida do povo brasileiro.

O que se deve observar também é que a preservação ambiental e o aproveitamento sustentável de energia não ocorrem somente em grandes escalas. É possível, e importante, que nós, pessoas comuns, ajudemos nessa batalha. Atitudes simples como a utilização de aparelhos de baixo consumo de energia elétrica e a troca de lâmpadas incandescente por lâmpadas fluorescentes é prático, fácil e fundamental. O caso das lâmpadas, tomando por exemplo, é muito expressivo. As lâmpadas fluorescentes têm durabilidade dez vezes maior às incandescentes - as tradicionais e praticamente imutáveis desde Thomas Edison - uma vez que estas aproveitam melhor a energia utilizada, já que a transformação da energia elétrica é muito mais aproveitada em luz do que em calor - fator que faz superaquecer aquelas e diminui a sua durabilidade.

Por fim, deve-se observar que a transição energética de que tanto necessitamos não é algo fácil. Pelo contrário, a mudança do modo de vida da população é extremamente desgastante e árduo. Porém, acima de tudo, essa mudança é necessária para que nossos hábitos de consumo e conforto de perpetuem. A demanda de energia cada vez maior assusta estudiosos do mundo inteiro, principalmente por causa dos impactos ambientais que o método de produção energética atual causa. Por isso devo reafirmar: primeiro mudam-se conceitos, para mudar hábitos, e por conseqüência, mudar todo um sistema já incorporado à nossa vida. Em resumo: a mudança precisa partir de nós. É nosso dever mudar o sistema atual para que possamos manter nossa existência. E isso precisa começar agora!
Vinicius" Neres

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Marcadores: Textos próprios

Vergonha nacional

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Os recentes fatos no Senado federal entrarão na história do Brasil como talvez a série de acontecimentos mais vergonhosos de nossa história. Fatos, discussões e atitudes sem precedentes são presenciados, dia após dia, na mais alta casa legislativa brasileira. O único problema é que isso se tornará banal, e ninguém se lembrará desses acontecimentos em não muito tempo. Sábio foi Nelson Rodrigues ao dizer que o povo brasileiro não tem memória.

Apesar das tentativas de reabertura das representações e denuncias contra José Sanery pela oposição, nada disso foi conquistado, e o presidente do Senado saiu ileso. O que mais causa indignação é que, para que as investigações seguissem adiante, precisava-se dos votos da bancada governamental do PT. Esse partido, na condição de poder que agora ocupa, deveria ser o primeiro a requisitar investigações de denúncias tão sérias quanto às dirigidas à Sarney. Contudo, com medo de perder o apoio do PMDB, e todo o controle das casas legislativas que ele representa, a recomendação do governo foi para que os votos dos Senadores petistas fossem contra a investigação; recomendação de fato seguida pelos Senadores votantes. Essa medíocre atitude fere as origens petistas, e zomba dos eleitores fiéis ao partido. É visto que o partido dos trabalhadores já não é mais o mesmo.

O povo brasileiro, em toda a sua inércia racional e reacional vive, lê e convive com esses fatos como algo banal. Hoje em dia poucas coisas causam espanto mesmo. Cada vez mais, coisas anormais são encaradas com naturalidade; e isso somado a amnésia coletiva da população, torna o Brasil um paraíso político e comportamental para falcatruas e atitudes abomináveis.

Em que lugar em toda a face da terra um ex-presidente da República que sofreu impeachment e um ex-presidente do Senado – que se obrigou a afastar-se do poder por denúncias de corrupção e irregularidades administrativas – têm coragem de defender um colega parlamentar de acusações de corrupção? De onde surge todo esse descaramento? Certamente da certeza de que basta ficar quietinho e discreto que a população brasileira varrerá os seus escândalos e falcatruas da mente coletiva brasileira. Assim foi Collor, assim foi Renan Calheiros, assim foi Daniel Dantas, o “mensalão”, a CPI dos Correios e suas derivadas... Assim foi a Ditadura Militar. Esquecida. Bendita é a mídia que vez ou outra nos lembra de tudo isso, mas nem os jornalistas, pobrezinhos, dão conta de nos lembrar do passado com tantas novidades que surgem dia-a-dia nessa imensurável fauna parlamentar brasileira.

Enquanto isso Sir Ney continua seu triunfo, Lula continua a insistir em Dilma Roussef, os petistas continuam a decepcionar-se, e nós, povo, seguimos com nossa vida. Afinal, do que podemos reclamar? Quem os empregou fomos nós.
Vinicius" Neres

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Marcadores: Textos próprios

Um pensamento

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu."


Fernando Pessoa

Postado por Vinicius Neres às 16:51 0 comentários  

Marcadores: Poemas

Mediocridade mental

domingo, 9 de agosto de 2009



Prometi falar-lhes de intolerância. Pois hoje li algo, nesta abençoada e maldita rede, que me deixou indignado. Extremamente indignado. Indignado a ponto de me motivar a escrever novamente aqui. O assunto sobre o qual o texto que me deixou indignado não vem ao caso agora, mas a afirmação feita no texto sim. O autor da asneira, chamado Everth, um cristão católico fanático, afirmou algo que me deixou fora de mim. Ele disse que a intolerância não á algo ruim, pois não devemos tolerar as coisas que vão contra a doutrina cristã. Que a inquisição não foi perversa, que nunca foi injusta, que só estava condenando os infiéis pois eles não estavam de acordo com a verdade absoluta, que é a verdade cristão-católica. Disse que as mortes foram apenas deslizes e que nada que foi feito pela inquisição foi grave. Agora me digam: Isso é aceitável? Um ser humano de 14 anos defendendo cegamente a barbárie que foi a Igreja Católica na Idade Média, dizendo que aquela podridão de espírito, que todas aquelas mortes injustas, mulheres torturadas e tendo seus membros quase arrancados dos corpos por simplesmente serem suspeitas de serem bruxas, porque faziam chás para curar seus filhos doentes, e os verdadeiros doentes, os doentes de alma, dizendo que a salvação não estava no chá, mas apenas no perdão dos pecados e nas orações feitas a pobre criança que nem mesmo tinha noção do mundo. Onde fomos parar! Isso é ultrajante, indignante, mórbido. Isso é horrível. O meu estado de indignação é indescritível. Pelo amor de Deus. O fanatismo cega, o fanatismo atrofia a intelectualidade dos seres humanos. Sejamos gente, seres humanos. Como é que se permite isso nos dias de hoje? Vemos pessoas morrendo, pessoas sendo perseguidas apenas por intolerância. Intolerância religiosa, intolerância étnica. O ser humano é medíocre, o ser humano é sujo. Acha que suas opiniões são verdades absolutas. Nenhuma verdade é absoluta, e o conhecimento sobre tudo é impossível. Não podemos admitir que fanáticos como esse disseminem a intolerância assim. No oriente médio, todos os dias, pessoas morrem porque a intolerância religiosa não lhes permite entrar em acordo. A intolerância étnica foi responsável pela morte de milhões de judeus, e negros e outros na Segunda Guerra Mundial. Será que não é perceptível que a Guerra Santa medieval travada pela Igreja Católica e a Guerra Santa Contemporânea são ignorâncias pregadas por mentes medíocres, mentes fétidas, podres, que não pensam além de seus velhos conceitos imutáveis e indiscutíveis. Isso é uma vergonha, é o que me enoja nos seres humanos, e o que me enoja na internet. Qualquer sujeitinho medíocre escreve barbáries. Maldita seja a democratização da escrita. Essa democratização permite que se escreva tudo. Os blogs não são vasos sanitários. A escrita é para ser usada como instrumento de intelectualidade, e não de atrofia mental. Chega disso, chega! Disse Ulysses Guimarães que "Na ditadura, à sombra de Marco Aurélio, pululam e ficam impunes os Calígulas sangüinários, os Torquemadas da Inquisição e da intolerância, os enxudiosos Faruks da corrupção”. Não deixemos que uma nova ditadura se instale, e que isso venha à tona novamente. Sejamos contra a ditadura da Intolerância e da Mediocridade.

Que Minerva me dê Sabedoria o suficiente para processar tanta asneira, e que Moria seja generosa o suficiente para me permitir o esquecimento e a tranqüilidade.

Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que dizem.



Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 17:20 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Porcos voadores...

quinta-feira, 16 de julho de 2009


Acho que é interessante, e útil, antes de mais nada, explicar a origem do título desse blog. Não será definitivamente a minha estréia nesse blog, infelizmente. Ele já esta parado há algum tempo e prometi a mim mesmo que o atualizaria. Não acho que minha mente esteja enferrujando não, mas o ócio não me permitiu que minhas longas reflexões parassem na internet ainda. É como sabiamente disse tio Isaac Newton: "Um corpo em Inércia tende a permanecer em Inércia". Me faltam forças, sim, me faltam forças para dar continuidade a isso. Mas um dia, quem sabe um dia...



Mas vamos parar de devanear, e vamos ao assunto de que comecei esse post: O TÍTULO. Ad atra per alia porci é uma frase em latim. Sua tradução literal é "Às estrelas, nas asas de um porco". Parece meio sem nexo, mas a história a história por trás dela é interessantíssima. É a história de um menino que foi desacreditado pelo seu professor. Esse menino, John, disse ao seu profossor que gostaria de ser Escritor, e o professor respondeu-lhe dizendo que John só seria Escritor quando os porcos voassem. Assim, desde seu primeiro livro publicado, John Steinbeck usava como última fase do livro essa belíssima pérola, como prova que a dedicação e a força de vontade são os alicerces para o sucesso, independente da descrença das pessoas que nos cercam. Lembro que Steinbeck, inclusive, ganhou o prêmio Nobel de Literatura no ano de 1962, e é reconhecido até hoje como um dos maiores escritores dos Estados Unidos. Abaixo segue uma peguena Biografia dessa personalidade com essa história fascinante de sucesso:



John Ernst Steinbeck (Salinas, 27 de fevereiro de 1902 — Nova Iorque, 20 de dezembro de 1968) foi um escritor estadunidense.As suas obras principais são A Leste do Paraíso (East of Eden, 1952) e As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath, 1939). Foi membro, quando jovem, da Ordem DeMolay. Recebeu o Prêmio Nobel em Literatura em 1962.Ainda muito jovem, por influência dos pais, leu Dostoiévski, Milton, Flaubert e George Elliot. Terminou o curso secundário no Salinas High School, em 1919. No ano seguinte, ingressou na Universidade de Stanford, exercendo várias profissões para custear os estudos. Em 1925, empregou-se no jornal American de Nova York, e vasculhou a cidade em busca de um editor para seus livros ainda não escritos. Estreou na literatura com A Taça de Ouro (1929), biografia romanceada do bucaneiro Henry Morgan, já marcada por seu característico estilo alegórico.Publicou em seguida Pastagens do céu (1932) e A Um Deus Desconhecido (1939). Esses primeiros livros não lhe asseguraram a profissionalização como escritor. Em 1935 firmou-se como autor de prestígio com Boêmios Errantes, que recebeu a medalha de ouro do Commonwealth Club de São Francisco como melhor livro californiano do ano. Os três mais importantes romances de Steinbeck foram escritos entre 1936 e 1938: Luta Incerta (1936), descreve uma greve de trabalhadores agrícolas na Califórnia; Ratos e Homens (1937), que seria transportado para o cinema e para o teatro, analisa as complexas relações entre dois trabalhadores migrantes; As Vinhas da Ira (1939), considerado sua obra-prima, conta a exploração a que são submetidos os trabalhadores itinerantes e sazonais, através da história da família Joad, que migra para a Califórnia, atraída pela ilusória fartura da região. Essa trágica odisséia recebeu o prêmio Pulitzer e foi levada à tela por John Ford em 1940.A obra de Steinbeck inclui ainda Caravana de Destinos (1944), A Pérola (1945/47), O Destino Viaja de Ônibus (1947),Doce Quinta-feira (1954), O Inverno de Nossa Desesperança (1961), Viagens com Charley (1962).Steinbeck teve 17 de suas obras adaptadas para filme por Hollywood. Alcançou também grande sucesso como escritor para filmes, tendo sido indicado em 1944 ao Oscar de melhor história* pelo filme Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat) de Alfred Hitchcock. Fonte da Biografia: Wikipedia


Prometo que voltarei a postar em breve.
Att,


Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 16:36 0 comentários  

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A construção da igualdade

domingo, 11 de janeiro de 2009

Esse primeiro texto que publicarei não é de minha autoria. É um Edital publicado no Diário Catarinense de hoje. Mas por ele já podem ser inferidos os assuntos que abordarei nesse blog…


O triunfo eleitoral de Barack Obama, que ontem era saudado como o “primeiro presidente do século 21″ pela importância que os Estados Unidos e o mundo estão conferindo à sua chegada à Casa Branca ao fato de ser ele o representante de uma minoria historicamente discriminada, recolocou a questão racial não apenas com tema de debate, mas especialmente como um novo passo para um avanço histórico. Obama é o negro que a História escolheu para transformar o que até agora era ficção, explorada no cinema e na literatura, em conquista emblemática para seu país e para a própria comunidade humana. O racismo é uma excrescência do comportamento que não encontra justificativa nem na igualdade radical dos homens, nem nos estudos de genética, nem na evolução da trajetória do homem no planeta. Pois o conceito de igualdade dos homens, independentemente de cor ou de gênero, ganha extraordinário dinamismo e propulsão com a vitória do primeiro negro, depois de 43 brancos anglo-saxões, ao que é hoje o cargo mais poderosos do planeta.
Há uma sensação de página virada na história do racismo e da discriminação racial. Se, como os cientistas atestam, só existe uma raça, a humana, qualquer diferença ou discriminação com base nesse conceito é irrelevante e injustificada. Evidentemente, depois de milênios de separação e de dominação com base em diferenças ditas raciais, não será pela ação esclarecida de algumas poucas gerações que tal verdade será acatada. O preconceito é uma erva que empesta as relações humanas, hiberna nos esconderijos das sociedades e sobrevive em gestos, em palavras e até por trás de mecanismos psicológicos inconscientes. A mais conhecida das lutas recentes contra o racismo é exatamente a da sociedade norte-americana, onde hoje se elege um presidente negro, mas onde há menos de cinco décadas os negros ainda eram proibidos de ocupar os bancos dianteiros dos ônibus ou de doar sangue a brancos, floresciam associações como a Ku Klux Klan, e ativistas como o pastor Martin Luther King e seus sonhos eram calados a tiros. Luther King, no seu famoso sermão “I have a dream”, sonhava com um país em que seus quatro filhos seriam julgados “não pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter”. Pois com a chegada de Obama à Casa Branca, o país daquele visionário pastor dá um passo importante em direção à concretização de seu sonho, além de evidenciar uma vitória inequívoca de todos os que, de qualquer origem, cor, partido ou nação, postaram-se a favor da igualdade. É evidente que muda alguma coisa quando um negro com nome árabe vence todas as barreiras e todos os preconceitos. Barack Hussein Obama fez História.
O Brasil e o mundo têm lições a aprender. A mais evidente delas é que a luta pela igualdade democrática é um processo que se constrói política e socialmente, mas que tem como pilar indispensável um sistema educacional inclusivo e democratizante. Sem educação, a mobilidade social estará emperrada e a própria sociedade permanecerá refém de suas limitações, de suas desigualdades e de seus preconceitos.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 00:36 0 comentários  

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