A natureza humana é algo muito complexo para a compreensão de nós, mortais. Personalidades distintas em um mundo, um conglomerado de idéias, opiniões, e modos de vida praticamente incompatíveis entre si, mas que nosso modo de vida obriga a condensar em núcleos familiares e sociais tão complexos quanto às personalidades que os compõem.Mas infelizmente a vida como compreendemos hoje se sustenta nessa hipocrisia. A sociedade nos obriga a nos mantermos ligados a cada vez mais pessoas, ter muitos amigos, companheiros, colegas... São raros os que conseguem se libertar dessa maquinação em que vivemos. A mediocridade humana não se restringe, por isso, a seus próprios seres, mas estendem-se a todos os membros do grupo social de que esse ser humano faz parte, contaminando as reles e fracas mentes.
É assim que surgem as “tribos”, os padrões comportamentais, a homogeneidade de idéias bestas e absurdas que assola a sociedade contemporânea. Vivemos em uma selva. Orgulhamo-nos tanto de ter desenvolvido toda essa tecnologia que nos cerca, todo esse mundo monocromático de que somos tão ligados que não percebemos que a única coisa que fizemos foi reconstruir a selva a nosso modo. O ser humano é um predador natural de seres humanos, que a tecnologia fez com que nos autodestruíssemos sem tocar uns nos outros. Fazemos isso através da manipulação de mentes. Sofremos isso diariamente através do inferno kafkiano de que somos submetidos pelo modo de vida apressado, violento, e tão orgulhosamente chamado de moderno. A violência, a fome, a miséria... São apenas sintomas do enorme doença que se espalha pelas mentes humanas... Augusto Cury é extremamente exato quando diz que vivemos em um manicômio global. Padrões doentes de consumo, de personalidades e de beleza são jogados em nossa mente tão constantemente quanto o movimento de nossos pulmões.
Entretendo quem é forte o suficiente para suportar isso? A loucura global não se estende apenas a essas pessoas que chamamos vulgarmente de povo. Ao dissertar, fazemos referência a esse povo que se fossem um grupo afastado, longe de nossa realidade, um exemplo a não ser seguido. O povo é o causador da corrupção, o povo é manipulado, o povo é alvo da mídia... Mas e nós? Nós não somos povo? Não fazemos parte dessa massa que vive marcada com esses padrões como gado em uma fazenda? Os privilegiados economicamente não são apenas um subgrupo desse povo, e que é classificado por seu grau de sociabilidade, que, de forma tão comum, chamamos de status social? Esses status é que define o quão aceito você é nessa selva que construímos. Pessoas lutam por esse status. Pessoas morrem por esse status.
Às vezes a vontade é que temos – que tenho – é de jogar todos esses padrões, essas porcarias que nos cercam, e abandonar essa selva para a selva de que viemos originalmente. Meu plano de fuga é frustrado, como vocês devem perceber. Se isso acontecesse, não estaria aqui escrevendo isso nesse computador. A verdade é que sou um fraco. Fascinado pelo semi-status que tenho, e pelo que posso adquirir ao trilhar o caminho que sigo. Todas essas críticas, fundamentalmente, são para mim. Talvez isso seja vergonhoso para alguém. Nunca tive vergonha de dizer o que eu penso, e sou um autocrítico sim. A vida segue e se desenrola com mediocridade. Eu e a enorme maioria dos jovens desse mundo ainda ficamos aqui, devaneando com nossos desejos e medos inexpressáveis, movidos apenas pela paixão e pela esperança de um dia fazer algo decente. Algo realmente decente. Não venham me contar histórias de bebedeiras sem precedentes, viagens regadas a álcool e energéticos, baseados de juventudes frustradas, “pegações”, festas “maneiras” ou quaisquer orgias que lhes venham à mente. Nada disso me interessa, nem nunca me interessou.
Sou ainda apenas mais um nesse mundo, mas que não se encaixa nas concepções de juventude que se tem. Quem sabe a vida me mostre que tudo isso foi em vão. Que fui apenas um cara estranho, em um mundo de loucos. A rebeldia não me interessa. Isso não é um manifesto. É apenas um espaço em que estou jogando tudo que me vem da mente. Estou em harmonia comigo mesmo. Acho que isso, no fim, é o que importa. Quanto talvez à remota possibilidade de alguém que compartilha esses meus ideais, um conselho:
Audi, vide, tace, si vis vivere in pace.
Obrigado pela paciência!
Vinicius” Neres

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