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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Vergonha nacional

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Os recentes fatos no Senado federal entrarão na história do Brasil como talvez a série de acontecimentos mais vergonhosos de nossa história. Fatos, discussões e atitudes sem precedentes são presenciados, dia após dia, na mais alta casa legislativa brasileira. O único problema é que isso se tornará banal, e ninguém se lembrará desses acontecimentos em não muito tempo. Sábio foi Nelson Rodrigues ao dizer que o povo brasileiro não tem memória.

Apesar das tentativas de reabertura das representações e denuncias contra José Sanery pela oposição, nada disso foi conquistado, e o presidente do Senado saiu ileso. O que mais causa indignação é que, para que as investigações seguissem adiante, precisava-se dos votos da bancada governamental do PT. Esse partido, na condição de poder que agora ocupa, deveria ser o primeiro a requisitar investigações de denúncias tão sérias quanto às dirigidas à Sarney. Contudo, com medo de perder o apoio do PMDB, e todo o controle das casas legislativas que ele representa, a recomendação do governo foi para que os votos dos Senadores petistas fossem contra a investigação; recomendação de fato seguida pelos Senadores votantes. Essa medíocre atitude fere as origens petistas, e zomba dos eleitores fiéis ao partido. É visto que o partido dos trabalhadores já não é mais o mesmo.

O povo brasileiro, em toda a sua inércia racional e reacional vive, lê e convive com esses fatos como algo banal. Hoje em dia poucas coisas causam espanto mesmo. Cada vez mais, coisas anormais são encaradas com naturalidade; e isso somado a amnésia coletiva da população, torna o Brasil um paraíso político e comportamental para falcatruas e atitudes abomináveis.

Em que lugar em toda a face da terra um ex-presidente da República que sofreu impeachment e um ex-presidente do Senado – que se obrigou a afastar-se do poder por denúncias de corrupção e irregularidades administrativas – têm coragem de defender um colega parlamentar de acusações de corrupção? De onde surge todo esse descaramento? Certamente da certeza de que basta ficar quietinho e discreto que a população brasileira varrerá os seus escândalos e falcatruas da mente coletiva brasileira. Assim foi Collor, assim foi Renan Calheiros, assim foi Daniel Dantas, o “mensalão”, a CPI dos Correios e suas derivadas... Assim foi a Ditadura Militar. Esquecida. Bendita é a mídia que vez ou outra nos lembra de tudo isso, mas nem os jornalistas, pobrezinhos, dão conta de nos lembrar do passado com tantas novidades que surgem dia-a-dia nessa imensurável fauna parlamentar brasileira.

Enquanto isso Sir Ney continua seu triunfo, Lula continua a insistir em Dilma Roussef, os petistas continuam a decepcionar-se, e nós, povo, seguimos com nossa vida. Afinal, do que podemos reclamar? Quem os empregou fomos nós.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 13:05  

Marcadores: Textos próprios

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