Esse primeiro texto que publicarei não é de minha autoria. É um Edital publicado no Diário Catarinense de hoje. Mas por ele já podem ser inferidos os assuntos que abordarei nesse blog…
O triunfo eleitoral de Barack Obama, que ontem era saudado como o “primeiro presidente do século 21″ pela importância que os Estados Unidos e o mundo estão conferindo à sua chegada à Casa Branca ao fato de ser ele o representante de uma minoria historicamente discriminada, recolocou a questão racial não apenas com tema de debate, mas especialmente como um novo passo para um avanço histórico. Obama é o negro que a História escolheu para transformar o que até agora era ficção, explorada no cinema e na literatura, em conquista emblemática para seu país e para a própria comunidade humana. O racismo é uma excrescência do comportamento que não encontra justificativa nem na igualdade radical dos homens, nem nos estudos de genética, nem na evolução da trajetória do homem no planeta. Pois o conceito de igualdade dos homens, independentemente de cor ou de gênero, ganha extraordinário dinamismo e propulsão com a vitória do primeiro negro, depois de 43 brancos anglo-saxões, ao que é hoje o cargo mais poderosos do planeta.Há uma sensação de página virada na história do racismo e da discriminação racial. Se, como os cientistas atestam, só existe uma raça, a humana, qualquer diferença ou discriminação com base nesse conceito é irrelevante e injustificada. Evidentemente, depois de milênios de separação e de dominação com base em diferenças ditas raciais, não será pela ação esclarecida de algumas poucas gerações que tal verdade será acatada. O preconceito é uma erva que empesta as relações humanas, hiberna nos esconderijos das sociedades e sobrevive em gestos, em palavras e até por trás de mecanismos psicológicos inconscientes. A mais conhecida das lutas recentes contra o racismo é exatamente a da sociedade norte-americana, onde hoje se elege um presidente negro, mas onde há menos de cinco décadas os negros ainda eram proibidos de ocupar os bancos dianteiros dos ônibus ou de doar sangue a brancos, floresciam associações como a Ku Klux Klan, e ativistas como o pastor Martin Luther King e seus sonhos eram calados a tiros. Luther King, no seu famoso sermão “I have a dream”, sonhava com um país em que seus quatro filhos seriam julgados “não pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter”. Pois com a chegada de Obama à Casa Branca, o país daquele visionário pastor dá um passo importante em direção à concretização de seu sonho, além de evidenciar uma vitória inequívoca de todos os que, de qualquer origem, cor, partido ou nação, postaram-se a favor da igualdade. É evidente que muda alguma coisa quando um negro com nome árabe vence todas as barreiras e todos os preconceitos. Barack Hussein Obama fez História.
O Brasil e o mundo têm lições a aprender. A mais evidente delas é que a luta pela igualdade democrática é um processo que se constrói política e socialmente, mas que tem como pilar indispensável um sistema educacional inclusivo e democratizante. Sem educação, a mobilidade social estará emperrada e a própria sociedade permanecerá refém de suas limitações, de suas desigualdades e de seus preconceitos.
Vinicius" Neres

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