Jardim
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Às vezes me sinto como um grande jardineiro. Cultivando plantas,
cultivando flores, fazendo podas e adubando solos; modificando a natureza de
uma maneira tal que o artificial se cumpra de maneira natural. De fato, um
trabalho que exige paciência e dedicação. Mais ainda do que isso é preciso
sutileza e sensibilidade para perceber as necessidades de cada espécime exige,
o quanto de luz, de água e de alimento necessitará. Uma arte, a arte de tratar
a natureza... Sem deixar que essa arte interfira na maneira natural de a
natureza fluir. Sabe bem, pois, o bom jardineiro, que nem sempre a sua vontade
pode se fazer cumprida, pois a natureza é mãe primeira, e nela devemos estar em
harmonia. Os limites do homem são os limites da mãe-terra, e devemos respeitá-los.
Pois então, assim se sucede. Mesmo aquela bela planta, cultivada
com tanto carinho e dedicação, para qual um vaso especial foi escolhido para
plantá-la, é serva da natureza. Mesmo a
mais bela flor, a mais rara espécime, a mais cuidadosamente cuidada, precisa
respeitar as regras que a natureza lhe impõe. Esta é, portanto, a arte do
jardineiro: saber cultivar a planta, conhecendo-lhe a natureza e as
necessidades, e ajudando a planta a ter suas necessidades sanadas. E nesse ínterim,
talvez aquela flor cuidada com tanto carinho, dedicação e afeto, no querido
vaso escolhido com a alma, talvez para sobreviver necessite estar em um jardim,
junto às outras flores, em um convívio harmonioso que, mesmo sendo especial, a
fará parte de um todo muito mais complexo que sua unidade. E o jardineiro,
conhecedor das necessidades de suas plantas, conhecedor da natureza delas, fará
o que a natureza deseja... E transferirá a linda planta ao comum jardim.
Às vezes me pergunto se pessoas não são como plantas, e nós, que tratamos com
elas cada dia, não somos como jardineiros. Obviamente não acho que possamos
reduzir as pessoas à simples representações, mas peço que me deem a licença
poética para essa comparação. Sei que pessoas não são plantas, não são
objetos, não são colecionáveis... Mas não deixam de ser como plantas. Amigos,
família, colegas... Alguns fazem parte de um grande jardim, de uma grande
massa. Alguns outros, porém, são tratados com carinho. São relacionamentos
regados, cultivados, e alimentados de acordo com suas necessidades. Não podemos
controlas esses relacionamentos sem nos submeter às regras da natureza: tudo
pode ser melhorado, assim como esquecido e negligenciado, mas nunca poderá ser
imperativamente do jeito que queremos. As pessoas são regidas pela natureza de
si, e pela natureza da própria humanidade, queiramos nós ou não.
Assim como o jardineiro que, com pesar, por vezes necessita deixar que aquela
planta cuidada com tanto carinho e dedicação seja incluída em um jardim para
que se harmonize com as outras plantas e sua necessidade seja suprida, assim
talvez, algumas vezes, precisamos deixar que aqueles que gostamos sejam
inseridos no grande jardim humano, junto às plantas comuns. Certamente a dor
dessa decisão nos pesa, e nos faz pensar se não haveria outro modo de fazer o
bem e permitir o desenvolvimento pleno dessa querida plantinha de outro modo se
não por essa profanação de sua nobreza. Pois não, queridos, não haverá outro modo.
As coisas são como são, e a natureza é sábia, pois é mãe de todo o universo.
Assim como as plantas às vezes necessitam de um jardim, assim uma nobre alma,
uma nobre amizade, às vezes precisa da massa.
Dito assim talvez eu fosse crucificado pelos intelectuais
enlatados, desses que se produzem aos montes dia por dia nas esquinas do
conhecimento. Mas não me importo nem um pouco em ser um modelo de intelectual, só
me importa conhecer as pessoas e conhecer à mim mesmo. Dado isso, meu
compromisso é com a felicidade, e não com o velho discurso acadêmico formal.
Afinal, o conhecimento também é obra do Demiurgo... A intuição e a sabedoria
pura é que são manifestações de nossa centelha divina, independente se tu
assista a Globo ou não. O ouro reluz dentro de cada um de nós, cabe deixar que a
dama nos guie pela senda. De qualquer forma, não condeno ninguém que necessite
da massa, e nem direi, como já diversas vezes outrora, que é simples e cômodo
viver a ilusão. De fato é, mas quem sou eu para condenar a natureza das coisas?
Só quero ser como um jardineiro, conhecendo a natureza e a necessidade de cada
planta, seja nos vasos cultivados com cuidado, seja nos jardins que, por
harmonia e zelo do jardineiro, expressam uma beleza muito maior do que o
desabrochar de uma única flor. Bem ou mal, as belas flores sempre se destacam
no jardim, mesmo no meio das vulgares. Antes uma bela flor exalando beleza e
perfume, mesmo em um profano jardim, do que vê-la sucumbir por ser-lhe negado o
direito à sua natureza.
Enquanto isso, fico no vaso no meio do jardim, no paradoxo
daqueles que se prestam ao eterno processo de tornar-se aquilo que são. Degrau
por degrau, de vagar. De vagar. Divagando.
Vinicius Neres
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Per sona
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Pessoa. Personagem. Persona. Per sona – por onde soa. Tal quais
as antigas máscaras de teatro, objeto pelo qual ressoava a voz do ator ao
interpretar um papel, a pessoa, ente abstrato, desconhecido, subjetivo e sutil,
é a máscara por onde soa a voz de nosso ego. Ego no stricto sensu: ego como eu,
verdadeiro eu. Interessante conotação, apesar de eu já não querer falar mais
sobre máscaras. Cansou, mesmo. A pessoa, persona, pois, desde a longínqua
antiguidade foi a máscara; mas mais do que máscara foi o instrumento para
potencializar a voz do ator. A máscara é que dá voz ao ego. E assim o é.
Muitas pessoas passam grande parte da vida – tal como eu,
apesar de temporalmente irrisória existência material – pensando na vida. Pensando
em qual seria o seu sentido, em que diabos estou fazendo aqui. E lá se vão
horas e horas, meditando, sentado no sofá olhando para o teto, babando no
travesseiro da cama, queimando neurônios e mais neurônios inocentes em busca do
sentido da vida. E não fazendo nada. “Fecha a boca se não entra mosca”. Que
bela existência teórica essa. Fria. Outras pessoas, veja só, simplesmente fazem
as coisas. Acordam, estudam, comem, andam, namoram, se divertem, quem sabe
pensem na vida – mas só por distração. Enquanto isso eu, você, o Papa Bento XVI
(tomara Deus!), qualquer outro que pode ser qualquer um, estamos ainda no sofá,
olhando o teto branco, o inseto que vai chegando perto da lâmpada e prestes à
morrer (para isso se tornar somente mais uma questão existencial: porque os
insetos se suicidam assim na luz, o pá?). E lá se vão mais horas e horas, e
horas.
Enquanto isso duas guerras mundiais, Papa morre, Papa eleito, vários fins do
mundo fracassados, Copas do Mundo (pff), novo programa de TV com zumbis, 140
caracteres... E agora a reflexão é sobre o exoesqueleto de quitina da mosca
morta. Mosca morta. É assim que falam de você. Mosca morta.
“Não sei quem sou nem que almas tenho, sou uma eterna crise de existência.” E
faculdade, e gestão de amigos, e gente, e carências de todos os tipos e
gêneros, e carências supridas com um piscar de olhos, e uma lembrança, e vários
esquecimentos. Mas outros só vivem. E respiram, e namoram, e comem, e dormem, e
estudam, estudam, estudam, e produzem. PRO-DU-ZEM, isso mesmo. Produzem. E lá estou
você, eu, o Papa Bento XVI, olhando para o teto branco, para a luz, para o
inseto voando para a luz, e pensando em qual o sentido da vida. Ou melhor, sendo
bem sincero, pensando em nada. Nada. Para de lavar a louça, para sentar e pensar
em nada. Desliga a TV para sentar e pensar em nada. Acorda para sentar e pensar
em nada. Quando acorda. Porque realmente, na real, dorme. Enquanto isso um
zumbi escreveu um guia de sobrevivência no mundo dos vivos. Enquanto isso uma
mula sem cabeça lançou novos cortes de cabelo para a próxima estação. Enquanto
isso um leão-marinho escreveu um novo tratado sobre dialética. Enquanto isso
alguém te diz “se você continuar desanimado assim vai perder tua posição”.
Posição. Rá! Quem me dera saber ao menos uma posição. Esquerda ou Direita. Em
cima ou em baixo. De lado, de... Enfim.
Tudo se definiria como frustração, se essa palavra não fosse
tão estúpida e errada, porque não é frustração. É simplesmente um tedioso,
grandioso, enormemente espalhafatoso e carnavalesco nada. E nada e só. Nem
texto, nem literatura, nem reclamação, nem crítica, nem nada. Tudo se resume em
um grande nada. E ainda me vêm com essa: “A vida é um sopro, um minuto. A gente
nasce, morre”. Para quem já morreu vivendo é fácil... Difícil é viver amigo,
difícil é viver...
Vinicius Neres
Postado por Vinicius Neres às 03:10 0 comentários
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Nigredo, Albedo e Rubedo
domingo, 26 de agosto de 2012
Alquimia é a arte e ciência que procura a transformação do corpo e da mente com a finalidade de converter, o indivíduo que a pratica, num canal cristalino para uma nova consciência. Essa consciência, diferentemente daquela que está presente no homem natural, outorga uma percepção do mundo na qual a unidade é a característica fundamental. O alquimista percebe o elo indivisível entre o Criador, o Universo e a Natureza Humana. Esse novo “estado de ser” foi conhecido pelos antigos como a descoberta e desenvolvimento da Pedra Filosofal.
Foi chamado assim, pois em hebraico, pedra é EBEN, sendo que a primeira parte da palavra constituída pelas letras Aleph e Beth formam a expressão AB que se traduz como “pai”. A segunda parte da palavra está constituída pelas letras Beth e Nun, as quais formam a expressão BEN que se traduz como “filho”. Dessa maneira, os antigos alquimistas ocultaram no simbolismo da Pedra Filosofal o conceito místico da união do Pai com o Filho, várias vezes repetido na Bíblia, tanto nas escrituras hebraicas do Antigo Testamento como nas grego-cristãs.
Esta é a Pedra Fundamental que na Bíblia é mencionada como “recusada pelos construtores”. Efetivamente, enquanto o ser humano comum pretende construir sua vida a partir dos efeitos do mundo sensorial, o alquimista reconhece o plano das causas, o nível espiritual profundo: a consciência. Sobre essa “rocha”, a mais sólida de todas, pois a consciência nunca muda nem se vê submetida às mudanças do mundo físico, o Filósofo da Arte trabalha sua personalidade, transformando adversidades em circunstâncias de crescimento favorável em todas as facetas de sua vida.
Uma vez atingida a Pedra Filosofal, isto é, uma vez reconhecido o foco de consciência interna ou o verdadeiro EU SOU em seu interior, o alquimista consegue transmutar o Chumbo em Ouro, isto é, mudar um estado de consciência limitado e pesado, em outro resplandecente e brilhante. Nessa “transmutação metálica”, o chumbo, metal associado ao planeta Saturno, representa o estado inferior, animalizado, no qual a consciência humana se vê limitada às condições de tempo e espaço. O chumbo é o estado de sofrimento produto da ignorância ao respeito de nossa natureza divina. O ouro, um metal solar, tem a conotação de integração, pois o astro central de nosso sistema planetário sempre representou a fonte de vida e regeneração da espécie humana.
Com esse poder renovador funcionando em seu interior, conhecido como a Medicina Universal, o alquimista pode, por meio da força do Amor Incondicional, integrar sua personalidade. Será graças à aplicação dessa força harmônica que chegará no ponto em que atingirá a perfeita saúde física e mental. Nesse estado o alquimista descobre o Elixir da Longa Vida, o reconhecimento de sua essência eterna e infinita, com o qual poderá recodificar seu próprio corpo físico, libertando-o da prisão da carne, isto é, dos resíduos da genética animal que o condena à morte e assim ao renascimento.
O objetivo final, que é a culminação do que se chama Grande Obra, tem lugar no momento em que sua integração com o Cosmos e o Criador é tal que seu corpo chega a um estado de total espiritualização. Em dito momento o alquimista se liberta e ascende, através dos planos de existência, em direção a um estado de ser onde as condições são de plena bem-aventurança em comunhão com o infinito.
Três são as etapas básicas no desenvolvimento alquímico. Neste ponto é importante ressaltar que existem diversas classificações, bem como diversas óticas no uso da Alquimia.
Existe assim, para resumir, uma Alquimia Interna e outra Externa. Neste texto estamos tratando a Alquimia Interna, isto é, aquela que transmuta a personalidade do alquimista. Uma vez realizada a Alquimia Interna se torna fácil entrar na Externa na qual o alquimista é capaz de modificar o “mundo material”. Literalmente, se for necessário, poderá transmutar chumbo físico em ouro. Mas isso nada mais é do que um símbolo da capacidade que o alquimista adquire em seu domínio do plano físico, o qual pode resultar milagroso para aqueles que não compreendem a raiz de seu poder.
Agora, voltando às etapas da Alquimia, podemos dividi-las em três: NIGREDO, ALBEDO e RUBEDO.
A primeira fase é a de ignorância e a do crítico acordar. É pela qual todos nós, em momentos importantes de transformação biológica, passamos de maneira natural. Nesta forma vem como nascimento e morte, ou bem aparece nas transformações que o corpo sofre na transição entre menino e adolescente, ou deste a jovem e daí à clássica crise dos quarenta ou à velhice.
Não obstante, o alquimista ativa por seus próprios meios o processo de transformação mais importante: a morte do ego ilusório. Durante vidas nos identificamos a uma infinidade de conceitos e intentamos faze-los rígidos, estáticos. Refugiamo-nos numa torre de apegos que em vão tentamos defender dos estragos da mudança perpétua ao que se vê submetido o mundo material.
Durante essa fase, de autêntica putrefação de antigos padrões habituais de comportamento, perfila-se pouco a pouco o alvorecer de um novo estado, no qual nossa verdadeira natureza se revela.
Este é ALBEDO, palavra que provém do termo latino “Alba”. Saindo da escuridão das nossas próprias sombras, entramos na dimensão da plena objetividade, em que o momento presente surge como a única realidade na qual vivemos. Vivendo nesse estado o corpo se transforma gradualmente até chegar a uma completa regeneração que ocorre paralela à purificação da alma que nos leva a ALBEDO, pois mente e corpo são partes de uma realidade indivisível e o que sucede em um, tem seu reflexo no outro.
A regeneração, em seu momento definitivo, nos leva ao estado de RUBEDO, o “vermelho”. Neste estado a iluminação se faz patente, um mundo novo se abre ante o “olho interior” e o estado de consciência cósmica se estabelece definitivamente. É a fase de contato pleno com a eternidade e a retificação total da alma. A Grande Obra se vê cumprida e o alquimista, cheio de amor por todos os seres, dedica-se a emanar luz a seus colegas, contemplando-os compassivamente desde as alturas da mais alta realização.
Texto do frater Juan Carlos Romera
Postado por Vinicius Neres às 15:10 0 comentários
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Define-te, ou te destrói
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou"
Não é a primeira vez e nem a última que essa música, Metamorfose ambulante, do Raul Seixas, me vem a mente. Especialmente esse trecho sempre me salta a mente, talvez pela semelhança com vários aspectos da minha vida, ou talvez pela simples força do significado dessas palavras. A idéia fixa de duas importantes definições de nossas vidas, o amor e o próprio ser, são dois grandes pilares da construção de nossa identidade; dois grandes questionamentos que ora ou outra nos deparamos.
O tempo nos traz a dúvida, e a esse ponto sabiamente disse Oscar Wilde quando proferiu “não sou jovem o suficiente para saber tudo”. O tempo constrói em nós as incertezas daquilo que somos, e daquilo que desejamos; e de fato esta é uma benção aos buscadores da verdade. A dúvida é uma dádiva, sim, porque nos permite sempre somar e construir um pensamento mais aprofundado sobre cada coisa à que questionamos, ampliando o nosso horizonte de compreensão de um assunto determinado. Deveras já reclamei por outras vezes do quão cansativo é viver essa constante reconstrução de si mesmo, mas agora tenho algo a acrescentar à tal afirmação: com o tempo, a falta de uma definição sobre as coisas, uma flexibilidade imediata e exagerada sobre qualquer assunto, pode ter um efeito reverso daquele de estar sempre suscetível à mudança, daquele de poder ampliar sempre mais a sua visão à respeito de um assunto. Pelo contrário, o excesso de posicionamentos amorfos pode enfraquecer aquele que os detém, tornando-o fraco. São os dois lados da moeda: sim, é preciso ser flexível, é preciso estar aberto à crítica, mas também é preciso saber que uma idéia, qualquer que seja, é fruto da construção de camadas e mais camadas de conclusões. Se nunca chegamos a uma conclusão definitiva, nunca poderemos construir uma sólida base para a ampliação dessa idéia; e assim corre-se o risco que afundarmos no turbilhão da incerteza sobre tudo e todos. O mais absoluto caos.
Eis a questão. Talvez eu próprio tenha chegado ao auge da minha indefinição sobre tudo e sobre todos, e passado dos limites da autoconstrução. Parece-me que já não há bases nenhumas, que tudo que eu acreditava já não existe mais, e que nada mais se constrói. Esta metamorfose ambulante cá deste lado, ao seguir estes passos, deve estar ciente de que se nunca concluir sua metamorfose, não terá atingido seu objetivo principal. O objetivo de estar mudando é de chegar à uma mudança, e não de mudar indefinidamente para sempre.
Já estou ficando velhinho para certas coisas, de fato, principalmente para me considerar um adolescente instável que ainda busca respostas para tudo. E sobre isso, apesar de sempre o velho trecho da música acima ter me chamado a atenção para preferir ser a metamorfose ambulante do que ter “aquela velha opinião formada sobre tudo”, um outro ponto me chamou a atenção. Não necessariamente um outro trecho, mas apenas uma ampliação do anterior... Uma visão mais profunda, talvez mesmo por ocasião dessa abertura cada vez maior de minha mente para tudo. Preferir ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, sobre o que eu nem sei quem sou. Sim, vejam, aquela velha opinião formada sobre o que eu nem sei quem sou. Essa é uma daquelas ocasiões em que tudo está na nossa frente, mas a nossa cegueira inconsciente não nos permite ver. E de repente, depois de muito tempo, eu senti vontade de dizer: “chega dessa coisa de ‘eu nem sei quem sou’. Eu sou alguém, eu sempre soube que sou alguém, mas faz muito tempo que me recuso a saber quem!”. E de fato eu sou alguém, não sou? E sou alguém bem definido, e eu quero ser alguém bem definido, apesar de todas as minhas atitudes tenderem ao contrário disso.
Há muito tempo já venho insistindo com uma infinidade de pessoas naquele velho adágio do oráculo de Delfos de “homem, conhece-te a ti mesmo, e conhecerás o universo e os deuses”, e ao mesmo tempo sempre tive resistência em dizer quem eu era. Dificuldade em definir quem eu sou, mesmo que eu me conheça de uma forma magistral. A grande questão é que, mesmo depois dessa conclusão tão pessoalmente fantástica, eu ainda vou chegar ao fim de toda essa construção textual sem poder dizer quem eu sou, e tudo isso graças à essa falta de ponderação nos limites entre a metamorfose ambulante e um estado de eterno amorfismo.
A expectativa é, pois, que isso seja o limite, e não só na questão de auto-definição. Há uma necessidade mais do que urgente de eu poder ter uma definição sobre as coisas que me cercam. Diferente de outro texto que já fiz sobre o assunto, neste momento não encontro-me em mais uma crise de reconstrução, em mais um nigredo. Há algum tempo já há uma estabilidade mental deste vil ser deste lado, e este é um momento de albedo... Mas de albedo amorfo. Um albedo que, hora ou outra, permite que certos surtos de nigredo surjam, justamente pela sua falta de forma. A necessidade de forma é urgente, pois toda a grande obra, e assim não deixa de ser qualquer construção pessoal de cada ser humano, precisa chegar à um fim, mesmo que imperfeito. Só vendo a imperfeição do fim pode-se trabalhar em uma nova construção; e como já disse, há muito tempo já não vejo um fim nessa construção.
Que tal apelo sirva de lição aos buscadores desavisados: mudar é bom, é necessário, e importantíssimo. Mas aquele que arrisca viver indefinido por muito tempo corre o risco de ter o seu ser tão fragmentado e eternamente inacabado que nem sequer possa chegar a ser chamado de alguém.
Vinicius Neres
Postado por Vinicius Neres às 02:06 0 comentários
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Hora de parar com os anticoncepcionais
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Estes não têm sido tempos férteis para este que vos escreve. Outros tempos já foram melhores para produzir alguma coisa que valesse a pena ser lido – ou ao menos que valesse a pena ser escrito, já que ser lido nunca foi uma das minhas prioridades. Como sempre dizia, mas já não repito há tanto tempo, escrevo para mim mesmo, como um desencargo de consciência, uma libertação de um pensamento que me atormenta. De qualquer forma, não são os pensamentos que me faltam. Esses, muito pelo contrário, ainda continuam a borbulhar e me atormentar, atormentar no bom sentido; o que me alta, isso sim, é aquele dom das musas de poder transformar isso em algo palatável. Apesar de ser lido não ser uma prioridade, a concisão e coerência de um texto são fundamentais, nem que fiquem, tais textos, só para mim. Se um texto não puder ser claro no que quer dizer, então é melhor que o pensamento permaneça pensamento, e mantenha a sua beleza original de subjetividade. E, além disso, um texto é escrito para ser lido, e assim sempre o escrevo, mesmo que não seja sua meta primeira.
Ora, pois, nem sequer um parágrafo sai ainda com tanta facilidade como outrora, mesmo que os textos antigos sejam muito mais curtos do que os mais recentes, e mesmo que eu tenha alguns guardados, na “maturação”... Esperando a velhice que lhes tornará prontos para vir à luz.
De qualquer forma, esse pensamento de falta de facilidade – de falta de inspiração, diria – tem me incomodado muito. Como já disse, não por falta de pensamentos, nem sequer por falta de vontade. Simplesmente me vejo sentado em frente ao meu teclado, criando frases e mais frases soltas, que encerram em si um pensamento todo. Um pensamento que parecia tão grande e denso, resumido em duas frases, pobre e miserável como a própria face da ignorância. Numa dessas noites, passeando por sites e blogs aleatórios, avistei um com trabalhos de artes plásticas com temas místicos, e em um post a autora dizia que estava em uma crise de inspiração. Dado isso, comentou algo que me pareceu bastante relevante: dizia ela que a inspiração necessita de sentimento, e que estamos em um mundo cada vez mais carente de tal incentivo. Nos falta sentimento. Ou talvez me falte sentimento, além da carência natural que o mundo tem nos legado.
Esses textos, arte como qualquer outra, nada mais são que a longa gestação de pensamentos que são, enfim, deficientemente como qualquer coisa que se tente passar do âmbito mental para o material, passados às palavras. Essa falta de sentimentos, essa falta de alimento à arte, funciona tal como um anticoncepcional. Exatamente como um: impede a concepção de uma nova “obra” sempre que bloqueiam a inspiração das palavras certas para tal. O que não poderia ser mais preciso na afirmação daquela artista é o mérito da causa de tal acontecimento: de fato, não falta a capacidade da emoção, nem sequer há falta de vontade nela, o que falta é conseguir encontrar uma fonte de alimentação para tal, em um mundo cada vez mais escasso de emoções.
Antes que me acusem de sentimentalismo barato, um adendo é importante: por favor, que nenhuma mente seja limitada o bastante para pensar que eu estou falando de amor, no sentido mais restrito. Não sentimos mais nada, tudo é cada vez mais automático, tudo é muito olhos, é muito pele e menos espírito...
E...
Não sei como acabar isso. Que as musas tenham piedade de mim, Dionísio! Apolo! Calíope! Piedade.
Vinicius Neres
Postado por Vinicius Neres às 19:44 0 comentários
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Enquanto ainda houver chama
sábado, 12 de maio de 2012
Se uma coisa pode-se dizer, ou ao
menos eu possa afirmar de comum acordo com as minhas convicções, é que as
verdades se fazem de momentos. Pois senhores, como digo por ai e espalho aos
quatro ventos, e como de tal modo não poderia ser eu contraditório ao que virem
dizer à frente, nenhuma verdade é eterna, nenhum dogma é absoluto – e por isso
nenhum dogma é dogma. O dogma é uma ofensa a relatividade da verdade. As
verdades são, assim, frutos das construções de seus momentos. O momento em que
são construídas é que determina a sua validade, e assim uma afirmação pode ser
eternamente verdadeira, mas eternamente verdadeira dentro de seu contexto. Uma
verdade agora sempre será uma verdade agora, mas não significa que seja uma
verdade amanhã. Por razão disso, e por acreditar ter sido simples a compreensão
de tal afirmação já incessantemente tratada por mim – talvez não textualmente,
mas deveras verbalmente a qualquer um que queira assim ouvir – eu posso afirmar
que de forma alguma podem acusar-me de contrariar as minhas próprias
ideologias, o sistema de coisas a que creio. Não podem chamar-me de hipócrita,
pois aquilo que afirmo é condizente com aquilo que sigo, e absoluta essa
verdade se faz agora.
De fato pela própria natureza de
mutação e evolução de ideais, condizente com a idéia-prima de que as verdades
estão sempre em processo de relativização, talvez minhas atitudes não sejam as
mesmas sempre. Aquela metamorfose se estabelece, porque se faz necessária ao
processo de maturação de meu próprio ser, ao processo de consolidação daquilo
que sou – se é que, dentro dessa dinâmica toda de constante renovação, seja
possível estabelecer algum ponto de consolidação verdadeira. Tudo isso, vejam, configura-se como uma
manifestação de fidelidade de minha parte, uma fidelidade aos meus valores, construídos
não de forma dogmática, ignorante e imperativa. Muito pelo contrário, são
fundamentados em uma ampla observação dos seres humanos ao meu redor, das
atitudes evidentes que se repetem incessantemente à tendência do infinito, aqui
e em qualquer tempo. Humanos são sempre humanos, infelizmente, aqui e agora ou
na Grécia do século III a.C.. Sad, but true.
A coisa é que essa própria
afirmação é contrária a algo que eu sempre acreditei possível, e eu sempre
acreditei poder fazer assim. Acreditei que era possível, desde imemoriais
tempos – que, vejam, nem são tão distantes assim, mas somente cuja exatidão extinguiu-se
da memória – fazer diferente, ser diferente. Ser humano, mas não ser humano.
Tão humano. Demasiado humano. Creio que isso foi um primeiro sinal pra entender
e ver quantos paradoxos existia naqueles meus pensamentos todos. E são muitos, mas que não vêm ao caso
citá-los. Apenas afirmo a vós, com uma precisão quase cirúrgica, de uma conclusão
mais simples do que possa parecer a primeira vista, que todos esses pensamentos
se organizam de uma forma, em partes, muito próxima da visão de mundo de Platão.
Platão pensava em um universo
dual, na existência de dois mundos: o Mundo Físico, nosso mundo, onde ocorrem todas
as manifestações físicas e materiais de que temos contato diariamente em nossa
vida; manifestações essas que seriam uma mera sombra da real essência pura e
ideal de cada um deles. Essa essência se encontraria em um segundo mundo, o
Mundo das Idéias. Lá tudo seria ideal, perfeito, a forma para as manifestações
de nosso mundo. Assim, por exemplo, todos os tipos de cachorro existentes no
mundo seriam apenas manifestações imperfeitas de um cachorro verdadeiro somente
atingível no mundo das idéias. Seres humanos idem. Toda essa história é muito
bem representada pelo famoso Mito da Caverna de Platão, que não convém
descrever agora. Tenha-o como intertextualidade. Eis, então, que os paradoxos que se estabelecem
em meus pensamentos obedecem a essa regra platônica desde suas concepções,
mesmo que eu mesmo não tenha me apercebido disto antes. Eles existem sempre em
duas formas, a do Mundo das Idéias, onde são concebidas e são perfeitas, como
perfeitos moldes dos quais tentamos nos aproximar; e no Mundo Físico, na
realidade, onde as coisas obedecem a suas regras próprias.
Pode-se pensar, em primeiro
momento, que eu não precisava de tudo isso pra dizer uma coisa tão simples: uma
coisa é a teoria e outra é a prática. A questão é que não é tão simples assim,
porque não foi isso que eu quis dizer. O Mundo das Idéias já não é um mundo
teórico, nem mesmo na teoria de Platão. O Mundo das Idéias é um mundo real, que
acontece na prática, mas que não pode ser atingido pelo Mundo Físico enquanto
seus agentes continuarem a guiar suas ações e duas vidas pelas sombras da
caverna, pela simples manifestação imperfeita dos ideais. Deixando claro que
isso foi somente uma analogia, também registro aqui que não sou tentado a
concordar com Platão sobre esse assunto, principalmente no que tange ao físico –
pois veja, ele realmente acreditava naquela história do cachorro verdadeiro e
de suas manifestações imperfeitas e eu certamente não. Nesse caso, sou muito
mais Aristóteles e sua compreensão de que o mundo é aquilo que é, que vemos e
experimentamos com nossos cinco sentidos, e ponto. Assunto para outra hora,
enfim. A coisa, na prática, é assim: os humanos são tão imperfeitos, tão
demasiadamente humanos, que nem sequer guiam suas vidas com um objetivo
diferente em vista, pois sendo predominantemente – se não totalmente – de tal
modo, iguais e previsíveis, não têm para si outro guia que não essa
previsibilidade.
Confuso? Vamos tentar organizar
isso em uma idéia só. Os seres humanos estão tão acostumados a viverem entre
seus semelhantes, que repetem atitudes já reproduzidas infinitamente por
aqueles que o precederam, que não se preocupam em ter como guias modelos que
transcendam essas atitudes primitivas de agirem sempre da mesma forma, sempre
iguais. Não tem a ver com serem perfeitos e imperfeitos, tem a ver somente com
serem diferentes. A analogia com Platão é pela dualidade, e pela forma como
meus pensamentos se dividem em como eles são aplicados na prática, e como eles
são aplicados se as pessoas mudassem suas atitudes em relação ao mundo. Claro,
com aquele juízo de valor indispensável à qualquer analogia, a permanência nos
velhos ideais e modelos seria guiar-se pelas sombras, pelas manifestações
imperfeitas; mas a mudança de atitude seria a transcendência ao Mundo das
Idéias, onde as coisas funcionariam da forma perfeita. Assim, aplicar essas
idéias ao mundo prático é ter que adaptá-las as distorções da não-adaptação à
aceitação de atitudes ideais. A aceitação de que se pode fazer diferente, e não
ter como moldes somente a previsibilidade e a repetição de atitudes ad
infinitum.
E depois de toda essa embromação,
de todo esse Platão, de toda essa confusão, você pode estar se perguntando “Mas
e ai, o que isso tem a ver com o tal do não abandonar idéias?”. Simples meu
amores, eu ajo conforme minhas idéias e tendo em vista que podemos, sim, fazer
diferente. Acreditando que podemos nos libertar dessa humanidade estúpida de
reprodutores de velhos paradigmas, meramente adaptados às particularidades de
nosso tempo e de nossos valores. Sou fiel ao que acredito, e por isso não posso
ser chamado de hipócrita por isso. Meu guia é a crença no novo. Obviamente,
dizer que sou imune a esse sistema de atitudes comuns humanas – que permite
que, por exemplo, mesmo cinco séculos depois de escrito, possamos aplicar “O
Príncipe” de Maquiavel de uma maneira tão perfeita quando nos tempos em que foi
concebida – seria muita presunção da minha parte. Apesar disso, digo-lhes,
queridos: sou recompensado dia após dia por uma mera atitude banal de
acreditar. E se não visse, lá no fundo, em pequenas atitudes de mentalidades
que levam consigo aquela pequena luz que almeja pela liberdade, a chama
fundamental para acender essa fogueira de revolução... Tenham certeza, eu não
continuaria nessa loucura. E enquanto ainda houver essa chama, ainda eu possa
vê-la, ainda continuarei acreditando. Só espero que haja, no inconsciente de
cada um desses, a vontade gritante de romper o casulo. Ainda existem outros
universos além da casca de noz. Talvez valha a pena. Se não tentarmos, nunca
saberemos.
V. Neres
Postado por Vinicius Neres às 04:06 0 comentários
Metamorfose
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Viver em uma constante luta pela reconstrução de si mesmo, uma vida regada à renovação de idéias e conceitos, certa hora também leva a fadiga estes jovens ombros de velho. Ter aquela velha opinião formada sobre tudo, é cômodo, sim, e talvez condenável para aquele novo intelectual, aquele que acabou de sair fresquinho do forno da esquina, mas pode não ser deveras tão repugnante.
Olho-me, e vejo algo que não sou eu, como se eu sentisse saudades de uma vida que nunca vivi, que ainda não vivi. Como se a constante falta de algo, um sentimento de vazio existencial que tenta ser preenchido por qualquer coisa que se mostre parcialmente interessante à minha frente, mas que cambaleia – amaciado por estas faltas ilusões – mas não cai, não me deixa. Olhar e procurar em meus olhos uma visão que ainda não tive. Tentar ouvir uma voz, a palavra suave e doce de alguém que nunca ouvi. É como olhar o próprio rosto jovem e sentir falta de rugas, sentir falta de uma experiência que nunca existiu.
Triste ser assim, triste buscar algo que nunca chega. Parece que minha existência precisa ser homologada por alguém que eu não conheço, mas que desde que vida é vida, tento buscar substitutos. Ver nas pessoas uma centelha daquilo que busco, mas sem encontrá-la por completo. Existe tal heresia? Viver assim é fascinar-se com uma mente, com um pensamento a cada instante, e depois sentir aquela leve decepção de saber que tudo aquilo, toda aquela jovialidade intelectual, toda aquela pureza de pensamento bruto, não é bruto; catalizado é aquele pensamento fantástico por uma emoção, daquelas que o homem sente desde o mais primitivo urro de reconhecimento próprio. Entretanto, paradoxalmente, fico feliz. Apego-me as pessoas, e me felicita ver que são ‘normais’ – mesmo que façam de tudo para negá-lo. A felicidade de ver que não sofrerão mais do que aquilo que um sentimento lhe trouxe, e que a queda deste fato lhes fará deixar tais pensamentos fantásticos de lado e viver a vida como ela é supera a tristeza de não encontrar meus sequazes, se não encontrar aquilo que procuro em vão.
Por que motivo penso afinal? Pensar me destrói tanto quanto constrói a consciência do universo em mim. Queria, quero, não pensar mais. Ser alienado não dói, e não precisa-se ser alienado. Bastava que as grandes verdades só surgissem quando um furor sentimental me surgisse aos nervos. De qualquer forma não posso descartar a possibilidade de que isso é o que me acomete, e em verdade digo que acredito (ou seja mais fácil assim crer) que seja esta a grande solução. Também sofro de sentimentalismo, daqueles baratos de romance de papel-jornal, mas cujo ônus é ao saber-se por quem.
Talvez esse furor de uma mente que se considera insana não seja nada mais do que fruto de um simples amor profano, hedonista e vil, que não encontra caverna que o ecoe só. Apaixonar-se. Mas por uma voz que nunca ouvi, por um ser que nunca vi, pela suavidade de algo que nunca toquei.
Mas talvez, ainda, o que faltasse fosse apenas uma vida regada de profanações da própria existência, de viver somente aquilo que o mundo pudesse proporcionar, de sensações. Experimento, experimentei, não me satisfez. O mundo não me satisfez, a sua profanidade não me satisfez; e só deixou-me mais infeliz, como um viajante que erra a estrada e se encontra sem sequer saber onde está, que caminho tomar, sob uma leve garoa de dia frio.
Escura, escura estrada, que se apresenta longínqua, e grande, e espessa. É um caminho, e um viajante que para na estrada não é um viajante.
Mudar, porém, cansa. Viver assim é recriar-se constantemente, é nunca estar satisfeito, é estar em busca e não saber o que busca. É morrer e reviver várias vezes na vida, é reconstruir-se a cada momento. Desgastante, deveras necessário, mas esgotante. Por isso me pergunto que faço eu agora? Seguir o coração? Seguir a razão? Parece-me que os dois têm me levado pra lado algum, andando em círculos, cada vez maiores. Não criando nada, não destruindo nada. Transformando tudo, e novamente, e novamente.
Tédio.
Vinicius Neres
Concebido em 03 de Agosto de 2011, ás 21h05min.
P.S.: Se me faltavam provas de que os estados mentais são cíclicos, acho que melhores argumentos não existem que as próprias palavras.
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