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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Enquanto ainda houver chama

sábado, 12 de maio de 2012

Se uma coisa pode-se dizer, ou ao menos eu possa afirmar de comum acordo com as minhas convicções, é que as verdades se fazem de momentos. Pois senhores, como digo por ai e espalho aos quatro ventos, e como de tal modo não poderia ser eu contraditório ao que virem dizer à frente, nenhuma verdade é eterna, nenhum dogma é absoluto – e por isso nenhum dogma é dogma. O dogma é uma ofensa a relatividade da verdade. As verdades são, assim, frutos das construções de seus momentos. O momento em que são construídas é que determina a sua validade, e assim uma afirmação pode ser eternamente verdadeira, mas eternamente verdadeira dentro de seu contexto. Uma verdade agora sempre será uma verdade agora, mas não significa que seja uma verdade amanhã. Por razão disso, e por acreditar ter sido simples a compreensão de tal afirmação já incessantemente tratada por mim – talvez não textualmente, mas deveras verbalmente a qualquer um que queira assim ouvir – eu posso afirmar que de forma alguma podem acusar-me de contrariar as minhas próprias ideologias, o sistema de coisas a que creio. Não podem chamar-me de hipócrita, pois aquilo que afirmo é condizente com aquilo que sigo, e absoluta essa verdade se faz agora.

De fato pela própria natureza de mutação e evolução de ideais, condizente com a idéia-prima de que as verdades estão sempre em processo de relativização, talvez minhas atitudes não sejam as mesmas sempre. Aquela metamorfose se estabelece, porque se faz necessária ao processo de maturação de meu próprio ser, ao processo de consolidação daquilo que sou – se é que, dentro dessa dinâmica toda de constante renovação, seja possível estabelecer algum ponto de consolidação verdadeira.  Tudo isso, vejam, configura-se como uma manifestação de fidelidade de minha parte, uma fidelidade aos meus valores, construídos não de forma dogmática, ignorante e imperativa. Muito pelo contrário, são fundamentados em uma ampla observação dos seres humanos ao meu redor, das atitudes evidentes que se repetem incessantemente à tendência do infinito, aqui e em qualquer tempo. Humanos são sempre humanos, infelizmente, aqui e agora ou na Grécia do século III a.C.. Sad, but true.

A coisa é que essa própria afirmação é contrária a algo que eu sempre acreditei possível, e eu sempre acreditei poder fazer assim. Acreditei que era possível, desde imemoriais tempos – que, vejam, nem são tão distantes assim, mas somente cuja exatidão extinguiu-se da memória – fazer diferente, ser diferente. Ser humano, mas não ser humano. Tão humano. Demasiado humano. Creio que isso foi um primeiro sinal pra entender e ver quantos paradoxos existia naqueles meus pensamentos todos.  E são muitos, mas que não vêm ao caso citá-los. Apenas afirmo a vós, com uma precisão quase cirúrgica, de uma conclusão mais simples do que possa parecer a primeira vista, que todos esses pensamentos se organizam de uma forma, em partes, muito próxima da visão de mundo de Platão.

Platão pensava em um universo dual, na existência de dois mundos: o Mundo Físico, nosso mundo, onde ocorrem todas as manifestações físicas e materiais de que temos contato diariamente em nossa vida; manifestações essas que seriam uma mera sombra da real essência pura e ideal de cada um deles. Essa essência se encontraria em um segundo mundo, o Mundo das Idéias. Lá tudo seria ideal, perfeito, a forma para as manifestações de nosso mundo. Assim, por exemplo, todos os tipos de cachorro existentes no mundo seriam apenas manifestações imperfeitas de um cachorro verdadeiro somente atingível no mundo das idéias. Seres humanos idem. Toda essa história é muito bem representada pelo famoso Mito da Caverna de Platão, que não convém descrever agora. Tenha-o como intertextualidade.  Eis, então, que os paradoxos que se estabelecem em meus pensamentos obedecem a essa regra platônica desde suas concepções, mesmo que eu mesmo não tenha me apercebido disto antes. Eles existem sempre em duas formas, a do Mundo das Idéias, onde são concebidas e são perfeitas, como perfeitos moldes dos quais tentamos nos aproximar; e no Mundo Físico, na realidade, onde as coisas obedecem a suas regras próprias.

Pode-se pensar, em primeiro momento, que eu não precisava de tudo isso pra dizer uma coisa tão simples: uma coisa é a teoria e outra é a prática. A questão é que não é tão simples assim, porque não foi isso que eu quis dizer. O Mundo das Idéias já não é um mundo teórico, nem mesmo na teoria de Platão. O Mundo das Idéias é um mundo real, que acontece na prática, mas que não pode ser atingido pelo Mundo Físico enquanto seus agentes continuarem a guiar suas ações e duas vidas pelas sombras da caverna, pela simples manifestação imperfeita dos ideais. Deixando claro que isso foi somente uma analogia, também registro aqui que não sou tentado a concordar com Platão sobre esse assunto, principalmente no que tange ao físico – pois veja, ele realmente acreditava naquela história do cachorro verdadeiro e de suas manifestações imperfeitas e eu certamente não. Nesse caso, sou muito mais Aristóteles e sua compreensão de que o mundo é aquilo que é, que vemos e experimentamos com nossos cinco sentidos, e ponto. Assunto para outra hora, enfim. A coisa, na prática, é assim: os humanos são tão imperfeitos, tão demasiadamente humanos, que nem sequer guiam suas vidas com um objetivo diferente em vista, pois sendo predominantemente – se não totalmente – de tal modo, iguais e previsíveis, não têm para si outro guia que não essa previsibilidade.

Confuso? Vamos tentar organizar isso em uma idéia só. Os seres humanos estão tão acostumados a viverem entre seus semelhantes, que repetem atitudes já reproduzidas infinitamente por aqueles que o precederam, que não se preocupam em ter como guias modelos que transcendam essas atitudes primitivas de agirem sempre da mesma forma, sempre iguais. Não tem a ver com serem perfeitos e imperfeitos, tem a ver somente com serem diferentes. A analogia com Platão é pela dualidade, e pela forma como meus pensamentos se dividem em como eles são aplicados na prática, e como eles são aplicados se as pessoas mudassem suas atitudes em relação ao mundo. Claro, com aquele juízo de valor indispensável à qualquer analogia, a permanência nos velhos ideais e modelos seria guiar-se pelas sombras, pelas manifestações imperfeitas; mas a mudança de atitude seria a transcendência ao Mundo das Idéias, onde as coisas funcionariam da forma perfeita. Assim, aplicar essas idéias ao mundo prático é ter que adaptá-las as distorções da não-adaptação à aceitação de atitudes ideais. A aceitação de que se pode fazer diferente, e não ter como moldes somente a previsibilidade e a repetição de atitudes ad infinitum.

E depois de toda essa embromação, de todo esse Platão, de toda essa confusão, você pode estar se perguntando “Mas e ai, o que isso tem a ver com o tal do não abandonar idéias?”. Simples meu amores, eu ajo conforme minhas idéias e tendo em vista que podemos, sim, fazer diferente. Acreditando que podemos nos libertar dessa humanidade estúpida de reprodutores de velhos paradigmas, meramente adaptados às particularidades de nosso tempo e de nossos valores. Sou fiel ao que acredito, e por isso não posso ser chamado de hipócrita por isso. Meu guia é a crença no novo. Obviamente, dizer que sou imune a esse sistema de atitudes comuns humanas – que permite que, por exemplo, mesmo cinco séculos depois de escrito, possamos aplicar “O Príncipe” de Maquiavel de uma maneira tão perfeita quando nos tempos em que foi concebida – seria muita presunção da minha parte. Apesar disso, digo-lhes, queridos: sou recompensado dia após dia por uma mera atitude banal de acreditar. E se não visse, lá no fundo, em pequenas atitudes de mentalidades que levam consigo aquela pequena luz que almeja pela liberdade, a chama fundamental para acender essa fogueira de revolução... Tenham certeza, eu não continuaria nessa loucura. E enquanto ainda houver essa chama, ainda eu possa vê-la, ainda continuarei acreditando. Só espero que haja, no inconsciente de cada um desses, a vontade gritante de romper o casulo. Ainda existem outros universos além da casca de noz. Talvez valha a pena. Se não tentarmos, nunca saberemos.

V. Neres

Postado por Vinicius Neres às 04:06  

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