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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Per sona

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012



Pessoa. Personagem. Persona. Per sona – por onde soa. Tal quais as antigas máscaras de teatro, objeto pelo qual ressoava a voz do ator ao interpretar um papel, a pessoa, ente abstrato, desconhecido, subjetivo e sutil, é a máscara por onde soa a voz de nosso ego. Ego no stricto sensu: ego como eu, verdadeiro eu. Interessante conotação, apesar de eu já não querer falar mais sobre máscaras. Cansou, mesmo. A pessoa, persona, pois, desde a longínqua antiguidade foi a máscara; mas mais do que máscara foi o instrumento para potencializar a voz do ator. A máscara é que dá voz ao ego. E assim o é.

Muitas pessoas passam grande parte da vida – tal como eu, apesar de temporalmente irrisória existência material – pensando na vida. Pensando em qual seria o seu sentido, em que diabos estou fazendo aqui. E lá se vão horas e horas, meditando, sentado no sofá olhando para o teto, babando no travesseiro da cama, queimando neurônios e mais neurônios inocentes em busca do sentido da vida. E não fazendo nada. “Fecha a boca se não entra mosca”. Que bela existência teórica essa. Fria. Outras pessoas, veja só, simplesmente fazem as coisas. Acordam, estudam, comem, andam, namoram, se divertem, quem sabe pensem na vida – mas só por distração. Enquanto isso eu, você, o Papa Bento XVI (tomara Deus!), qualquer outro que pode ser qualquer um, estamos ainda no sofá, olhando o teto branco, o inseto que vai chegando perto da lâmpada e prestes à morrer (para isso se tornar somente mais uma questão existencial: porque os insetos se suicidam assim na luz, o pá?). E lá se vão mais horas e horas, e horas.

Enquanto isso duas guerras mundiais, Papa morre, Papa eleito, vários fins do mundo fracassados, Copas do Mundo (pff), novo programa de TV com zumbis, 140 caracteres... E agora a reflexão é sobre o exoesqueleto de quitina da mosca morta. Mosca morta. É assim que falam de você. Mosca morta. 

“Não sei quem sou nem que almas tenho, sou uma eterna crise de existência.” E faculdade, e gestão de amigos, e gente, e carências de todos os tipos e gêneros, e carências supridas com um piscar de olhos, e uma lembrança, e vários esquecimentos. Mas outros só vivem. E respiram, e namoram, e comem, e dormem, e estudam, estudam, estudam, e produzem. PRO-DU-ZEM, isso mesmo. Produzem. E lá estou você, eu, o Papa Bento XVI, olhando para o teto branco, para a luz, para o inseto voando para a luz, e pensando em qual o sentido da vida. Ou melhor, sendo bem sincero, pensando em nada. Nada. Para de lavar a louça, para sentar e pensar em nada. Desliga a TV para sentar e pensar em nada. Acorda para sentar e pensar em nada. Quando acorda. Porque realmente, na real, dorme. Enquanto isso um zumbi escreveu um guia de sobrevivência no mundo dos vivos. Enquanto isso uma mula sem cabeça lançou novos cortes de cabelo para a próxima estação. Enquanto isso um leão-marinho escreveu um novo tratado sobre dialética. Enquanto isso alguém te diz “se você continuar desanimado assim vai perder tua posição”. Posição. Rá! Quem me dera saber ao menos uma posição. Esquerda ou Direita. Em cima ou em baixo. De lado, de... Enfim.


Tudo se definiria como frustração, se essa palavra não fosse tão estúpida e errada, porque não é frustração. É simplesmente um tedioso, grandioso, enormemente espalhafatoso e carnavalesco nada. E nada e só. Nem texto, nem literatura, nem reclamação, nem crítica, nem nada. Tudo se resume em um grande nada. E ainda me vêm com essa: “A vida é um sopro, um minuto. A gente nasce, morre”. Para quem já morreu vivendo é fácil... Difícil é viver amigo, difícil é viver...


Vinicius Neres

Postado por Vinicius Neres às 03:10  

Marcadores: Textos próprios

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