Acabou já?
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Postado por Vinicius Neres às 22:17 2 comentários
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A espada de Ouro
sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Excelentíssimo General
Henrique Duffles Teixeira Lott,
A espada de ouro que, por escote,
Os seus cupinchas lhe vão brindar,
Não vale nada (não leve a mal
Que assim lhe fale) se comparada
Com a velha espada
De aço forjada,
Como as demais.
Espadas estas
Que a Pátria pobre, de mãos honestas,
Dá a seus soldados e generais.
Seu aço limpo vem das raízes
Batalhadoras da nossa história:
Aço que fala dos que, felizes,
Tombaram puros no chão da glória!
O ouro da outra é ouro tirado,
Ouro raspado
Pelas mãos sujas da pelegada
Do bolso gordo dos salafrários
Do bolso raso dos operários.
É ouro sinistro,
Ouro mareado:
Mancha o Ministro,
Mancha o Soldado.
Postado por Vinicius Neres às 14:43 0 comentários
Marcadores: Poemas
Nós, velhos de espírito
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Nós, velhos de espírito, não sabemos sair de cena. Esperamos sempre ser reconhecidos, que alguém sinta nossa presença, que alguém sinta nossa ausência, que alguém nos sinta. Esperamos ter o nosso nome em uma plaquinha na porta do escritório, com aquele enorme nome de velho de espírito, com aqueles títulos de velhos de corpo. Nós, velhos de espírito, não queremos mudar, queremos tudo como está, achamos o mundo perfeito, feito por um Deus perfeito, de inteligência perfeita. Onisciente, onipresente, onipotente. Nossa vida é regida pelas leis de Newton, pela experiente vó Inércia. Tudo que está em repouso permanecerá em repouso, tudo que está em movimento permanecerá em movimento, e nenhuma força sequer será gerada para causar uma aceleração e deslocar a trajetória um milímetro sequer. Nós, velhos de espírito, seguimos Newton ainda, velho e obsoleto como nós... Os jovens já falam de um alemão herege chamado Einstein; um velho, mas talvez não de espírito. Nós, velhos de espírito, não queremos a opinião alheia, não queremos aceitar a nossa mediocridade, queremos ser velhos de espírito, e queremos que respeitem nossa senilidade de espírito. Não queremos ter liberdade, não queremos grandes revoluções, queremos é que os comunistas sejam queimados nos autos-de-fé. Nós, velhos de espírito, queremos é que nosso espírito permaneça quietinho, no seu canto quentinho de nossa consciência, sem perigos, sem ilusões, protegidos... Não queremos nosso velho espírito atacado por essas inovações, por esses hereges, comunistas, punks, funks, ankhes, dances ou quaisquer de suas nuances; nós, velhos de espírito, queremos uma mental cadeira de balanço que distraída o nosso espírito frágil, pequeno, sombrio, gélido... Queremos calor porque nosso espírito é frio, queremos conforto porque nosso espírito é frágil. Não queremos mudar porque temos medo da dor. Nós, velhos de espírito, temos medo de tudo, temos ciúmes de tudo, queremos tudo do nosso jeito; queremos envelhecer mais ainda nosso espírito. Nós, velhos de espírito, queremos distância da doçura, porque faz mal à nossa Diabetes de espírito; queremos distância das grandes emoções, porque não serão saudáveis à nossa hipertensão de espírito; queremos estabilidade e nenhuma movimentação, porque movimentos podem fazer piorar nossa osteoporose de espírito. Nosso mal de Alzheimer de espírito nos faz esquecer das alegrias, o nosso Mal de Parkinson de espírito nos faz evitar grandes gestos – mesmo de comoção, sentimento, e solidariedade. Nós, velhos de espírito, só esperamos a morte de espírito chegar, sentados em nossa cadeira de balanço de espírito, no crepúsculo de espírito, na solidão de espírito. Queremos a morte de espírito, e talvez, assim, chegar à paz de espírito enfim.Postado por Vinicius Neres às 15:11 0 comentários
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Eu já fui um psicopata
terça-feira, 7 de junho de 2011
Postado por Vinicius Neres às 19:52 1 comentários
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Máscaras
domingo, 24 de abril de 2011
Postado por Vinicius Neres às 03:41 0 comentários
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Ensaio sobre o medo
domingo, 20 de março de 2011
Por vezes me pego pensando sobre assuntos aleatórios; idéias que surgem, e que deixam a centelha de sua origem ali, em minha mente, crescendo e se multiplicando. Como um fruto que amadurece, pouco a pouco, essas idéias passam a unir-se e a multiplicar-se, somando-se à idéia original e desenvolvendo-a. Há não muitos dias me surgiu, em um momento de silêncio – e como geralmente as idéias vêm a mim pelo silêncio – uma reflexão sobre o medo. Escutamos muito constantemente falar-se sobre isso quando falamos de segurança. Seja essa segurança relacionada ao nosso bem estar pessoal, à nossa vida cotidiana, ou a própria estabilidade social-financeira de que muitos classificam dessa forma. Medo. O mundo teme por si mesmo, teme por estar destruindo o seu próprio estilo de vida, teme por ser um modificador daquilo que ele mesmo cria e idealiza. Teme, simplesmente teme, e vive com esse medo ligado a si.
Já me falaram, certa vez, que o medo nada mais seria do que uma reação natural de nossa mente a aquilo que nos faça mal. De fato o conceito pode ser visto com essa mesma concepção por outros pontos de vista. Tememos perder um amigo, um amor, nossa família... Nosso status. De fato tudo isso nos faz mal, nos traz algo que não entendemos como agradável. Teme-se a morte, temem-se assaltos, teme-se o perigo. Viver com o medo, de certo modo, é algo que aprendemos desde cedo, desde que nossa consciência aflora em nosso ser. Mas e tem sentido todo esse medo?
A grande questão é que os seres humanos têm passado a viver, por razão desse medo de tudo e de todos que nos rodeiam, constantemente na defensiva. As amizades não são mais feitas do modo antigo por medo de que toda aquela simpatia vinda do alheio esconda interesses não declarados. Não se arrisca mais comprometer-se amorosamente como antigamente, temendo que, da mesma forma, esse amor traga interesses ocultos. Não se sai mais tranquilamente as noites para admirar o céu, as ruas, as estrelas, as luzes, por medo da violência. Tornamo-nos escravos do medo?
Como disse, o ser humano tem criado e destruído o seu próprio universo a cada dia, reformando conceitos, claro, mas também reformando o próprio meio onde vive. Aos poucos temos nos tornado escravos de nossas próprias escolhas, de nossa dita vida “civilizada” de sociedade. Um mundo individualista. Cada dia a unidade é mais valorizada, em detrimento do conjunto.
Infelizmente chegou-se a um ponto onde não se pode ter certeza da honestidade ou retidão de uma pessoa com uma simples amizade. Por isso vive-se com medo, e se teme cada gesto. Mesmo amigos de longa data, conhecidos de gerações e gerações, temem seus próprios amigos. Familiares temem seus familiares. O homem instituiu a doença do medo, de temer até mesmo aqueles a quem nós devíamos confiar mais, em cada pedaço do planeta terra. Pais ensinam seus filhos a não confiar em ninguém, a sempre ficar “com um pé atrás” para tudo que lhe fizerem. Sinceramente, isso é algo que nos torna melhores? Infelizmente a humanidade, ao mesmo tempo em que tende à evolução de consciência e da razão, tende à autofagia, tende a consumir-se a si mesma pela destruição dos valores mais sagrados e tradicionais. Em determinado momento teremos que escolher: ou tomamos o caminho da ascensão plena de nossa consciência, ou nos destruímos de vez, afogados em nossa ignorância e na bolha individualista que criamos para nos proteger no mundo, mas que acabou nos destruindo célula por célula.
Postado por Vinicius Neres às 18:08 0 comentários
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Voltando à normalidade
quarta-feira, 9 de março de 2011
Fiquei tão faceiro que não poderia deixar de registrar. Parece que, inusitadamente, voltei ao normal. No texto passado ainda não havia tido esta facilidade. Confesso que o desenvolvi com bastante dificuldade. Então voilà: volto a articular meus pensamentos de forma mais concreta e objetiva, sem deixar de ter a flexibilização que esta maravilhosa língua portuguesa me permite.Tenho tido dificuldades, confesso novamente, em escrever ultimamente. Parece-me que as palavras não têm fluido como antes, e parece que minhas idéias não têm sido muito bem articuladas. Notei isso não somente na produção de textos, mas também no modo como converso com as pessoas. Nem estímulos à minha mente não tinham funcionado. Hoje, porém, foi diferente.
Fico feliz, portanto, em voltar ao normal. Expressar-se de maneira satisfatória é maravilhoso e único. Nada substitui essa sensação de poder estar concretizando algo que se pensa. De qualquer forma, esperem de agora em diante que minha flexibilidade verbal e minha articulação mental voltem. Quem diria que precisava eu somente de uma lubrificação de idéias, de trazer de volta - lá do fundo empoeirado de minha mente em fluxo de pensamentos constantes – idéias já concretizadas. Talvez estes idéias, mesmo que já fundamentadas e embasadas, sejam o que me tornem aquilo que sou e que me mantenha a normalidade.
Grato às pessoas que me fizeram pensar hoje.
Vinicius" Neres.
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Um pensamento
terça-feira, 8 de março de 2011
Qual é a natureza do que chamamos de “idéia”. Qual a forma primordial, a origem e função de algo que meramente podemos definir; quiçá classificar – em certas ocasiões. Cada idéia surge de algo ainda mais fantástico e mal compreendido: o pensamento.
Ao ser humano não há nada que possa mais ostentar em sua empáfia constante do que o orgulho de seu pensamento. Diz-se animal racional, diz-se que tal maravilha o faz superior aos outros animais, esquecendo de que, dia fora animal idem, mas que, de uma hora pra outra passara a ser algo superior – ao menos em sua própria concepção – algo que superaria tudo o que estivera a sua volta.
Tal desse modo construiu sociedades, costumes, culturas, e povoou todo o seu mundo conhecido. Usou e abusou deste troféu que ergueu ao mundo como se fosse uma Carta de Alforria à exploração e uso de todos os recursos que o meio o disponibilizara. Estudou, desenvolveu seus estudos, dividiu seus estudos, ampliou seus estudos. Criou divisões dentro de suas descobertas, como se elas não fizessem parte de uma única grande obra. E cresceu, multiplicou-se, “evoluiu”, ad infinitum.
E assim deu-se a epopéia do homem. Passou a dizer que fora criado. Depois diz que de primatas surgiu. Depois já nem sabe mais donde veio. Desde quando pensa este homem? Desde quando é capaz de manifestar idéias em sua mente? Desde quando é capaz de criar, de se expressar, de aprender e ensinar? Não sabe, só pensa. Não sabe qual macaco talvez, de repente, tenha tido uma idéia. Não sabe nem sequer se já pensavam estes macacos antes. Contudo também não sabe por que, se pensam, ainda não criaram. Ou teria sido um macaco a inventar a roda e o fogo? Sabes tu?
E seguem assim, homem e pensamento, como eternos amantes que flertam e cortejam dia após dia, sem sequer saber quando e onde se conheceram. Mas ali, eternamente unidos.
Postado por Vinicius Neres às 18:04 0 comentários
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Sobre o pensar
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
O que vem a ser um pensamento? Não poucos já se questionaram sobre isso em suas existências, e não meros mortais comuns. Mas não somente eles. Nós, mortais comuns, talvez vezes por nos acometer certas febres de saber cósmico, também nos questionamos sobre as grandes verdades do universo. Sobre isso, confesso, tenho lido grandes tratados. Grandes idéias, e muitas delas bem... Digamos... Convincentes. A natureza do pensamento, algo que muitos em consenso admitem, parece não ser meramente humana. Um pensamento, algo tão importante, tão vital, e simultaneamente tão volátil, não pertence a nós. Não, senhores, não á nós humanos animais. Nossa condição animalesca não poderia suprir a fonte de tamanho milagre. Seria, então, o pensamento divino?
O que dizem grandes mestres e sábios de mistérios antigos é que o pensamento é uma interação de nossa condição humana com a parcela que temos de seres divinos. Já, outras vezes, dissertei sobre tal assunto: em algo devemos ser, ao que consta, a imagem e semelhança da inteligência suprema criadora. A meu ver não poderíamos ter semelhança se não em nossas mentes. Não poderíamos ser fisicamente semelhantes a algo que não tem forma. Não faria sentido. Somos primatas, primatas e semideuses.
Contraditório, talvez. Mas não impossível. Outros animais pensam? Outras formas de vida pensam? Como saber se nem sequer conseguimos nos comunicar primitivamente com tais formas de vida – intra ou extraterrestres. Cá entre nós, este assunto é algo que me interessa tanto quanto quem vai vencer a atual edição do Big Brother Brasil – uma gradação menor que zero se for possível medi-la.
O homem tem manias de querer conhecer tudo sem nem sequer conhecer á si mesmo. Busca explicação para tudo, menos para si mesmo. Tenta desvendar o universo, sem reconhecer que o universo está dentro de si.
E no seguir dos rumos de nossas vidas, cá ficamos pensando o que será o pensamento – claro que uso o plural por mera formalidade. Talvez eu seja o único louco aqui por essas bandas do mundo a perder tempo em pensar sobre o pensar. Mas alguém tem que fazer o trabalho sujo, não é? Só não posso esquecer que o mundo ainda está ai, pensando nele ou não. (É claro que não estou a fim de discutir as controvérsias desse último pensamento. São muitas, acreditem. Mas acho que já verbalizei o suficiente para minha mente ter um escape e eu conseguir pensar menos e dormir mais).
Postado por Vinicius Neres às 01:46 0 comentários
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