skip to main | skip to sidebar

O Autor

Minha foto
Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
Ver meu perfil completo

Marcadores

  • Artigos (1)
  • Crônicas e Contos (5)
  • Frases (7)
  • Pensamentos (12)
  • Poemas (4)
  • Textos de terceiros (7)
  • Textos próprios (23)
  • Título do blog (1)

Sobre este blog

Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

Hoje é dia:

Seguidores

Inscrever-se

Postagens
Atom
Postagens
Comentários
Atom
Comentários

Visitas

Contador
Ferias

Arquivo

  • ► 2012 (9)
    • ► dezembro (2)
    • ► agosto (2)
    • ► julho (1)
    • ► maio (1)
    • ► janeiro (3)
  • ▼ 2011 (9)
    • ▼ outubro (1)
      • Acabou já?
    • ► setembro (2)
      • A espada de Ouro
      • Nós, velhos de espírito
    • ► junho (1)
      • Eu já fui um psicopata
    • ► abril (1)
      • Máscaras
    • ► março (3)
      • Ensaio sobre o medo
      • Voltando à normalidade
      • Um pensamento
    • ► fevereiro (1)
      • Sobre o pensar
  • ► 2010 (23)
    • ► dezembro (1)
    • ► novembro (1)
    • ► outubro (3)
    • ► setembro (3)
    • ► agosto (1)
    • ► julho (2)
    • ► junho (2)
    • ► maio (1)
    • ► abril (1)
    • ► março (2)
    • ► fevereiro (2)
    • ► janeiro (4)
  • ► 2009 (18)
    • ► dezembro (2)
    • ► novembro (3)
    • ► outubro (5)
    • ► setembro (2)
    • ► agosto (4)
    • ► julho (1)
    • ► janeiro (1)

Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Acabou já?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Não é de hoje que muita gente fica apavorada quando se fala de fim do mundo. É algo bem velho, na verdade, que se observa desde tempos imemoráveis. Talvez a coisa tenha piorado desde que nossa pobre população cristã conheceu o Apocalipse de João, e assim só a leitura daqueles trechos fazia (e faz) alguns tremerem de medo. Não importa – até porque o termo apocalipse não quer dizer “fim do mundo”, mas sim “revelações”, Revelações de João; e o próprio livro é um tratado simbólico que não vem ao caso discutirmos agora. Independente da cultura, da região do globo, do povo, sempre se falou do grande fim, e sempre se temeu esse fim. Qual seria o motivo?

O homem teme aquilo que desconhece, certamente, e isso fundamenta a base desse temor. Creio, contudo, que o buraco seja mais em baixo. O homem teme, acima de tudo, que o fim chegue e ele não possa ter feito aquilo que a sua própria consciência mandou. Teme, portanto, que o seu tempo acabe, que seus sonhos morram, e que tenha vivido em vão. Podem alguns afirmar que muitos temem o tal Juízo Final, o julgamento por todos os seus atos. Convenhamos que tal idéia se encaixa ainda na afirmação inicial: se o homem teme ser julgado por aquilo que fez, é porque sua consciência diz que o que fez foi errado. Se for isso que ouve, se é isso que sua voz interior diz, é porque fez algo contrário ao que sua consciência dizia.

Talvez o termo “consciência” tenha sido repetido demais acima, mas creia que somente se deu para que se pudesse demonstrar que tratava da mesma coisa. Chame como quiser: seu eu interior, deus interior, voz interior, alma, ego. Ouça o que tu mesmo dizes para ti mesmo. Essa voz interior é o melhor guia para a nossa caminhada, porque – mesmo que não admitamos isso – às vezes nossa racionalidade não sabe onde queremos chegar, que caminhos queremos trilhar, mas lá no fundo da nossa mente existe alguém – um eu-mesmo mais profundo – que sabe qual é o nosso objetivo. Todos os homens caminham para um mesmo destino, mesmo que por caminhos diferentes.

Rousseau, iminente iluminista francês de importância singular na Revolução Francesa nos legou uma frase que explicita exatamente isso: “A consciência nunca nos engana e é a verdadeira guia da humanidade. Ela é para a alma o que o instinto é para o corpo; quem quer que a siga persegue o caminho direto da natureza e não necessita temer estar desorientado”. Diante de tal citação, podemos nos perguntar a razão de que tantos ainda insistem em viverem retraídos em sua existência, contrariando sua consciência, se há tanto tempo já se fala nisso. A resposta é simples: medo.

Teme-se muita coisa, mas essencialmente o grande temor é a desaprovação. Vivemos em uma constante busca por aceitação, por um “alvará” para nossos atos. Tememos ser criticados, rechaçados, tememos não estarmos seguindo os caminhos corretos, tememos não estar atingindo as expectativas alheias, tememos não estar dando “conta do recado”. E o temor fundamenta-se em algo ainda mais profundo: a falta de aceitação de si mesmo. Nega-se aceitar os conselhos que nossa consciência nos dá, nega-se ouvir o que nosso coração diz, porque se nega aceitar o valor de nós mesmos, e o valor desses conselhos. Os outros são sempre os certos, os caminhos alheios são sempre os certos, os conselhos dos outros são sempre os certos.

Entretanto, se mesmo assim tu te perguntares “mas e se minha consciência disser-me que devo fazer algo de errado? Que devo roubar, matar ou enganar?”. Certamente não estará sendo guiado por si, não estará sendo guiado por sua essência verdadeira. O homem é bom por natureza; os grandes homens, os de grande evolução, foram homens bons. Foram homens e mulheres que legaram compaixão, amor e compreensão à humanidade, e constituem assim a prova que nosso caminho para a evolução deverá atingir o ponto da compreensão e aceitação não somente de si próprio, mas dos seus semelhantes. Este é o destino à que todos os caminhos da vida de cada ser humano atingem. Mesmo que distante, mesmo que utópico, essa é a tendência universal da consciência humana. Se acreditares, porém, que está sendo levado naturalmente para um caminho de desvirtuamento, certamente não estarás sendo guiado por teu ser fundamental, por tua consciência; mas sim estará ainda preso às concepções que não são tuas, guiado por uma rebeldia ou indignação cuja origem certamente será da falta de compreensão de teus semelhantes.

Por fim a gênese, ao chegarmos ao ponto em que o dragão morde a própria cauda: teme-se o fim do mundo. Uma idéia sombria atinge nossa consciência, e lá no fundo nosso ser fundamental, agonizando por ter sido durante tanto tempo ignorado e calado, nos grita: e se for verdade? E se tudo acabar sem mesmo tu ter seguido a tua própria vontade? E assim terás vivido em vão, terás sofrido em vão, guiado por caminhos que não foram teus, aproveitando-se de fórmulas prontas e ignorando a sabedoria daquele que é o mais sábio de todos os seres humanos: teu eu interior, tua consciência. Valeu tudo a pena? Só tu poderás responder, ouvindo o que tua mente te diz, sendo quem tu és. E assim conhecerás o universo e os deuses.

Vinicius Neres

Postado por Vinicius Neres às 22:17 2 comentários  

Marcadores: Textos próprios

A espada de Ouro

sexta-feira, 16 de setembro de 2011


Excelentíssimo General
Henrique Duffles Teixeira Lott,
A espada de ouro que, por escote,
Os seus cupinchas lhe vão brindar,
Não vale nada (não leve a mal
Que assim lhe fale) se comparada
Com a velha espada
De aço forjada,
Como as demais.

Espadas estas
Que a Pátria pobre, de mãos honestas,
Dá a seus soldados e generais.
Seu aço limpo vem das raízes
Batalhadoras da nossa história:
Aço que fala dos que, felizes,
Tombaram puros no chão da glória!
O ouro da outra é ouro tirado,
Ouro raspado
Pelas mãos sujas da pelegada
Do bolso gordo dos salafrários
Do bolso raso dos operários.
É ouro sinistro,
Ouro mareado:

Mancha o Ministro,
Mancha o Soldado.

Manuel Bandeira

Postado por Vinicius Neres às 14:43 0 comentários  

Marcadores: Poemas

Nós, velhos de espírito

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Nós, velhos de espírito, não sabemos sair de cena. Esperamos sempre ser reconhecidos, que alguém sinta nossa presença, que alguém sinta nossa ausência, que alguém nos sinta. Esperamos ter o nosso nome em uma plaquinha na porta do escritório, com aquele enorme nome de velho de espírito, com aqueles títulos de velhos de corpo. Nós, velhos de espírito, não queremos mudar, queremos tudo como está, achamos o mundo perfeito, feito por um Deus perfeito, de inteligência perfeita. Onisciente, onipresente, onipotente. Nossa vida é regida pelas leis de Newton, pela experiente vó Inércia. Tudo que está em repouso permanecerá em repouso, tudo que está em movimento permanecerá em movimento, e nenhuma força sequer será gerada para causar uma aceleração e deslocar a trajetória um milímetro sequer. Nós, velhos de espírito, seguimos Newton ainda, velho e obsoleto como nós... Os jovens já falam de um alemão herege chamado Einstein; um velho, mas talvez não de espírito. Nós, velhos de espírito, não queremos a opinião alheia, não queremos aceitar a nossa mediocridade, queremos ser velhos de espírito, e queremos que respeitem nossa senilidade de espírito. Não queremos ter liberdade, não queremos grandes revoluções, queremos é que os comunistas sejam queimados nos autos-de-fé. Nós, velhos de espírito, queremos é que nosso espírito permaneça quietinho, no seu canto quentinho de nossa consciência, sem perigos, sem ilusões, protegidos... Não queremos nosso velho espírito atacado por essas inovações, por esses hereges, comunistas, punks, funks, ankhes, dances ou quaisquer de suas nuances; nós, velhos de espírito, queremos uma mental cadeira de balanço que distraída o nosso espírito frágil, pequeno, sombrio, gélido... Queremos calor porque nosso espírito é frio, queremos conforto porque nosso espírito é frágil. Não queremos mudar porque temos medo da dor. Nós, velhos de espírito, temos medo de tudo, temos ciúmes de tudo, queremos tudo do nosso jeito; queremos envelhecer mais ainda nosso espírito. Nós, velhos de espírito, queremos distância da doçura, porque faz mal à nossa Diabetes de espírito; queremos distância das grandes emoções, porque não serão saudáveis à nossa hipertensão de espírito; queremos estabilidade e nenhuma movimentação, porque movimentos podem fazer piorar nossa osteoporose de espírito. Nosso mal de Alzheimer de espírito nos faz esquecer das alegrias, o nosso Mal de Parkinson de espírito nos faz evitar grandes gestos – mesmo de comoção, sentimento, e solidariedade. Nós, velhos de espírito, só esperamos a morte de espírito chegar, sentados em nossa cadeira de balanço de espírito, no crepúsculo de espírito, na solidão de espírito. Queremos a morte de espírito, e talvez, assim, chegar à paz de espírito enfim.

Vinicius Neres

Postado por Vinicius Neres às 15:11 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Eu já fui um psicopata

terça-feira, 7 de junho de 2011


Eu já fui um psicopata. Fui, fui sim. Não digo que tenha nascido assim, ou que um trauma na primeira-infância – ou qualquer coisa que Freud explique - tenha causado tal condição. De qualquer modo fui um psicopata, e desse fato não se perca tempo discutindo do contrário. Eu decido o que fui ou não. Se um dia eu disser que fui um pelicano, pois um pelicano eu fui.

Eram tempos interessantes aqueles. Não me importava com as pessoas; eram elas apenas reles instrumentos de minha existência, como peças de um grande jogo de xadrez – meu esporte predileto – a mercê do que eu quisesse. Não havia nada de mais importante do que eu. Em síntese: era psicopata e egocêntrico. O que não tinha visto ou não lembrava não tinha acontecido, o que eu não conhecia não existia, o que eu não podia dominar não prestava. Simples assim. Confesso que a vida era mais fácil, era só sorrir, usar palavras de Cortesia e andar nos trilhos certoinhos et voilà: bem vindo a ser amado pela sociedade. Lia coisas interessantes, grandes livros de grandes pensadores... Estudava por prazer, e aprendia o que me era útil à ostentação – em resumo: tudo. Não precisava de pessoas, não precisava de ninguém. Sentimentos eram coisas tribais, animais, instintivas. Estavam longe de mim. E só precisava de mim, e só. E assim, aos 11 anos de idade, eu já desconfiava da verdade absoluta. Aos 12 tinha certeza dela.

Entretanto, certo dia, me dei conta que haviam muitas pessoas no mundo. De fato, eu estava rodeado por aqueles organismos biologicamente semelhantes a mim, mas em minha concepção tão distintos. Tinham atitudes interessantes esses seres humanos, mais até do que eu antes havia notado. Dei o braço a torcer e admiti que alguns deles até complexos eram, e que minhas teorias pura e simplesmente não os descreviam com exatidão. Alguns fugiam dos padrões, outros andavam em desalinho com tudo aquilo que havia eu postulado, e então, sem me dar conta, eu os estava observado.

E os seguia, os analisava, os observava... Às vezes até anotações fazia. Eram interessantes esses humanos. E cada pessoa que entrava em contato comigo era sistematicamente analisada, decomposta em suas minúcias, catalogada mentalmente, encaixada em um padrão comportamental. E com o passar do tempo os padrões foram se ampliando, se tornando mais complexos, suas atitudes me surpreendiam. Alguns fugiam totalmente ao meu controle, as minhas definições e as minhas premissas... Não se encaixavam em minhas falácias. Estes eram alçados a um patamar superior, ficavam em observação constante. Eram os que eu não podia dominar; não dominar seu comportamento, mas dominá-los em minha mente, conhecendo-os. Raramente errava.

E então esses, esses humanos especiais, fizeram-me compreender que talvez eles fossem parte daquilo que eu era também – que eu achava que era – e que talvez não existissem padrões para eles. Eles simplesmente existiam, e não haviam regras para eles. Eram complexos, eram incríveis... E assim, devagar, o próprio galho velho foi vergando, e minha mente foi concebendo certo conceito de igualdade. E me envolvi, me envolvi, me envolvi.

De repente eu adorava-os! Eram incríveis esses humanos. Tinham dilemas, tinham conflitos, e até raciocinavam de modo puro, cru e nu... Concebiam universos, criavam como deuses caídos, existiam como se fossem a manifestação da própria mãe Sophia. E fui mais afundo, e descobri beleza até nos pensamentos mais brutos, descobri sabedoria até nos mais ignorantes, e vi que o universo era maior do que eu concebia, era fantasticamente infinito, imensurável, intocável, harmônico e belo. E abri os braços para a humanidade.

Então, então senti, ouvi, escutei-os, e aprendi com eles. E ao sentir, ao me maravilhar, me entreguei ao seu mundo. E caminhei, caminhei, caminhei por aquela estrada desconhecida chamada humanidade; e acreditei, sinceramente, que tudo que eu sabia não servia para nada, que tudo que eu conhecia e acreditava era mero devaneio e que tudo que eu defendia era etéreo.

Mas ao sentir, senti também suas chagas. Vi que não eram sempre sinceros, que também magoavam; que mentiam descaradamente, que não se importavam uns com os outros... Vi que esses seres humanos também pisavam em seus semelhantes, que não respeitavam a sua própria diferença. Vi que colocavam seus interesses acima daquilo que acreditavam, e que usavam máscaras, diversas, centenas de milhares delas, para viver uns com os outros. Entendi que eles mesmos não se conheciam, que não sabiam o que eram, e que não viviam com conseqüências. E entendi o que era sentir medo, ansiedade, ser ignorado e desacreditado. E não quis sentir, e quis voltar ao estado primo, quis ser alheio a tudo e a todos, quis nunca mais olhar para outro alguém e ver nele algo mais do que um simples ser a se usado. Era tarde.

Quem bebe dessa fonte não volta mais à origem. Já não há mais um ser fixo, alguém que tinha opiniões concretas e estáticas, que vivia analiticamente, que pensava sistematicamente, que vivia metodicamente. Sou agora um ser humano, e tenho os defeitos dos seres humanos, e tenho as qualidades dos seres humanos, e não sei mais o que sou. Não sei quem sou, que almas tenho, em que mundo vivo e o que fui, sou ou serei. Nem sei mais se prefiro ser humano ou ser algo mecânico que era. Não sei de nada, nem sei se nada sei, ou se tudo sei, ou se o saber é mais uma mera ilusão para ostentação. Sou uma metamorfose ambulante, errante. Só mais um viajante que volta ao início da estrada.

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 19:52 1 comentários  

Marcadores: Pensamentos, Textos próprios

Máscaras

domingo, 24 de abril de 2011

"Le monde récompense plus souvent les
apparences du mérite que le mérite même"

FRANÇOIS DE LA ROCHEFOUCAULD

O que somos nós seres humanos se não um bando de animais que, em um momento que até hoje não soubemos especificar quando, resolveram que eram especiais e únicos em todo o universo, que o universo girava ao seu redor e que estava sob seu domínio. É claro, não podemos dizer que estavam completamente errados esses pré-homens: de fato de qualquer ponto que se observe do universo, ele está em expansão a partir daquele ponto. Aqui, ou há 10 milhões de anos-luz daqui, em qualquer lugar do universo, qualquer ponto é sempre o centro. Felizes?

Mas não, não nos contentamos de sermos somente o centro de tudo, queremos ser tudo, ao mesmo tempo, no mesmo espaço, e rapidamente – como se Heisenberg não nos tivesse mostrado que é impossível determinar a localização e a velocidade de um elétron ao mesmo tempo. Máscaras. Vivemos em uma sociedade que vive como se sua própria existência fosse um carnaval veneziano, em que a melhor fantasia ganhará a vida eterna. Um universo, nosso universo, que foi concebido para existir pela aparência. Somos atores, uns melhores, outros piores, construindo status, imagens, vestindo fantasias de nossas próprias ilusões, para enganarmos nós mesmos, nos olhando no espelho e reconhecendo outros em nossos lugares. São outros nós. São nós, outros.

Já basta de firulas descritivas de sociedade “em que mais importa ter do que ser”. Ou, como um conceito aperfeiçoado “que mais importa parecer do que ser”. Não precisamos disso. Eu sei disso, você sabe disso, aquele mendigo da rodoviária sabe disso, e com certeza absoluta qualquer taxista sabe disso – e de qualquer outra coisa que se possa saber. Mas não basta. Isso é papo de mensagem de auto-ajuda, de palestras motivacionais de gente sem talento. Vivencie isso. Sinta isso, veja, ouça e toque. Ninguém quer mais nada a não ser parecer o ser humano mais extraordinário do universo conhecido, e não quer fazer nada para isso. Queremos simplesmente ser, ser, ser, parecer muito mais, e ser. Fazer algo para isso, ou pensar sequer em cogitar a possibilidade de atuar ativamente para a transformação de algo que o torne verdadeiramente aquilo que se busca. Nada!

Não podemos dizer, somente, que tais fatos não nos surpreendam. Em sociedades em que os próprios conceitos são escarrados e cuspidos das bocas como se fossem, nada mais nada menos, do que algum lixo moral cuja tentativa falha de ser implantada nas mentes de cada unidade pensante de nossa sociedade não passasse de uma brincadeirinha de encaixar a forma certa no seu respectivo buraco – a lá educação infantil. Em uma sociedade em que os méritos não são dados a aqueles que os merecem, em que a artimanha e a esperteza são muitíssimo mais valorizadas em detrimento da humildade e da honestidade, em que a falta de ética, o “jeitinho” e a influência é milhares de vezes mais respeitadas do que um serviço bem feito. Humanos.

Quer-se opinar, mostrar superioridade, e com toda a empáfia do mundo queremos julgar o universo como se fossemos donos deles. Queremos ser deuses, criadores. Queremos ser imperadores no universo, ou ao menos imperadores de nosso mundinho de influência porca... Onde não se dá valor ao sangue derramado, ao soldado ferido, ou a batalha ganha, mas só se exalta a esperteza do general, que nem para o campo de batalha foi, mas cuja fama se espalha pelos quatro nortes e cuja riqueza – resultado da guerra que custou muitas vidas – ofuscou os olhos de seus admiradores. Pobres humanos: tão deuses querem ser, mas tão símios ainda arrastam-se em sua própria existência.

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 03:41 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos, Textos próprios

Ensaio sobre o medo

domingo, 20 de março de 2011

Por vezes me pego pensando sobre assuntos aleatórios; idéias que surgem, e que deixam a centelha de sua origem ali, em minha mente, crescendo e se multiplicando. Como um fruto que amadurece, pouco a pouco, essas idéias passam a unir-se e a multiplicar-se, somando-se à idéia original e desenvolvendo-a. Há não muitos dias me surgiu, em um momento de silêncio – e como geralmente as idéias vêm a mim pelo silêncio – uma reflexão sobre o medo.

Escutamos muito constantemente falar-se sobre isso quando falamos de segurança. Seja essa segurança relacionada ao nosso bem estar pessoal, à nossa vida cotidiana, ou a própria estabilidade social-financeira de que muitos classificam dessa forma. Medo. O mundo teme por si mesmo, teme por estar destruindo o seu próprio estilo de vida, teme por ser um modificador daquilo que ele mesmo cria e idealiza. Teme, simplesmente teme, e vive com esse medo ligado a si.

Já me falaram, certa vez, que o medo nada mais seria do que uma reação natural de nossa mente a aquilo que nos faça mal. De fato o conceito pode ser visto com essa mesma concepção por outros pontos de vista. Tememos perder um amigo, um amor, nossa família... Nosso status. De fato tudo isso nos faz mal, nos traz algo que não entendemos como agradável. Teme-se a morte, temem-se assaltos, teme-se o perigo. Viver com o medo, de certo modo, é algo que aprendemos desde cedo, desde que nossa consciência aflora em nosso ser. Mas e tem sentido todo esse medo?

A grande questão é que os seres humanos têm passado a viver, por razão desse medo de tudo e de todos que nos rodeiam, constantemente na defensiva. As amizades não são mais feitas do modo antigo por medo de que toda aquela simpatia vinda do alheio esconda interesses não declarados. Não se arrisca mais comprometer-se amorosamente como antigamente, temendo que, da mesma forma, esse amor traga interesses ocultos. Não se sai mais tranquilamente as noites para admirar o céu, as ruas, as estrelas, as luzes, por medo da violência. Tornamo-nos escravos do medo?

Como disse, o ser humano tem criado e destruído o seu próprio universo a cada dia, reformando conceitos, claro, mas também reformando o próprio meio onde vive. Aos poucos temos nos tornado escravos de nossas próprias escolhas, de nossa dita vida “civilizada” de sociedade. Um mundo individualista. Cada dia a unidade é mais valorizada, em detrimento do conjunto.

No fundo sabemos que todo o ser humano deseja sinceramente poder confiar nas pessoas a sua volta, deseja poder se entregar aos detalhes de sua vivência cotidiana; mas o medo nos impede. Existe maneira de nos tornarmos menos temerosos, menos defensivos com relação à nossa própria sociedade? É difícil responder. Nós mesmos construímos, dia após dia, uma sociedade em que se busca, justamente em razão de tal individualismo desenfreado, o parecer superior a todos, o destaque acima de qualquer coisa, a fama, o dinheiro, o poder. Sabemos que a gênese de cada mudança de inicia na interioridade de cada ser. A busca desenfreada por ser o melhor, sempre, tem deixado o ser humano não tão somente cego quanto aos seus semelhantes, mas também temeroso de que qualquer um, ao seu lado, na rua vizinha, ou na sala à esquerda, possa estar, nesse exato momento, lhe aplicando um golpe.

Infelizmente chegou-se a um ponto onde não se pode ter certeza da honestidade ou retidão de uma pessoa com uma simples amizade. Por isso vive-se com medo, e se teme cada gesto. Mesmo amigos de longa data, conhecidos de gerações e gerações, temem seus próprios amigos. Familiares temem seus familiares. O homem instituiu a doença do medo, de temer até mesmo aqueles a quem nós devíamos confiar mais, em cada pedaço do planeta terra. Pais ensinam seus filhos a não confiar em ninguém, a sempre ficar “com um pé atrás” para tudo que lhe fizerem. Sinceramente, isso é algo que nos torna melhores? Infelizmente a humanidade, ao mesmo tempo em que tende à evolução de consciência e da razão, tende à autofagia, tende a consumir-se a si mesma pela destruição dos valores mais sagrados e tradicionais. Em determinado momento teremos que escolher: ou tomamos o caminho da ascensão plena de nossa consciência, ou nos destruímos de vez, afogados em nossa ignorância e na bolha individualista que criamos para nos proteger no mundo, mas que acabou nos destruindo célula por célula.

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 18:08 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Voltando à normalidade

quarta-feira, 9 de março de 2011

Fiquei tão faceiro que não poderia deixar de registrar. Parece que, inusitadamente, voltei ao normal. No texto passado ainda não havia tido esta facilidade. Confesso que o desenvolvi com bastante dificuldade. Então voilà: volto a articular meus pensamentos de forma mais concreta e objetiva, sem deixar de ter a flexibilização que esta maravilhosa língua portuguesa me permite.

Tenho tido dificuldades, confesso novamente, em escrever ultimamente. Parece-me que as palavras não têm fluido como antes, e parece que minhas idéias não têm sido muito bem articuladas. Notei isso não somente na produção de textos, mas também no modo como converso com as pessoas. Nem estímulos à minha mente não tinham funcionado. Hoje, porém, foi diferente.

Bastou-me uma conversa, um explanar de idéias, uma exposição de fatos, e de uma hora para outra parece que a jovialidade mental me veio à tona novamente. Foram tempos difíceis esses de Vestibulares. Não é saudável para a mente estar debilitada em razão disso. Nossa energia mental se concentra em uma prova, e em conhecimentos que por vezes não nos são práticos; são meramente teóricos.

Fico feliz, portanto, em voltar ao normal. Expressar-se de maneira satisfatória é maravilhoso e único. Nada substitui essa sensação de poder estar concretizando algo que se pensa. De qualquer forma, esperem de agora em diante que minha flexibilidade verbal e minha articulação mental voltem. Quem diria que precisava eu somente de uma lubrificação de idéias, de trazer de volta - lá do fundo empoeirado de minha mente em fluxo de pensamentos constantes – idéias já concretizadas. Talvez estes idéias, mesmo que já fundamentadas e embasadas, sejam o que me tornem aquilo que sou e que me mantenha a normalidade.

Grato às pessoas que me fizeram pensar hoje.

Com votos de paz profunda,

Vinicius" Neres.

Postado por Vinicius Neres às 03:18 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Um pensamento

terça-feira, 8 de março de 2011

Quando falamos da natureza de algo, pensamos e refletimos sobre este assunto, falamos não tão somente de suas funções existenciais ou de sua definição por si só. Adentramos em um vasto campo de reflexão, de igual modo, sobre sua gênese, seu princípio criador e a razão de sua existência. Falamos, por vezes, da natureza do ser humano abrangendo todas essas definições, todas essas causas e conseqüências, mas talvez, em algum ponto em que nossa capacidade intelectual de transformar aquilo que se passa em nossa mente em simples e concretos sinais gráficos fonéticos, não nos demos conta de que, possivelmente, antes de existir ser humano já houve uma idéia de ser humano.

Qual é a natureza do que chamamos de “idéia”. Qual a forma primordial, a origem e função de algo que meramente podemos definir; quiçá classificar – em certas ocasiões. Cada idéia surge de algo ainda mais fantástico e mal compreendido: o pensamento.

Ao ser humano não há nada que possa mais ostentar em sua empáfia constante do que o orgulho de seu pensamento. Diz-se animal racional, diz-se que tal maravilha o faz superior aos outros animais, esquecendo de que, dia fora animal idem, mas que, de uma hora pra outra passara a ser algo superior – ao menos em sua própria concepção – algo que superaria tudo o que estivera a sua volta.

Tal desse modo construiu sociedades, costumes, culturas, e povoou todo o seu mundo conhecido. Usou e abusou deste troféu que ergueu ao mundo como se fosse uma Carta de Alforria à exploração e uso de todos os recursos que o meio o disponibilizara. Estudou, desenvolveu seus estudos, dividiu seus estudos, ampliou seus estudos. Criou divisões dentro de suas descobertas, como se elas não fizessem parte de uma única grande obra. E cresceu, multiplicou-se, “evoluiu”, ad infinitum.

E assim deu-se a epopéia do homem. Passou a dizer que fora criado. Depois diz que de primatas surgiu. Depois já nem sabe mais donde veio. Desde quando pensa este homem? Desde quando é capaz de manifestar idéias em sua mente? Desde quando é capaz de criar, de se expressar, de aprender e ensinar? Não sabe, só pensa. Não sabe qual macaco talvez, de repente, tenha tido uma idéia. Não sabe nem sequer se já pensavam estes macacos antes. Contudo também não sabe por que, se pensam, ainda não criaram. Ou teria sido um macaco a inventar a roda e o fogo? Sabes tu?

E seguem assim, homem e pensamento, como eternos amantes que flertam e cortejam dia após dia, sem sequer saber quando e onde se conheceram. Mas ali, eternamente unidos.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 18:04 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Sobre o pensar

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O que vem a ser um pensamento? Não poucos já se questionaram sobre isso em suas existências, e não meros mortais comuns. Mas não somente eles. Nós, mortais comuns, talvez vezes por nos acometer certas febres de saber cósmico, também nos questionamos sobre as grandes verdades do universo.

Sobre isso, confesso, tenho lido grandes tratados. Grandes idéias, e muitas delas bem... Digamos... Convincentes. A natureza do pensamento, algo que muitos em consenso admitem, parece não ser meramente humana. Um pensamento, algo tão importante, tão vital, e simultaneamente tão volátil, não pertence a nós. Não, senhores, não á nós humanos animais. Nossa condição animalesca não poderia suprir a fonte de tamanho milagre. Seria, então, o pensamento divino?

O que dizem grandes mestres e sábios de mistérios antigos é que o pensamento é uma interação de nossa condição humana com a parcela que temos de seres divinos. Já, outras vezes, dissertei sobre tal assunto: em algo devemos ser, ao que consta, a imagem e semelhança da inteligência suprema criadora. A meu ver não poderíamos ter semelhança se não em nossas mentes. Não poderíamos ser fisicamente semelhantes a algo que não tem forma. Não faria sentido. Somos primatas, primatas e semideuses.

Contraditório, talvez. Mas não impossível. Outros animais pensam? Outras formas de vida pensam? Como saber se nem sequer conseguimos nos comunicar primitivamente com tais formas de vida – intra ou extraterrestres. Cá entre nós, este assunto é algo que me interessa tanto quanto quem vai vencer a atual edição do Big Brother Brasil – uma gradação menor que zero se for possível medi-la.

O homem tem manias de querer conhecer tudo sem nem sequer conhecer á si mesmo. Busca explicação para tudo, menos para si mesmo. Tenta desvendar o universo, sem reconhecer que o universo está dentro de si.

E no seguir dos rumos de nossas vidas, cá ficamos pensando o que será o pensamento – claro que uso o plural por mera formalidade. Talvez eu seja o único louco aqui por essas bandas do mundo a perder tempo em pensar sobre o pensar. Mas alguém tem que fazer o trabalho sujo, não é? Só não posso esquecer que o mundo ainda está ai, pensando nele ou não. (É claro que não estou a fim de discutir as controvérsias desse último pensamento. São muitas, acreditem. Mas acho que já verbalizei o suficiente para minha mente ter um escape e eu conseguir pensar menos e dormir mais).

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 01:46 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial
Assinar: Comentários (Atom)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Pesquisar neste blog

Blog Design by Gisele Jaquenod | Distributed by Deluxe Templates

Work under CC License

Creative Commons License