Qual é a natureza do que chamamos de “idéia”. Qual a forma primordial, a origem e função de algo que meramente podemos definir; quiçá classificar – em certas ocasiões. Cada idéia surge de algo ainda mais fantástico e mal compreendido: o pensamento.
Ao ser humano não há nada que possa mais ostentar em sua empáfia constante do que o orgulho de seu pensamento. Diz-se animal racional, diz-se que tal maravilha o faz superior aos outros animais, esquecendo de que, dia fora animal idem, mas que, de uma hora pra outra passara a ser algo superior – ao menos em sua própria concepção – algo que superaria tudo o que estivera a sua volta.
Tal desse modo construiu sociedades, costumes, culturas, e povoou todo o seu mundo conhecido. Usou e abusou deste troféu que ergueu ao mundo como se fosse uma Carta de Alforria à exploração e uso de todos os recursos que o meio o disponibilizara. Estudou, desenvolveu seus estudos, dividiu seus estudos, ampliou seus estudos. Criou divisões dentro de suas descobertas, como se elas não fizessem parte de uma única grande obra. E cresceu, multiplicou-se, “evoluiu”, ad infinitum.
E assim deu-se a epopéia do homem. Passou a dizer que fora criado. Depois diz que de primatas surgiu. Depois já nem sabe mais donde veio. Desde quando pensa este homem? Desde quando é capaz de manifestar idéias em sua mente? Desde quando é capaz de criar, de se expressar, de aprender e ensinar? Não sabe, só pensa. Não sabe qual macaco talvez, de repente, tenha tido uma idéia. Não sabe nem sequer se já pensavam estes macacos antes. Contudo também não sabe por que, se pensam, ainda não criaram. Ou teria sido um macaco a inventar a roda e o fogo? Sabes tu?
E seguem assim, homem e pensamento, como eternos amantes que flertam e cortejam dia após dia, sem sequer saber quando e onde se conheceram. Mas ali, eternamente unidos.
Vinicius" Neres

0 comentários:
Postar um comentário