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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Um pensamento

terça-feira, 8 de março de 2011

Quando falamos da natureza de algo, pensamos e refletimos sobre este assunto, falamos não tão somente de suas funções existenciais ou de sua definição por si só. Adentramos em um vasto campo de reflexão, de igual modo, sobre sua gênese, seu princípio criador e a razão de sua existência. Falamos, por vezes, da natureza do ser humano abrangendo todas essas definições, todas essas causas e conseqüências, mas talvez, em algum ponto em que nossa capacidade intelectual de transformar aquilo que se passa em nossa mente em simples e concretos sinais gráficos fonéticos, não nos demos conta de que, possivelmente, antes de existir ser humano já houve uma idéia de ser humano.

Qual é a natureza do que chamamos de “idéia”. Qual a forma primordial, a origem e função de algo que meramente podemos definir; quiçá classificar – em certas ocasiões. Cada idéia surge de algo ainda mais fantástico e mal compreendido: o pensamento.

Ao ser humano não há nada que possa mais ostentar em sua empáfia constante do que o orgulho de seu pensamento. Diz-se animal racional, diz-se que tal maravilha o faz superior aos outros animais, esquecendo de que, dia fora animal idem, mas que, de uma hora pra outra passara a ser algo superior – ao menos em sua própria concepção – algo que superaria tudo o que estivera a sua volta.

Tal desse modo construiu sociedades, costumes, culturas, e povoou todo o seu mundo conhecido. Usou e abusou deste troféu que ergueu ao mundo como se fosse uma Carta de Alforria à exploração e uso de todos os recursos que o meio o disponibilizara. Estudou, desenvolveu seus estudos, dividiu seus estudos, ampliou seus estudos. Criou divisões dentro de suas descobertas, como se elas não fizessem parte de uma única grande obra. E cresceu, multiplicou-se, “evoluiu”, ad infinitum.

E assim deu-se a epopéia do homem. Passou a dizer que fora criado. Depois diz que de primatas surgiu. Depois já nem sabe mais donde veio. Desde quando pensa este homem? Desde quando é capaz de manifestar idéias em sua mente? Desde quando é capaz de criar, de se expressar, de aprender e ensinar? Não sabe, só pensa. Não sabe qual macaco talvez, de repente, tenha tido uma idéia. Não sabe nem sequer se já pensavam estes macacos antes. Contudo também não sabe por que, se pensam, ainda não criaram. Ou teria sido um macaco a inventar a roda e o fogo? Sabes tu?

E seguem assim, homem e pensamento, como eternos amantes que flertam e cortejam dia após dia, sem sequer saber quando e onde se conheceram. Mas ali, eternamente unidos.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 18:04  

Marcadores: Textos próprios

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