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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Acabou já?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Não é de hoje que muita gente fica apavorada quando se fala de fim do mundo. É algo bem velho, na verdade, que se observa desde tempos imemoráveis. Talvez a coisa tenha piorado desde que nossa pobre população cristã conheceu o Apocalipse de João, e assim só a leitura daqueles trechos fazia (e faz) alguns tremerem de medo. Não importa – até porque o termo apocalipse não quer dizer “fim do mundo”, mas sim “revelações”, Revelações de João; e o próprio livro é um tratado simbólico que não vem ao caso discutirmos agora. Independente da cultura, da região do globo, do povo, sempre se falou do grande fim, e sempre se temeu esse fim. Qual seria o motivo?

O homem teme aquilo que desconhece, certamente, e isso fundamenta a base desse temor. Creio, contudo, que o buraco seja mais em baixo. O homem teme, acima de tudo, que o fim chegue e ele não possa ter feito aquilo que a sua própria consciência mandou. Teme, portanto, que o seu tempo acabe, que seus sonhos morram, e que tenha vivido em vão. Podem alguns afirmar que muitos temem o tal Juízo Final, o julgamento por todos os seus atos. Convenhamos que tal idéia se encaixa ainda na afirmação inicial: se o homem teme ser julgado por aquilo que fez, é porque sua consciência diz que o que fez foi errado. Se for isso que ouve, se é isso que sua voz interior diz, é porque fez algo contrário ao que sua consciência dizia.

Talvez o termo “consciência” tenha sido repetido demais acima, mas creia que somente se deu para que se pudesse demonstrar que tratava da mesma coisa. Chame como quiser: seu eu interior, deus interior, voz interior, alma, ego. Ouça o que tu mesmo dizes para ti mesmo. Essa voz interior é o melhor guia para a nossa caminhada, porque – mesmo que não admitamos isso – às vezes nossa racionalidade não sabe onde queremos chegar, que caminhos queremos trilhar, mas lá no fundo da nossa mente existe alguém – um eu-mesmo mais profundo – que sabe qual é o nosso objetivo. Todos os homens caminham para um mesmo destino, mesmo que por caminhos diferentes.

Rousseau, iminente iluminista francês de importância singular na Revolução Francesa nos legou uma frase que explicita exatamente isso: “A consciência nunca nos engana e é a verdadeira guia da humanidade. Ela é para a alma o que o instinto é para o corpo; quem quer que a siga persegue o caminho direto da natureza e não necessita temer estar desorientado”. Diante de tal citação, podemos nos perguntar a razão de que tantos ainda insistem em viverem retraídos em sua existência, contrariando sua consciência, se há tanto tempo já se fala nisso. A resposta é simples: medo.

Teme-se muita coisa, mas essencialmente o grande temor é a desaprovação. Vivemos em uma constante busca por aceitação, por um “alvará” para nossos atos. Tememos ser criticados, rechaçados, tememos não estarmos seguindo os caminhos corretos, tememos não estar atingindo as expectativas alheias, tememos não estar dando “conta do recado”. E o temor fundamenta-se em algo ainda mais profundo: a falta de aceitação de si mesmo. Nega-se aceitar os conselhos que nossa consciência nos dá, nega-se ouvir o que nosso coração diz, porque se nega aceitar o valor de nós mesmos, e o valor desses conselhos. Os outros são sempre os certos, os caminhos alheios são sempre os certos, os conselhos dos outros são sempre os certos.

Entretanto, se mesmo assim tu te perguntares “mas e se minha consciência disser-me que devo fazer algo de errado? Que devo roubar, matar ou enganar?”. Certamente não estará sendo guiado por si, não estará sendo guiado por sua essência verdadeira. O homem é bom por natureza; os grandes homens, os de grande evolução, foram homens bons. Foram homens e mulheres que legaram compaixão, amor e compreensão à humanidade, e constituem assim a prova que nosso caminho para a evolução deverá atingir o ponto da compreensão e aceitação não somente de si próprio, mas dos seus semelhantes. Este é o destino à que todos os caminhos da vida de cada ser humano atingem. Mesmo que distante, mesmo que utópico, essa é a tendência universal da consciência humana. Se acreditares, porém, que está sendo levado naturalmente para um caminho de desvirtuamento, certamente não estarás sendo guiado por teu ser fundamental, por tua consciência; mas sim estará ainda preso às concepções que não são tuas, guiado por uma rebeldia ou indignação cuja origem certamente será da falta de compreensão de teus semelhantes.

Por fim a gênese, ao chegarmos ao ponto em que o dragão morde a própria cauda: teme-se o fim do mundo. Uma idéia sombria atinge nossa consciência, e lá no fundo nosso ser fundamental, agonizando por ter sido durante tanto tempo ignorado e calado, nos grita: e se for verdade? E se tudo acabar sem mesmo tu ter seguido a tua própria vontade? E assim terás vivido em vão, terás sofrido em vão, guiado por caminhos que não foram teus, aproveitando-se de fórmulas prontas e ignorando a sabedoria daquele que é o mais sábio de todos os seres humanos: teu eu interior, tua consciência. Valeu tudo a pena? Só tu poderás responder, ouvindo o que tua mente te diz, sendo quem tu és. E assim conhecerás o universo e os deuses.

Vinicius Neres

Postado por Vinicius Neres às 22:17  

Marcadores: Textos próprios

2 comentários:

Karen G. disse...

O medo. Eu defendo o medo. Não como algo que nos diminua, nos reprima, mas como algo que nos salva. Disseste algo válido, que os grandes seres humanos, os chamados evoluídos, eram bons. Mas não seria isso uma invectiva contra a natureza? A cultura, a experiência, é que lhe tornaram bons, e não a natureza. A natureza do homem é essencialmente corrupta, mas o medo não figura nessa corrupção. A covardia é condenável, pois é a junção do medo com a maldade, já o medo pode ser impulsionador, pode ser louvável. Ernest Becker baseou um dos seus conceitos em Darwin, dizendo que o medo é necessário para a evolução. Explico. O medo é a força que nos impede de ficarmos simplesmente perplexos diante do perigo, e, portanto, fadados à morte. Sentir medo faz o ser humano adaptar-se. Portanto, quem tem medo busca conservar-se vivo. Não creio inteiramente que foi esse o tom que tu deste ao medo no texto, mas penso que sem o exemplo do outro, o nosso interior é o vazio. Nada somos além de opiniões alheias acumuladas, sejam vindas de livros, de inimigos, de pessoas com que conversamos na fila do banco. Dessa forma, o medo da aceitação é necessário e natural. Já pensou o que seria a sociedade sem os regramentos que nos fazem limitados e medrosos? Não haveria temor do juízo final que nos segurasse. Precisamos do medo. Sou Hobbesiana, confesso. Congratulo o texto, pois que ainda dele discorde em alguns pontos, de seu valor encontra em mim árdua defensora, especialmente por ver no seu todo um pensamento saudável e benfazejo. Se deslindar mais considerações, faltarão tempo e paciência do leitor. Por isso deixo aqui meu desejo de um 2012 sempre novo e desafiador, para que sintamos o medo, e também para que o enfrentemos. ;*

3 de janeiro de 2012 às 01:55  
Vinicius Neres disse...

Comentário valiosíssimo Karen, mas de fato o tom do texto não era exatamente o medo em si, mas a nossa consciência e o temor de não tê-la ouvido. Sobre o medo em si, recomendo outro mais específico: http://aguiademoria.blogspot.com/2011/03/ensaio-sobre-o-medo.html. Mas talvez o motivo da nossa discórdia seja uma falta de clareza dos meus pensamentos. Quando falo em natureza do homem, renego a natureza mundana, carnal e animalesca; porque sempre tive em mente que a natureza do homem não é necessariamente aquilo que biologicamente chamamos de ser humano, de Hommo Sapiens Sapiens. A natureza de que falo é o 'ser quem tu és', é o homem em essência, não-material. Disseste que a cultura e a experiência os tornaram bons, mas renega a bondade dos jovens ou a bondade dos humildes? Acho que são independentes, e não creio que a cultura tenha interferido nisso. Caso fale de outra cultura, do zeitgeist, do conjunto moral e ético da época, mesmo assim terás que concordar que as regras morais e cívicas nunca foram amarras para um comportamento reprovável. A evolução, e a bondade e compaixão em si, são iniciações pessoais. Quando dizes que a natureza do homem é essencialmente corrupta, ainda tendo a dizer que a própria sociedade, e o advento da organização social é que tornou corrupto o homem, e dessa corrupção só será libertado no momento que o homem for livrado do próprio materialismo. Ou simplesmente da propriedade privada, como disse o Marx. De qualquer forma tenho qe concordar contigo à respeito do medo nos fazer evoluir, em gênero, número e grau. Mas jogando este contexto à proposta do texto, eis que este medo é que verdadeiramente nos libertará do medo do fim do mundo, nos fará evoluir ao mesmo conceito Darwinista: no momento que ouvirmos nossa consciência nos libertaremos; e justamente o medo de ser contrário aos nossos valores, à nossa consciência (gênese do temor pelo fim, como assim o defendi ai)é que nos levará à ouvi-la cada vez mais. Fiquei muito feliz pelo comentário, muito obrigado mesmo... Poucas pessoas se prestam analisar esses pontos e comentar isso no texto, e sei que tu és digníssima desse aspecto. ;*

4 de janeiro de 2012 às 02:20  

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