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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Ensaio sobre o medo

domingo, 20 de março de 2011

Por vezes me pego pensando sobre assuntos aleatórios; idéias que surgem, e que deixam a centelha de sua origem ali, em minha mente, crescendo e se multiplicando. Como um fruto que amadurece, pouco a pouco, essas idéias passam a unir-se e a multiplicar-se, somando-se à idéia original e desenvolvendo-a. Há não muitos dias me surgiu, em um momento de silêncio – e como geralmente as idéias vêm a mim pelo silêncio – uma reflexão sobre o medo.

Escutamos muito constantemente falar-se sobre isso quando falamos de segurança. Seja essa segurança relacionada ao nosso bem estar pessoal, à nossa vida cotidiana, ou a própria estabilidade social-financeira de que muitos classificam dessa forma. Medo. O mundo teme por si mesmo, teme por estar destruindo o seu próprio estilo de vida, teme por ser um modificador daquilo que ele mesmo cria e idealiza. Teme, simplesmente teme, e vive com esse medo ligado a si.

Já me falaram, certa vez, que o medo nada mais seria do que uma reação natural de nossa mente a aquilo que nos faça mal. De fato o conceito pode ser visto com essa mesma concepção por outros pontos de vista. Tememos perder um amigo, um amor, nossa família... Nosso status. De fato tudo isso nos faz mal, nos traz algo que não entendemos como agradável. Teme-se a morte, temem-se assaltos, teme-se o perigo. Viver com o medo, de certo modo, é algo que aprendemos desde cedo, desde que nossa consciência aflora em nosso ser. Mas e tem sentido todo esse medo?

A grande questão é que os seres humanos têm passado a viver, por razão desse medo de tudo e de todos que nos rodeiam, constantemente na defensiva. As amizades não são mais feitas do modo antigo por medo de que toda aquela simpatia vinda do alheio esconda interesses não declarados. Não se arrisca mais comprometer-se amorosamente como antigamente, temendo que, da mesma forma, esse amor traga interesses ocultos. Não se sai mais tranquilamente as noites para admirar o céu, as ruas, as estrelas, as luzes, por medo da violência. Tornamo-nos escravos do medo?

Como disse, o ser humano tem criado e destruído o seu próprio universo a cada dia, reformando conceitos, claro, mas também reformando o próprio meio onde vive. Aos poucos temos nos tornado escravos de nossas próprias escolhas, de nossa dita vida “civilizada” de sociedade. Um mundo individualista. Cada dia a unidade é mais valorizada, em detrimento do conjunto.

No fundo sabemos que todo o ser humano deseja sinceramente poder confiar nas pessoas a sua volta, deseja poder se entregar aos detalhes de sua vivência cotidiana; mas o medo nos impede. Existe maneira de nos tornarmos menos temerosos, menos defensivos com relação à nossa própria sociedade? É difícil responder. Nós mesmos construímos, dia após dia, uma sociedade em que se busca, justamente em razão de tal individualismo desenfreado, o parecer superior a todos, o destaque acima de qualquer coisa, a fama, o dinheiro, o poder. Sabemos que a gênese de cada mudança de inicia na interioridade de cada ser. A busca desenfreada por ser o melhor, sempre, tem deixado o ser humano não tão somente cego quanto aos seus semelhantes, mas também temeroso de que qualquer um, ao seu lado, na rua vizinha, ou na sala à esquerda, possa estar, nesse exato momento, lhe aplicando um golpe.

Infelizmente chegou-se a um ponto onde não se pode ter certeza da honestidade ou retidão de uma pessoa com uma simples amizade. Por isso vive-se com medo, e se teme cada gesto. Mesmo amigos de longa data, conhecidos de gerações e gerações, temem seus próprios amigos. Familiares temem seus familiares. O homem instituiu a doença do medo, de temer até mesmo aqueles a quem nós devíamos confiar mais, em cada pedaço do planeta terra. Pais ensinam seus filhos a não confiar em ninguém, a sempre ficar “com um pé atrás” para tudo que lhe fizerem. Sinceramente, isso é algo que nos torna melhores? Infelizmente a humanidade, ao mesmo tempo em que tende à evolução de consciência e da razão, tende à autofagia, tende a consumir-se a si mesma pela destruição dos valores mais sagrados e tradicionais. Em determinado momento teremos que escolher: ou tomamos o caminho da ascensão plena de nossa consciência, ou nos destruímos de vez, afogados em nossa ignorância e na bolha individualista que criamos para nos proteger no mundo, mas que acabou nos destruindo célula por célula.

Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 18:08 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Voltando à normalidade

quarta-feira, 9 de março de 2011

Fiquei tão faceiro que não poderia deixar de registrar. Parece que, inusitadamente, voltei ao normal. No texto passado ainda não havia tido esta facilidade. Confesso que o desenvolvi com bastante dificuldade. Então voilà: volto a articular meus pensamentos de forma mais concreta e objetiva, sem deixar de ter a flexibilização que esta maravilhosa língua portuguesa me permite.

Tenho tido dificuldades, confesso novamente, em escrever ultimamente. Parece-me que as palavras não têm fluido como antes, e parece que minhas idéias não têm sido muito bem articuladas. Notei isso não somente na produção de textos, mas também no modo como converso com as pessoas. Nem estímulos à minha mente não tinham funcionado. Hoje, porém, foi diferente.

Bastou-me uma conversa, um explanar de idéias, uma exposição de fatos, e de uma hora para outra parece que a jovialidade mental me veio à tona novamente. Foram tempos difíceis esses de Vestibulares. Não é saudável para a mente estar debilitada em razão disso. Nossa energia mental se concentra em uma prova, e em conhecimentos que por vezes não nos são práticos; são meramente teóricos.

Fico feliz, portanto, em voltar ao normal. Expressar-se de maneira satisfatória é maravilhoso e único. Nada substitui essa sensação de poder estar concretizando algo que se pensa. De qualquer forma, esperem de agora em diante que minha flexibilidade verbal e minha articulação mental voltem. Quem diria que precisava eu somente de uma lubrificação de idéias, de trazer de volta - lá do fundo empoeirado de minha mente em fluxo de pensamentos constantes – idéias já concretizadas. Talvez estes idéias, mesmo que já fundamentadas e embasadas, sejam o que me tornem aquilo que sou e que me mantenha a normalidade.

Grato às pessoas que me fizeram pensar hoje.

Com votos de paz profunda,

Vinicius" Neres.

Postado por Vinicius Neres às 03:18 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Um pensamento

terça-feira, 8 de março de 2011

Quando falamos da natureza de algo, pensamos e refletimos sobre este assunto, falamos não tão somente de suas funções existenciais ou de sua definição por si só. Adentramos em um vasto campo de reflexão, de igual modo, sobre sua gênese, seu princípio criador e a razão de sua existência. Falamos, por vezes, da natureza do ser humano abrangendo todas essas definições, todas essas causas e conseqüências, mas talvez, em algum ponto em que nossa capacidade intelectual de transformar aquilo que se passa em nossa mente em simples e concretos sinais gráficos fonéticos, não nos demos conta de que, possivelmente, antes de existir ser humano já houve uma idéia de ser humano.

Qual é a natureza do que chamamos de “idéia”. Qual a forma primordial, a origem e função de algo que meramente podemos definir; quiçá classificar – em certas ocasiões. Cada idéia surge de algo ainda mais fantástico e mal compreendido: o pensamento.

Ao ser humano não há nada que possa mais ostentar em sua empáfia constante do que o orgulho de seu pensamento. Diz-se animal racional, diz-se que tal maravilha o faz superior aos outros animais, esquecendo de que, dia fora animal idem, mas que, de uma hora pra outra passara a ser algo superior – ao menos em sua própria concepção – algo que superaria tudo o que estivera a sua volta.

Tal desse modo construiu sociedades, costumes, culturas, e povoou todo o seu mundo conhecido. Usou e abusou deste troféu que ergueu ao mundo como se fosse uma Carta de Alforria à exploração e uso de todos os recursos que o meio o disponibilizara. Estudou, desenvolveu seus estudos, dividiu seus estudos, ampliou seus estudos. Criou divisões dentro de suas descobertas, como se elas não fizessem parte de uma única grande obra. E cresceu, multiplicou-se, “evoluiu”, ad infinitum.

E assim deu-se a epopéia do homem. Passou a dizer que fora criado. Depois diz que de primatas surgiu. Depois já nem sabe mais donde veio. Desde quando pensa este homem? Desde quando é capaz de manifestar idéias em sua mente? Desde quando é capaz de criar, de se expressar, de aprender e ensinar? Não sabe, só pensa. Não sabe qual macaco talvez, de repente, tenha tido uma idéia. Não sabe nem sequer se já pensavam estes macacos antes. Contudo também não sabe por que, se pensam, ainda não criaram. Ou teria sido um macaco a inventar a roda e o fogo? Sabes tu?

E seguem assim, homem e pensamento, como eternos amantes que flertam e cortejam dia após dia, sem sequer saber quando e onde se conheceram. Mas ali, eternamente unidos.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 18:04 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

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