Acho que não cheguei a comentar nunca aqui que, muitas vezes, prefiro a companhia dos ditos “velhos” às pessoas da minha idade. Infelizmente a grande massa dos meus semelhantes não se dá conta do que essas pessoas nos têm a oferecer. Sua sabedoria, seu ser em si, exala experiência. Dessas pessoas ouvimos histórias dignas de roteiros de cinema. Fico surpreso de como uma conversa pode me deixar entusiasmado. Sou um grande admirador do poder das palavras, principalmente da palavra falada, que não passa por revisão, que saem nua e crua da alma de cada ser humano. Mas voltemos à imagem.
Rugas. Admiro rugas. Em grande número de casos rugas não mostram somente experiência, mas simplicidade acima de tudo. Na era das plásticas e modificações “divinas” na aparência, rugas são privilégios dos menos favorecidos. E eis a fina flor da sociedade: os menos favorecidos. Os marginas – e antes que confundam com delinqüentes, marginais são aqueles que estão à margem da sociedade, excluídos – esquecidos, ignorados. Não falo propriamente dos pobres de espírito, ignorantes, delinqüentes, estúpidos, vis, e inúteis de vagam por essas ruas. Estou falando de pessoas simples, que em sua simplicidade trazem a mais profunda sabedoria da vida. A grande maioria destes é idosa, que nem por seus filhos e netos mais são lembrados; mas que bastam alguns minutos com eles para que se possa renovar a alma e ser favorecido com uma dos mais belos conhecimentos da humanidade: a vida. Sim, meus amigos. Essas pessoas, que não são aqueles velhos reclamando de suas dores e doenças, exalam vida. E enquanto mais os anos passam mais vida essas pessoas podem proporcionar a outras pessoas.
Porque não se pode absorver vida enquanto somos jovens? Porque não sentar e ouvir por horas e horas essas pessoas tão simples, mas de sabedoria e essência tão profunda. Porque não aproveitar cada fração daquilo que eles têm a nos proporcionar? Infelizmente ficamos, muitas vezes, tão absortos em nossa vidinha social de festas juvenis, bebedeiras irracionais e coisas sem sentido, que não nos damos conta que uma grande parte do mundo, e talvez a parte mais sábia, está perdendo a vida a cada segundo sem que nós tenhamos aproveitado o que têm a nos oferecer.
Fica o toque.
Agradeço ao blog que me proporcionou essa imagem e o gérmen daquilo que seria esse texto.
Gratidão á: http://bidimensional-sushie.blogspot.com/




