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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Análise Econômica da Sociedade Contemporânea

terça-feira, 27 de outubro de 2009



Quando falamos a respeito da Segunda Guerra Mundial – um conflito sem dúvida impar na história da humanidade – nos vem à mente, quase unanimemente, um acontecimento chave para o fim desse conflito. Na verdade, um acontecimento “bifurcado”: dois atos idênticos, contudo em datas e locas distintos. As bombas atômicas de urânio e plutônio lançadas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram marco do início de uma era de tensas relações internacionais; e que é denominada pelos historiadores de Guerra Fria. Esse confronto colocou em cheque – mesmo que sem conflitos armados diretos – as duas maiores potências econômicas e ideológicas do século XX: URSS e EUA.

Sabemos que essas duas potências lutaram juntas na segunda grande guerra, entretanto nem por isso suas relações eram mais amistosas. Apesar de aparentemente companheiras, essas potências travavam guerras implícitas para estender suas áreas de influência sobre o globo. A principal divergência que as colocava em conflito eram seus sistemas econômico-governamentais. Enquanto a Rússia tinha o Socialismo como fundamento, os Estados Unidos da América glorificavam-se da liberdade do sistema Capitalista e Liberal.

A análise desses sistemas é complexa. São sistemas idealizados por diversos teóricos, que durante o séculos modificaram, estudaram e aperfeiçoaram as teorias governamentais que regem esses dois sistemas.

Na questão Socialista, sem dúvida o teórico mais respeitado e estudado é Karl Marx. Marx, apesar de ser classificado como um Socialista, pode ser facilmente estudado como um teórico Capitalista. Explico: A principal obra de Marx, o Capital, apesar se ser citado por muitos como a fonte da organização governamental Socialista, é uma obra que analisa sistematicamente e da forma mais detalhada possível o Capitalismo Europeu do século XIX. Sem dúvida uma obra prima da Economia, a análise de Marx, apesar de apaixonante, é imparcial, analisando a formação da sociedade fundamentada na busca de lucros e na industrialização. A organização do governo Socialista coube, não a este homem, mas a outro que analisou sua obra, e fez das conclusões de Marx uma base para a formação de um estado nacional: Lênin.

Não seria viável fazer uma análise das duas potências mundiais do século XX nesse ensaio, já que os estudos sobre ambas são de um volume imensurável. O que nos interessa nesse momento são as ideologias por trás dessas potências.

O fato, como se admite certos historiadores e estudiosos, é que Marx, em sua obra, não considera a flexibilidade do sistema. Vê o capitalista como um ser que vive, pensa e busca incondicionalmente o capital e seu crescimento. Como escreve um determinado Editor de uma publicação que resgata o resumo feito por Carlo Cafiero - um anarquiesta italiano - da obra prima de Marx, “(...) Marx não estava errado na sua interpretação econômica, mas na suposição de que as atitudes psicológicas e sociais eram fixas e inalteráveis. (...)”. Para Karl Marx é inconcebível a doação de fundos de uma grande empresa para Organizações que ajudam as pessoas mais necessitadas, com essa empresa negando o direito de administrar esses fundos. Para Marx é inconcebível que o sistema formado por Capitalistas dê assistência ao proletário. Nisso consiste o erro de Marx. A nossa sociedade não estava prevista em seu estudo. Como esse mesmo Editor escreve “(...) No Novo mundo, porém, surgiram novas atitudes: a idéia da democracia, a idéia de um governo imparcial procurando reconciliar os interesses diversos, a idéia da luta de classes sem guerra de classes. O governo norte-americano tem freqüentemente mostrando leves indícios de um interesse de classe, mas dificilmente esse interesse se manifesta abertamente pela imposição. Para Marx, essa situação teria parecido apenas uma fantasia bem intencionada. (...)”.

O passar dos anos permitiu que o modo de vida e de pensamento da população se modificasse, e um sistema híbrido se estabelecesse. A luta contra os grandes proprietários era a única alternativa em uma Inglaterra do século XIX em que crianças com menos de 10 anos trabalhava até 18 horas por dia. A estrutura social se modificou. Mesmo quer o sistema aplicado não seja perfeito, a cada dia que passa ele se encaminha para que se torne assim. É concebível que poucas pessoas tenham muito, desde que o grande montante de impostos que estes pagam seja aplicado racionalmente para que os menos favorecidos tenham uma vida digna. Se os sistemas públicos de Educação, Cultura, Saúde e Residência funcionarem como foram planejados, a desigualdade social será ínfima, e todos terão a liberdade de buscar o próprio sucesso financeiro com a garantia de que os órgãos públicos já lhe garantem uma vida tranqüila.

Marx não previu o salário mínimo, o seguro desemprego, o auxílio maternidade, a jornada de trabalho de 8 horas, a proibição do trabalho infantil; conquistas que a sociedade moderna adquiriu. Citando novamente a introdução do resumo d'O Capítal “(...) não é com o Marx revolucionário que o Capitalismo terá que lutar finalmente – é com o Economista, o estudiosos que procurou provar laboriosamente que a essência do capitalismo é a autodestruição. A resposta a Marx não está tanto em demonstrar que as injustiças do comunismo como em assinalar que, numa atmosfera social nunca sonhada por Marx, o capitalismo pode sobreviver e florescer.”. Quanto a isso, ao menos teoricamente, acredito que a sociedade do século XXI conseguiu provar. O Capitalismo pode sim sobreviver e florescer sem que o abismo social seja tão grande. Sim, é verdade que teoria e prática são coisas distintas, e que não conseguimos atingir perfeitamente essa realidade – ainda mais no Brasil. Todavia a luta social e a participação do povo nas decisões nacionais nos encaminharão a um futuro próspero e promissor.

Vinicius" Neres


Obra: La liberté guidant le peuple - Eugène Delacroix

Postado por Vinicius Neres às 20:47 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

Estrela das ruas

Ali ele vivia. Ali ele andava. Vagava nas noites frias. Rastejava nas noites quentes. Mas ali era seu lar, o lugar onde escolheu viver, o lugar d’onde optou por ficar. Era difícil aquela vida, mas tinha seus prazeres. As noites de inverno eram aquecidas com a cachaça que passava de mão em mão na roda de mendigos. Interessante era ver aquela cena. Interessante é ver como é maior o companheirismo e a compaixão entre os que menos têm a partilhar. Ele era poliglota, falava cinco línguas. Tinha um talento indescritível nos palcos. Deixara críticos boquiabertos com sua genialidade. Extrapolava no palco, fazia daquele pequeno tablado seu mundo. Seu mundo agora era a rua, e a rua era um mundo inteiro. Nem se recordava como chegara aquele ponto. Talvez a influência de seus próprios colegas, ou a curiosidade digna da juventude áurea daqueles tempos. Sua vida era burguesa. Lera os maiores autores de línguas estrangeiras de todo o mundo. Deliciara-se com o cheiro de tinta das obras de Shakespeare, no inglês puro e original, devaneara na melancolia de Goethe lendo Werther, e Charles Baudelaire dava vida à suas noites solitárias da adolescência. O vício o pegou de surpresa. Sabia que estava exagerando, e que a cocaína não deveria ser consumida em tão grandes doses. Perdeu a linha, a concentração e a carreira artística. Tentou outras atividades, ensinar línguas, ensinar música, teatro... Mas a sua aparência de eterna ressaca desencorajava qualquer que fosse o aluno ou pai. Tentou a vida na mata, mas as crises de abstinência quase o mataram. Não suportava aqueles suores e tremedeiras. Tentou os trabalhos braçais, foi trabalhar como minerador, como pedreiro, mas os vícios do corpo e da alma consumiam-lhe cada centavo ganho e o deixavam indisposto para essas atividades. Tentou voltar à sua família, mas seu estado físico e psicológico não era mais aceitável a um ser humano. Estava só no mundo. Abrigou-se no Brasil, perto de sua terra natal. Estabeleceu-se em Porto Alegre, e lá juntou uma horda de caminhantes que ficavam estarrecidos ao vê-lo, quando já passado da linha da sobriedade, gritar frases soltas em alemão e francês. A erva que conhecera em Amsterdã, em festas que nunca imaginara participar, era agora tão comum naquele meio como a água-ardente que dividia com seus companheiros. Dormia sob as estrelas, envolto em uma caixa de papelão. Acordava somente quando o sol do meio-dia era quente e incomodativo demais. As esmolas que recebia serviam apenas para os vícios. Raramente comia, quando, em ocasiões que nem ele lembrava, davam-lhe restos de alimentos. Era um marginal. Antes aplaudido pela elite, agora era desprezado até pelos mais miseráveis. Conheceu o crack. Seu corpo frágil, já nem mais tão jovem, tão bem construído outrora, foi apunhalado e corroído, agora com uma intensidade nunca antes experimentava. Dois meses. Morreu. Parada cardiorrespiratória. Seu corpo indigente ficou esticado naquela rua durante horas. Uma multidão passou e nem sequer desviou o olhar para aquele corpo sem vida. Morrera à noite. Na tarde do dia seguinte o corpo de bombeiros foi chamado. Os companheiros mesmo acionaram a ambulância, e o sol já propiciava um odor de putrefação característico. Hoje seu nome poderia estar sendo chorado por multidões. Hoje homenagens internacionais poderiam ser prestadas. Mas nada disso seria feito. Era agora somente um marginal, um ignorado e esquecido. Indigente. Só.

Inspirado por acontecimentos autênticos.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 20:32 0 comentários  

Marcadores: Crônicas e Contos

Gestação mental

domingo, 25 de outubro de 2009


Um caminho escuro de se estende sob minha frente. O futuro é incerto. Sinto talvez não ter feito a coisa certa. Temo ser mal compreendido. Temo que os meus motivos sejam considerados vis. Tudo a minha frente é incerteza, mas o primeiro passo foi dado. Tenho medo. Temo ter magoado pessoas. Temo que elas não me compreendam. Sou inseguro, sim. Sou seguro e confiante somente por fora. Uma aparência, apenas. Não sei que rumo tomar, apesar de apenas um se desenrolar a minha frente. Dei os primeiros passos. Sabia o que estava fazendo; contudo sentir realmente aquilo que somente se deduz é algo completamente diferente. Será que fui egoísta? Será que meus motivos foram somente para suprir um desejo de ser o centro de tudo? Não sei. Não sei mais. Mas as decisões foram tomadas, as considerações feitas, e agora todos já sabem dos meus planos. Não são planos ruins afinal, só pensei no bem estar e no crescimento daqueles que me rodeiam. Fiz certo? Tomei as decisões certas? Tentei fazer com que tudo não parecesse uma decisão isolada, um desejo desvirtuado... Mas é impossível não surpreender. Tenho medo de ser mal compreendido apenas. Será que me apoiarão? Será que conseguirei cumprir aquilo que idealizo? Sou inseguro, como disse. Apenas controlo minha insegurança. Não transpareço que sou dependente da aprovação de todos. Sou um qualquer como qualquer outro. A aprovação dos outros me move também. Tudo à minha frente é obscuro. O futuro é incerto. Aqueles de quem mais admiro, apesar de alguns classificarem como menos preparados do que estou, talvez não consigam ver o que vejo. O mundo é complexo. Pessoas são complexas. Procurei sempre agradar a todos, mas creio ser impossível. Mas tentei. Dai-me sabedoria e humildade para seguir em frente, e permita-me ser compreendido ó Senhor de todas as coisas do céu e da terra. Sigo em frente. Voltar é impossível. Não quero ser hipócrita. Não gostaria de ser interpretado como egoísta, mas parece que isso é que sou. O clima de espanto se espalha, e acredito ser cada vez menos compreendido. Queira Deus que eu tenha forças, e que não afaste de mim pessoas que admiro e que vejo com grandes expectativas. Talvez seja eu uma cópia daqueles de quem tanto critiquei. Apenas um ditador disfarçado impondo minhas vontades. Será que sou isso? Não sei mais qual é a natureza de minha alma. Pensei que conhecia a mim, mas agora compreendo que o conhecimento de si é algo indispensável, mas dificílimo de alcançar. As pessoas passam grandes períodos, ou talvez até a vida toda, sem saber quem realmente são. Não me conheço. Não sei quem sou. Não sei a natureza de minh’alma. Só sei que vivo. Sinto-me leve agora. O que me angustiava agora está todo neste pequeno período léxico que se inicia linhas atrás. Talvez eu leia isso novamente daqui a algum tempo, e compreenda o que se passa em minha mente conturbada. Nietsche nos dá conselhos valorosos quando nos instiga a conhecer a nós mesmos. Só sei que meus motivos não foram torpes nem vis. Não pensei em mim. Não quero que o foco da luz fique em mim. Somente temo que isso não seja entendido, como já disse. Mas temo, temo muito isso. Espero que me compreenda caro texto. É tu a natureza do meu pensamento, ainda que falho – pois palavras nunca dizem exatamente aquilo que pensamos. Mas aproximam-se bem disso. Estão conturbadas e desorganizadas como minha mente e espero que a organização delas me dê luz, força, e sabedoria para completar aquilo que iniciei. É isso. Não esperem mais. Não consigo pensar em nada mais que explique tudo isso. Tudo isso foi uma gestação. Enfim nasceu. Boa Noite!

Parido de minha mente na madrugada de Sábado, 25 de Outubro de 2009.
Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 01:13 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

A incapacidade de ser verdadeiro

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça: “Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia."
Carlos Drummond de Andrade

Postado por Vinicius Neres às 23:10 0 comentários  

Marcadores: Textos de terceiros

"Não vá o sapateiro além do sapato"

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

De José Maurício Guimarães


Depois que Vanusa apresentou a mais estapafúrdia interpretação do Hino Nacional Brasileiro, o país acordou para uma série de polêmicas sobre a obra de Joaquim Osório Duque Estrada (letra) e Francisco Manuel da Silva (música).

Ouvi dizer que Carlos Heitor Cony aproveitou a onda. Não sendo músico, disse que a melodia é bonitinha, mas a letra é complicada, difícil de ser memorizada e compreendida por parte dos jovens. "Os Lusíadas", "Os Sertões" e "Matéria de Memória" também são de difícil compreensão por parte dos menos letrados; difíceis de serem memorizados e, até certo ponto, complicadíssimos. Nem por isso devem ser mutilados, reduzidos ou resumidos. Pândega geral na terra de Cabral! Patuscadas!

Quanto aos jovens, garanto que eles sabem de memória os roteiros dos mais complexos games, as imbricadas senhas e labirintos da internete. Façam um teste: todos sabem que Sepp Maier, Karl-Heinz Rummenigge, Rudi Völler, Michael Ballack, Miroslav Klose, Andreas Brehme, Oliver Kahn, Andreas Möller, Karlheinz Förster, Wolfgang Overath, Bernd Schneider, Torsten Frings e Harald Schumacher são jogadores de futebol na Alemanha. Quem pensava que eram músicos da Orquestra de Câmara de Berlim, errou! Portanto, não há desculpas. Parem de reclamar que nosso Hino tem duas partes. Se "La Marseillaise" tem sete partes incluindo um "couplet des enfants"; se o do Estados Unidos da América, "The Star-Spangled Banner", tem 4 estrofes enormes, por que nosso Hino haveria de se contentar com menos?Parece que essa gente está apressada para acabar logo a música e atacar no coquetel. E ninguém reclama dos malditos discursos dos puxa-sacos que alongam desnecessariamente as solenidades.

Extravagância: Em recente programa da CBN, uma respeitável senhora apareceu com uma "letra" para a introdução do Hino. Achei admirável o vigor daquela senhora e o entusiasmo com que ela defende o civismo. Ela está certíssima. Mas, essa "letra de introdução" é pirataria. Por descuido das autoridades, a monstruosidade foi contrabandeada para dentro do Hino por volta de 1880. A façanha foi atribuída ao Exmo. Sr. Dr. Américo de Moura Marcondes de Andrade, político que presidiu as províncias do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Devia viajar de cá prá lá o tempo todo. Visando matar o proverbial tédio dos políticos e não conhecendo nada sobre a estrutura das marchas, o Exmo. Sr. Dr. bolou uma letra canhestra para a introdução. O monstrengo tem mais sílabas do que as notas musicais da melodia; o efeito final é ridículo. Um monstro de Frankenstein cheio de emendas e parafusos. Haja língua e glote para pronunciar aquilo tudo em tempo marcial: "Que todos cumprais(sic!)...Gravai o buril Nos pátrios anais...Eia avante!...O lábaro erguei!...Eia sus, oh sus!" Felizmente, excluíram esse mau gosto e o "sus" que faz lembrar o Sistema Único de Saúde.

O compositor Francisco Manuel da Silva fundou o Conservatório do Rio de Janeiro, origem da atual Escola de Música da Universidade Federal. Foi regente do Teatro Lírico Fluminense, cantor da Capela Real, integrante da orquestra da mesma instituição, violoncelista na corte de D. João VI, violinista, e organista. Organizou e dirigiu conjuntos musicais, destacando-se como regente e primeiro incentivador do ensino musical no país. Respeitemos esse brasileiro. Grande conhecedor dos estilos musicais da época, jamais teria admitido "letra" numa introdução orquestral; isso não existe nem aqui, nem na Republiken Lettland nem em Isla Navarino. Dessa forma, Francisco Manuel da Silva e o poeta, crítico literário, professor e ensaísta brasileiro Joaquim Osório Duque Estrada jamais pensariam numa presepada desse quilate: letra na introdução!
O que está valendo é o texto e música oficializado pela lei nº 5.700, de 1 de setembro de 1971, publicada no Diário Oficial de 2 de setembro de 1971. Dura lex sed lex. Cumpra-se!

Não nos deixemos iludir. Deixemos, sim, de lado, as palavras cruzadas que não ajudam na preservação da memória. Mas, procuremos decorar nosso Hino para preservarmos a memória nacional. "De cór" significa "de coração".



Texto original: http://zmauricio.blogspot.com/2009/09/nao-va-o-sapateiro-alem-do-sapato.html

Postado por Vinicius Neres às 17:25 0 comentários  

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