A revolução da energia limpa
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
A constante e sucessiva busca por energia no mundo contemporâneo é algo banal em nosso dia-a-dia. Fontes de energia, métodos para seu melhor a aproveitamento, e pesquisas e teses sobre o assunto são fundamentais para que estude e se aproveite os recursos energéticos que a natureza nos oferece. O maior problema de tudo isso, contudo, é que o uso desenfreado das fontes de energia que a natureza nos disponibiliza está destruindo-a, e por conseqüência esgotando esses mesmos recursos. A conciliação entre desenvolvimento e responsabilidade ambiental, hoje, figura entre os maiores problemas a serem solucionados pelos grandes pesquisadores.
No meio de todo esse conflito nos perguntamos: Qual será a solução? O que suprirá a demanda energética que cresce geometricamente ano após ano? E o pior. Como é que faremos isso sem desgastar a fonte provedora de tudo isso, a natureza? A cultura da utilização de combustíveis fósseis e usinas termoelétricas no mundo – uma vez que o Brasil é uma exceção por obter a maior porção de sua energia elétrica por usinas hidrelétricas – é algo impregnado no cotidiano do ser humano. Esse apego, essa cultura é a maior barreira a ser transposta por essa “Revolução Energética”. Os combustíveis fósseis – petróleo, carvão e gás natural – são a matéria prima para a fabricação da vida como a entendemos hoje.
Pensando nisso, e cientes de que todo esse consumo excessivo de energias não-renováveis não será perpétuo, há anos cientistas vem apresentando soluções para o problema da carência energética. Na questão das termoelétricas, sabe-se que com a queima do carvão, ou do gás natural, há produção de gases causadores do efeito estufa – e todos os eventos relacionados que presenciamos constantemente nos noticiários. Sugere-se como solução a substituição dessas usinas, bem como das usinas termoelétricas nucleares – problemáticas por sua produção de lixo radioativo – por usinas hidrelétricas. Apesar do impacto ambiental local dessas construções, uma vez que é necessário o deslocamento da fauna do local da formação do lago da usina, a maior vantagem desse tipo de energia, e que se sobressai entre todas as usinas de produção de eletricidade, é a produção de energia sem poluir o meio ambiente; sendo ela classificada como energia limpa por isso.
No caso dos combustíveis fósseis, pode-se dizer que o Brasil anda a passos largos nessa tecnologia. Além de nosso já conhecido Etanol – chamado popularmente de Álcool combustível – a tecnologia produzida em solo brasileiro de produção do chamado biodiesel é revolucionária. Segundo o site do governo federal, “O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido (...) a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais, existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como mamona, dendê (palma), girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja, dentre outras. (...)”. Em síntese, a qualidade principal do biodiesel é não agredir a natureza através de sua degradação natural e rápida. Hoje, o Brasil já adiciona cerca de 2% de biodiesel no óleo diesel comum - mistura chamada de B2 - e através disso, gradativamente está incluído esse combustível alternativo na vida do povo brasileiro.
O que se deve observar também é que a preservação ambiental e o aproveitamento sustentável de energia não ocorrem somente em grandes escalas. É possível, e importante, que nós, pessoas comuns, ajudemos nessa batalha. Atitudes simples como a utilização de aparelhos de baixo consumo de energia elétrica e a troca de lâmpadas incandescente por lâmpadas fluorescentes é prático, fácil e fundamental. O caso das lâmpadas, tomando por exemplo, é muito expressivo. As lâmpadas fluorescentes têm durabilidade dez vezes maior às incandescentes - as tradicionais e praticamente imutáveis desde Thomas Edison - uma vez que estas aproveitam melhor a energia utilizada, já que a transformação da energia elétrica é muito mais aproveitada em luz do que em calor - fator que faz superaquecer aquelas e diminui a sua durabilidade.
Por fim, deve-se observar que a transição energética de que tanto necessitamos não é algo fácil. Pelo contrário, a mudança do modo de vida da população é extremamente desgastante e árduo. Porém, acima de tudo, essa mudança é necessária para que nossos hábitos de consumo e conforto de perpetuem. A demanda de energia cada vez maior assusta estudiosos do mundo inteiro, principalmente por causa dos impactos ambientais que o método de produção energética atual causa. Por isso devo reafirmar: primeiro mudam-se conceitos, para mudar hábitos, e por conseqüência, mudar todo um sistema já incorporado à nossa vida. Em resumo: a mudança precisa partir de nós. É nosso dever mudar o sistema atual para que possamos manter nossa existência. E isso precisa começar agora!
Vinicius" Neres
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Vergonha nacional
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Os recentes fatos no Senado federal entrarão na história do Brasil como talvez a série de acontecimentos mais vergonhosos de nossa história. Fatos, discussões e atitudes sem precedentes são presenciados, dia após dia, na mais alta casa legislativa brasileira. O único problema é que isso se tornará banal, e ninguém se lembrará desses acontecimentos em não muito tempo. Sábio foi Nelson Rodrigues ao dizer que o povo brasileiro não tem memória.
Apesar das tentativas de reabertura das representações e denuncias contra José Sanery pela oposição, nada disso foi conquistado, e o presidente do Senado saiu ileso. O que mais causa indignação é que, para que as investigações seguissem adiante, precisava-se dos votos da bancada governamental do PT. Esse partido, na condição de poder que agora ocupa, deveria ser o primeiro a requisitar investigações de denúncias tão sérias quanto às dirigidas à Sarney. Contudo, com medo de perder o apoio do PMDB, e todo o controle das casas legislativas que ele representa, a recomendação do governo foi para que os votos dos Senadores petistas fossem contra a investigação; recomendação de fato seguida pelos Senadores votantes. Essa medíocre atitude fere as origens petistas, e zomba dos eleitores fiéis ao partido. É visto que o partido dos trabalhadores já não é mais o mesmo.
O povo brasileiro, em toda a sua inércia racional e reacional vive, lê e convive com esses fatos como algo banal. Hoje em dia poucas coisas causam espanto mesmo. Cada vez mais, coisas anormais são encaradas com naturalidade; e isso somado a amnésia coletiva da população, torna o Brasil um paraíso político e comportamental para falcatruas e atitudes abomináveis.
Em que lugar em toda a face da terra um ex-presidente da República que sofreu impeachment e um ex-presidente do Senado – que se obrigou a afastar-se do poder por denúncias de corrupção e irregularidades administrativas – têm coragem de defender um colega parlamentar de acusações de corrupção? De onde surge todo esse descaramento? Certamente da certeza de que basta ficar quietinho e discreto que a população brasileira varrerá os seus escândalos e falcatruas da mente coletiva brasileira. Assim foi Collor, assim foi Renan Calheiros, assim foi Daniel Dantas, o “mensalão”, a CPI dos Correios e suas derivadas... Assim foi a Ditadura Militar. Esquecida. Bendita é a mídia que vez ou outra nos lembra de tudo isso, mas nem os jornalistas, pobrezinhos, dão conta de nos lembrar do passado com tantas novidades que surgem dia-a-dia nessa imensurável fauna parlamentar brasileira.
Enquanto isso Sir Ney continua seu triunfo, Lula continua a insistir em Dilma Roussef, os petistas continuam a decepcionar-se, e nós, povo, seguimos com nossa vida. Afinal, do que podemos reclamar? Quem os empregou fomos nós.
Vinicius" Neres
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Um pensamento
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu."
Fernando Pessoa
Postado por Vinicius Neres às 16:51 0 comentários
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Mediocridade mental
domingo, 9 de agosto de 2009

Prometi falar-lhes de intolerância. Pois hoje li algo, nesta abençoada e maldita rede, que me deixou indignado. Extremamente indignado. Indignado a ponto de me motivar a escrever novamente aqui. O assunto sobre o qual o texto que me deixou indignado não vem ao caso agora, mas a afirmação feita no texto sim. O autor da asneira, chamado Everth, um cristão católico fanático, afirmou algo que me deixou fora de mim. Ele disse que a intolerância não á algo ruim, pois não devemos tolerar as coisas que vão contra a doutrina cristã. Que a inquisição não foi perversa, que nunca foi injusta, que só estava condenando os infiéis pois eles não estavam de acordo com a verdade absoluta, que é a verdade cristão-católica. Disse que as mortes foram apenas deslizes e que nada que foi feito pela inquisição foi grave. Agora me digam: Isso é aceitável? Um ser humano de 14 anos defendendo cegamente a barbárie que foi a Igreja Católica na Idade Média, dizendo que aquela podridão de espírito, que todas aquelas mortes injustas, mulheres torturadas e tendo seus membros quase arrancados dos corpos por simplesmente serem suspeitas de serem bruxas, porque faziam chás para curar seus filhos doentes, e os verdadeiros doentes, os doentes de alma, dizendo que a salvação não estava no chá, mas apenas no perdão dos pecados e nas orações feitas a pobre criança que nem mesmo tinha noção do mundo. Onde fomos parar! Isso é ultrajante, indignante, mórbido. Isso é horrível. O meu estado de indignação é indescritível. Pelo amor de Deus. O fanatismo cega, o fanatismo atrofia a intelectualidade dos seres humanos. Sejamos gente, seres humanos. Como é que se permite isso nos dias de hoje? Vemos pessoas morrendo, pessoas sendo perseguidas apenas por intolerância. Intolerância religiosa, intolerância étnica. O ser humano é medíocre, o ser humano é sujo. Acha que suas opiniões são verdades absolutas. Nenhuma verdade é absoluta, e o conhecimento sobre tudo é impossível. Não podemos admitir que fanáticos como esse disseminem a intolerância assim. No oriente médio, todos os dias, pessoas morrem porque a intolerância religiosa não lhes permite entrar em acordo. A intolerância étnica foi responsável pela morte de milhões de judeus, e negros e outros na Segunda Guerra Mundial. Será que não é perceptível que a Guerra Santa medieval travada pela Igreja Católica e a Guerra Santa Contemporânea são ignorâncias pregadas por mentes medíocres, mentes fétidas, podres, que não pensam além de seus velhos conceitos imutáveis e indiscutíveis. Isso é uma vergonha, é o que me enoja nos seres humanos, e o que me enoja na internet. Qualquer sujeitinho medíocre escreve barbáries. Maldita seja a democratização da escrita. Essa democratização permite que se escreva tudo. Os blogs não são vasos sanitários. A escrita é para ser usada como instrumento de intelectualidade, e não de atrofia mental. Chega disso, chega! Disse Ulysses Guimarães que "Na ditadura, à sombra de Marco Aurélio, pululam e ficam impunes os Calígulas sangüinários, os Torquemadas da Inquisição e da intolerância, os enxudiosos Faruks da corrupção”. Não deixemos que uma nova ditadura se instale, e que isso venha à tona novamente. Sejamos contra a ditadura da Intolerância e da Mediocridade.
Que Minerva me dê Sabedoria o suficiente para processar tanta asneira, e que Moria seja generosa o suficiente para me permitir o esquecimento e a tranqüilidade.
Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que dizem.
Que Minerva me dê Sabedoria o suficiente para processar tanta asneira, e que Moria seja generosa o suficiente para me permitir o esquecimento e a tranqüilidade.
Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que dizem.
Vinicius" Neres
Postado por Vinicius Neres às 17:20 0 comentários
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