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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Nigredo, Albedo e Rubedo

domingo, 26 de agosto de 2012



Alquimia é a arte e ciência que procura a transformação do corpo e da mente com a finalidade de converter, o indivíduo que a pratica, num canal cristalino para uma nova consciência. Essa consciência, diferentemente daquela que está presente no homem natural, outorga uma percepção do mundo na qual a unidade é a característica fundamental. O alquimista percebe o elo indivisível entre o Criador, o Universo e a Natureza Humana. Esse novo “estado de ser” foi conhecido pelos antigos como a descoberta e desenvolvimento da Pedra Filosofal.

Foi chamado assim, pois em hebraico, pedra é EBEN, sendo que a primeira parte da palavra constituída pelas letras Aleph e Beth formam a expressão AB que se traduz como “pai”. A segunda parte da palavra está constituída pelas letras Beth e Nun, as quais formam a expressão BEN que se traduz como “filho”. Dessa maneira, os antigos alquimistas ocultaram no simbolismo da Pedra Filosofal o conceito místico da união do Pai com o Filho, várias vezes repetido na Bíblia, tanto nas escrituras hebraicas do Antigo Testamento como nas grego-cristãs.

Esta é a Pedra Fundamental que na Bíblia é mencionada como “recusada pelos construtores”. Efetivamente, enquanto o ser humano comum pretende construir sua vida a partir dos efeitos do mundo sensorial, o alquimista reconhece o plano das causas, o nível espiritual profundo: a consciência. Sobre essa “rocha”, a mais sólida de todas, pois a consciência nunca muda nem se vê submetida às mudanças do mundo físico, o Filósofo da Arte trabalha sua personalidade, transformando adversidades em circunstâncias de crescimento favorável em todas as facetas de sua vida.

Uma vez atingida a Pedra Filosofal, isto é, uma vez reconhecido o foco de consciência interna ou o verdadeiro EU SOU em seu interior, o alquimista consegue transmutar o Chumbo em Ouro, isto é, mudar um estado de consciência limitado e pesado, em outro resplandecente e brilhante. Nessa “transmutação metálica”, o chumbo, metal associado ao planeta Saturno, representa o estado inferior, animalizado, no qual a consciência humana se vê limitada às condições de tempo e espaço. O chumbo é o estado de sofrimento produto da ignorância ao respeito de nossa natureza divina. O ouro, um metal solar, tem a conotação de integração, pois o astro central de nosso sistema planetário sempre representou a fonte de vida e regeneração da espécie humana.

Com esse poder renovador funcionando em seu interior, conhecido como a Medicina Universal, o alquimista pode, por meio da força do Amor Incondicional, integrar sua personalidade. Será graças à aplicação dessa força harmônica que chegará no ponto em que atingirá a perfeita saúde física e mental. Nesse estado o alquimista descobre o Elixir da Longa Vida, o reconhecimento de sua essência eterna e infinita, com o qual poderá recodificar seu próprio corpo físico, libertando-o da prisão da carne, isto é, dos resíduos da genética animal que o condena à morte e assim ao renascimento.

O objetivo final, que é a culminação do que se chama Grande Obra, tem lugar no momento em que sua integração com o Cosmos e o Criador é tal que seu corpo chega a um estado de total espiritualização. Em dito momento o alquimista se liberta e ascende, através dos planos de existência, em direção a um estado de ser onde as condições são de plena bem-aventurança em comunhão com o infinito.

Três são as etapas básicas no desenvolvimento alquímico. Neste ponto é importante ressaltar que existem diversas classificações, bem como diversas óticas no uso da Alquimia.

Existe assim, para resumir, uma Alquimia Interna e outra Externa. Neste texto estamos tratando a Alquimia Interna, isto é, aquela que transmuta a personalidade do alquimista. Uma vez realizada a Alquimia Interna se torna fácil entrar na Externa na qual o alquimista é capaz de modificar o “mundo material”. Literalmente, se for necessário, poderá transmutar chumbo físico em ouro. Mas isso nada mais é do que um símbolo da capacidade que o alquimista adquire em seu domínio do plano físico, o qual pode resultar milagroso para aqueles que não compreendem a raiz de seu poder.

Agora, voltando às etapas da Alquimia, podemos dividi-las em três: NIGREDO, ALBEDO e RUBEDO.
A primeira fase é a de ignorância e a do crítico acordar. É pela qual todos nós, em momentos importantes de transformação biológica, passamos de maneira natural. Nesta forma vem como nascimento e morte, ou bem aparece nas transformações que o corpo sofre na transição entre menino e adolescente, ou deste a jovem e daí à clássica crise dos quarenta ou à velhice.

Não obstante, o alquimista ativa por seus próprios meios o processo de transformação mais importante: a morte do ego ilusório. Durante vidas nos identificamos a uma infinidade de conceitos e intentamos faze-los rígidos, estáticos. Refugiamo-nos numa torre de apegos que em vão tentamos defender dos estragos da mudança perpétua ao que se vê submetido o mundo material.

Durante essa fase, de autêntica putrefação de antigos padrões habituais de comportamento, perfila-se pouco a pouco o alvorecer de um novo estado, no qual nossa verdadeira natureza se revela.

Este é ALBEDO, palavra que provém do termo latino “Alba”. Saindo da escuridão das nossas próprias sombras, entramos na dimensão da plena objetividade, em que o momento presente surge como a única realidade na qual vivemos. Vivendo nesse estado o corpo se transforma gradualmente até chegar a uma completa regeneração que ocorre paralela à purificação da alma que nos leva a ALBEDO, pois mente e corpo são partes de uma realidade indivisível e o que sucede em um, tem seu reflexo no outro.

A regeneração, em seu momento definitivo, nos leva ao estado de RUBEDO, o “vermelho”. Neste estado a iluminação se faz patente, um mundo novo se abre ante o “olho interior” e o estado de consciência cósmica se estabelece definitivamente. É a fase de contato pleno com a eternidade e a retificação total da alma. A Grande Obra se vê cumprida e o alquimista, cheio de amor por todos os seres, dedica-se a emanar luz a seus colegas, contemplando-os compassivamente desde as alturas da mais alta realização.

Texto do frater Juan Carlos Romera

Postado por Vinicius Neres às 15:10 0 comentários  

Marcadores: Textos de terceiros

Define-te, ou te destrói

quinta-feira, 2 de agosto de 2012


"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou"


Não é a primeira vez e nem a última que essa música, Metamorfose ambulante, do Raul Seixas, me vem a mente. Especialmente esse trecho sempre me salta a mente, talvez pela semelhança com vários aspectos da minha vida, ou talvez pela simples força do significado dessas palavras. A idéia fixa de duas importantes definições de nossas vidas, o amor e o próprio ser, são dois grandes pilares da construção de nossa identidade; dois grandes questionamentos que ora ou outra nos deparamos.

O tempo nos traz a dúvida, e a esse ponto sabiamente disse Oscar Wilde quando proferiu “não sou jovem o suficiente para saber tudo”. O tempo constrói em nós as incertezas daquilo que somos, e daquilo que desejamos; e de fato esta é uma benção aos buscadores da verdade. A dúvida é uma dádiva, sim, porque nos permite sempre somar e construir um pensamento mais aprofundado sobre cada coisa à que questionamos, ampliando o nosso horizonte de compreensão de um assunto determinado. Deveras já reclamei por outras vezes do quão cansativo é viver essa constante reconstrução de si mesmo, mas agora tenho algo a acrescentar à tal afirmação: com o tempo, a falta de uma definição sobre as coisas, uma flexibilidade imediata e exagerada sobre qualquer assunto, pode ter um efeito reverso daquele de estar sempre suscetível à mudança, daquele de poder ampliar sempre mais a sua visão à respeito de um assunto. Pelo contrário, o excesso de posicionamentos amorfos pode enfraquecer aquele que os detém, tornando-o fraco. São os dois lados da moeda: sim, é preciso ser flexível, é preciso estar aberto à crítica, mas também é preciso saber que uma idéia, qualquer que seja, é fruto da construção de camadas e mais camadas de conclusões. Se nunca chegamos a uma conclusão definitiva, nunca poderemos construir uma sólida base para a ampliação dessa idéia; e assim corre-se o risco que afundarmos no turbilhão da incerteza sobre tudo e todos. O mais absoluto caos.

Eis a questão. Talvez eu próprio tenha chegado ao auge da minha indefinição sobre tudo e sobre todos, e passado dos limites da autoconstrução. Parece-me que já não há bases nenhumas, que tudo que eu acreditava já não existe mais, e que nada mais se constrói. Esta metamorfose ambulante cá deste lado, ao seguir estes passos, deve estar ciente de que se nunca concluir sua metamorfose, não terá atingido seu objetivo principal. O objetivo de estar mudando é de chegar à uma mudança, e não de mudar indefinidamente para sempre.

Já estou ficando velhinho para certas coisas, de fato, principalmente para me considerar um adolescente instável que ainda busca respostas para tudo. E sobre isso, apesar de sempre o velho trecho da música acima ter me chamado a atenção para preferir ser a metamorfose ambulante do que ter “aquela velha opinião formada sobre tudo”, um outro ponto me chamou a atenção. Não necessariamente um outro trecho, mas apenas uma ampliação do anterior... Uma visão mais profunda, talvez mesmo por ocasião dessa abertura cada vez maior de minha mente para tudo. Preferir ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, sobre o que eu nem sei quem sou. Sim, vejam, aquela velha opinião formada sobre o que eu nem sei quem sou. Essa é uma daquelas ocasiões em que tudo está na nossa frente, mas a nossa cegueira inconsciente não nos permite ver. E de repente, depois de muito tempo, eu senti vontade de dizer: “chega dessa coisa de ‘eu nem sei quem sou’. Eu sou alguém, eu sempre soube que sou alguém, mas faz muito tempo que me recuso a saber quem!”. E de fato eu sou alguém, não sou? E sou alguém bem definido, e eu quero ser alguém bem definido, apesar de todas as minhas atitudes tenderem ao contrário disso.

Há muito tempo já venho insistindo com uma infinidade de pessoas naquele velho adágio do oráculo de Delfos de “homem, conhece-te a ti mesmo, e conhecerás o universo e os deuses”, e ao mesmo tempo sempre tive resistência em dizer quem eu era. Dificuldade em definir quem eu sou, mesmo que eu me conheça de uma forma magistral. A grande questão é que, mesmo depois dessa conclusão tão pessoalmente fantástica, eu ainda vou chegar ao fim de toda essa construção textual sem poder dizer quem eu sou, e tudo isso graças à essa falta de ponderação nos limites entre a metamorfose ambulante e um estado de eterno amorfismo.

A expectativa é, pois, que isso seja o limite, e não só na questão de auto-definição. Há uma necessidade mais do que urgente de eu poder ter uma definição sobre as coisas que me cercam. Diferente de outro texto que já fiz sobre o assunto, neste momento não encontro-me em mais uma crise de reconstrução, em mais um nigredo. Há algum tempo já há uma estabilidade mental deste vil ser deste lado, e este é um momento de albedo... Mas de albedo amorfo. Um albedo que, hora ou outra, permite que certos surtos de nigredo surjam, justamente pela sua falta de forma. A necessidade de forma é urgente, pois toda a grande obra, e assim não deixa de ser qualquer construção pessoal de cada ser humano, precisa chegar à um fim, mesmo que imperfeito. Só vendo a  imperfeição do fim pode-se trabalhar em uma nova construção; e como já disse, há muito tempo já não vejo um fim nessa construção.

Que tal apelo sirva de lição aos buscadores desavisados: mudar é bom, é necessário, e importantíssimo. Mas aquele que arrisca viver indefinido por muito tempo corre o risco de ter o seu ser tão fragmentado e eternamente inacabado que nem sequer possa chegar a ser chamado de alguém. 

Vinicius Neres

Postado por Vinicius Neres às 02:06 0 comentários  

Marcadores: Textos próprios

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