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Vinicius Neres
depois que Fernando Pessoa cansou, depois que os eus postiços morreram, depois que a mistura já não era homogênea, depois que a máscara passou a servir tão bem que já não era máscara, e que o alter-ego era só um jeito de negar a verdadeira natureza camaleônica do próprio ser... Mesmo que não uma metamorfose ambulante, mas também não aquela velha e besta opinião formada sobre tudo, Vinicius é aquilo que é. É tudo, e de tudo se fez nada.
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Uma fusão de idéias, textos próprios, textos lidos, opiniões, editoriais, cartas, poemas, crônicas e coisas, tudo sintetizado nesse pequeno espaço. Em suma: Meu arquivo pessoal.

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Triste verdade

"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

Mário Quintana






Ah, Mário, Mário... Tenho a leve impressão que isso já esteja acontecendo.

Algo sobre mim

Algo sobre mim

Ad astra per alia porci

Uma síntese de ídeias desconexas, condensadas em palavras que nunca refletem exatamente a complexibilidade de sua reflexão máter. Essa é a definição disso. Essa é a definição de um texto de opinião. Se alguem definir melhor, por favor, me avise. Definir é delimitar, e tudo que é delimitado nunca é exatamente aquilo que é.

Um grande mestre se vai...

domingo, 20 de junho de 2010


“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.”

José Saramago
(16/11/1922 – 18/06/2010).

Ontem perdemos um grande homem. E sem hiérbole alguma, um dos maiores homens que a Língua Portuguesa conheceu; ao nível de Camões e Fernando Pessoa. Ontem perdemos José Saramago, o único escritor de Língua portugêsa à ter conquistado o Nobel de Literatura em toda a história do prêmio. Não por pouco. Escritor consagrado por clásicos como “Ensaio sobre a cegueira”, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, e mais recentemente “Caim”, foi daqueles que a humanidade sente pesar, sincero, em cada segundo a mais não aproveitado de sua sabedoria. Confesso que li somente “Ensaio sobre a cegueira” de Saramago. O livro já foi adaptado para o cinema pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles, e narra a história de uma “praga” pelo qual os seres humanos adiquirem uma espécie de cegueira, mas ao invés de ficarem imersos em trevas, passam à enchergar apenas branco. Por isso é chamada de “cegueira branca”. Vale a pena lê-lo. Uma história interessantíssima, e que nos traz uma reflexão imensa sobre a natureza dos seres humanos. Que descanse em paz o grande mestre, e que tenhamos a graça de ainda surgurem homens que cheguem aos pés de tal pessoa.




Vinicius" Neres

Postado por Vinicius Neres às 18:09 0 comentários  

Marcadores: Pensamentos

Vamos falar de Amor?

quarta-feira, 9 de junho de 2010


Já há algum tempo que meu maior objeto de fascínio no mundo em que vivemos é o ser humano. Sem dúvida nossa espécie é fascinante, e peculiaríssima, em suas mais variadas facetas. A cada dia vejo-me mais próximo de Rotterdam, o inquestionável monge inglês, ao comprovar que a humanidade vive, há milhares de anos, absorta em um sono tranqüilo nos braços de Moria. Mas dentre tantas loucuras, situações cômicas e interessantíssimas com as quais nos deparamos em nosso dia-a-dia, sem dúvida uma das mais peculiaridades é o amor.

Não posso diferenciar aqui amor a paixão. Hoje dizer “Eu te amo” tem tanta validade quanto dizer que “Estou apaixonado por você”. Não há distinção, e não há porque fazermos distinção de duas facetas de um mesmo sentimento. Os reflexos na psique humana são os mesmos. Também não me apego aos processos químicos que envolvem tal sentimento. Sabe-se, creio, que minha pendência sempre foi maior à mente humana do que às suas fisiologias. Mas voltemos aos aspectos chaves.

Quão interessante não é um casal de apaixonados, e quão ebriante não é o amor. Ah, o amor. Lindo é ver aqueles rostos de crianças deslumbradas, tão idiotas como cães girando em torno de si para capturar suas próprias caudas! Não, não estou indignado com ninguém, nem isto foi um xingamento. Convenhamos que o termo idiota seja o chulo mais formal que se podem descrever os apaixonados. Talvez a melhor forma de chamar-lhes de “bobos-alegres”. Deslumbrante, deslumbrante. Surpreende por quem as pessoas se apaixonam, não? Confrontam-se opiniões, estilos, idéias, pelo sentimento mais nobre que o ser humano pode alcançar. Uma pena que os sentimentos sejam tão voláteis hoje. O amor une os distintos, mistura os imiscíveis, e atrai até esmo os iguais, veja só! Que outra coisa em todo o Universo pode ter esse poder?

A paixão, creio eu, não pode representar mais do que desejo. Deseja-se algo, e esse algo está relacionado à outra pessoa. Esse desejo pode ser dividido em duas estâncias: quando desejamos as sensações que aquela pessoa pode nos proporcionar, e quando desejamos a pessoa em si. Todos acham que se enquadram na segunda opção, mas a grande maioria das relações de hoje são do primeiro tipo. Isso explica a transição desenfreada de parceiros que acompanhamos hoje. Queremos o carinho que aquela pessoa nos proporciona; aquelas mãos suaves, aquele abraço sentimental, aquelas palavras ditas na hora certa... Mas pessoas são voláteis, personalidades são voláteis. Pessoas casam sem conhecer seus parceiros, crentes na imortalidade daquelas sensações. O encanto acaba no banheiro. Literalmente, meus caros. A primeira urinada de porta aberta masculina, e a primeira depilação de pernas feminina na presença do parceiro et voilat: descarga abaixo o amor.

Mas eu também seria hipócrita ao discutir casamentos sem nunca ter casado. E afinal os estereótipos são apenas para efeito cômico, e não são um retrato fiel daquilo que ocorre - convenhamos que é necessário muito mais que um banheiro para por fim à um casamento. Um pouco de exagero é sempre bem vindo para reforçar uma idéia. Mas ainda temos o grupo daqueles que se apaixonam verdadeiramente pela pessoa a qual desejam. Magnífico. Todos os defeitos desaparecem, todo o mundo é mero detalhe. Um beijinho no pescoço, algumas frases ao pé do ouvido, o ar quente da boca amada no seu rosto... E o Apocalipse pode acontecer à vontade. São estes o grupo dos relacionamentos mais duradouros: a simples presença da pessoa, um olhar apenas, estar perto... Eis que com pouco se sustenta muito. Como é interessante a criatura humana!

Mas segue-se assim o mundo. E lá estão aquele exército de zumbis deslumbrados, ofuscados pelo seu raio de sol perpétuo, seus pequenos pedaços perfeitos de carne imperfeita, mascarado na mais antiga droga conhecida pela humanidade.

Não, isso não é uma crítica meus caros, não. É um gesto de amor pelo Amor. Fico realmente deslumbrado com o Amor; realmente fascinado. É tão interessante, tão ebriante, tão imensurável... Estou eu apaixonado pelo Amor. Não é poético? Apaixonar-se é algo incrível, incrível mesmo... Mas meu amor pelo Amor ainda é um amor platônico, e muitíssimo mal correspondido. Afrodite ainda não me deu nenhuma chance, e nem um jantar á luz de velas a convenceu que sou digno de seus encantos. Bom, estou aqui, eu e meu café frio – que me esperou demais por esse texto e desistiu de reter o calor – a devanear nesse mar aberto e infinito que são os sentimentos humanos. Ainda deslumbrado...

Vinicius" Neres

P.S.: Como prova de minha boa vontade com os apaixonados, um pequeno poema em francês. Apreciem! De Paul Eluard...


LA COUBE DE TES YEUX

"La courbe de tes yeux fait le tour de mon coeur,
Un rond de danse et de douceur,
Auréole du temps, berceau nocturne et sûr,
Et si je ne sais plus tout ce que j'ai vécu
C'est que tes yeux ne m'ont pas toujours vu.

Feuilles de jour et mousse de rosée,
Roseaux du vent, sourires parfumés,
Ailes couvrant le monde de lumière,
Bateaux chargés du ciel et de la mer,
Chasseurs des bruits et sources des couleurs,

Parfums éclos d'une couvée d'aurores
Qui gît toujours sur la paille des astres,
Comme le jour dépend de l'innocence
Le monde entier dépend de tes yeux purs
Et tout mon sang coule dans leurs regards."

Postado por Vinicius Neres às 03:12 3 comentários  

Marcadores: Textos próprios

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