Sobre a natureza do homem
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
A natureza do homem é estranhíssima. Sim, estranha ao extremo. Conciliar opiniões, idéias, críticas, sugestões, reclamações, confrontos abertos... Não é simples. É estranho. Intrigante. É inconcebível. Talvez as religiões e mitologias expliquem isso, mas a ciência, principalmente as ciências extremamente racionais, arrastar-se-ão pela eternidade se basearem-se apenas na observação e experimentação para explicar o homem e sua natureza.
Não é simples conviver com pessoas. Tudo seria mais fácil com o isolamento. Porém é fato que o isolamento também faz mal a sanidade do homem. A convivência, a sociedade é um mal necessário; um mal que nos corrói e que corrói cada vez mais a alma dos seus integrantes como uma sanguessuga que executa seu trabalho discretamente. Não causa dor, mas explora-te e consome-te as forças a cada passada, a cada ato e gesto. Infelizmente assim é o mundo atual. Um Manicômio Global, como tanto cita Augusto Cury.
Há alguém que compreenda a natureza do homem, que se adapte a ela, que a sorva em toda a sua essência? O tempo dirá. Não sou digno desse conhecimento, infelizmente. Pouco conheço a mim mesmo, muito menos as outras personalidades. Todavia, talvez esse seja o segredo, não? Conhece a ti mesmo. Descubra sua natureza, para então descobrir a natureza do homem. O mundo e as pessoas negam conhecer-se. Negam descobrir-se. É estranho, macabro, caótico. Vivemos em uma época em que o narcisismo é tão constante que é praticamente imperceptível. Vivemos na era das relações superficiais, dos relacionamentos sem espírito, da amizade sem alma.
O que posso fazer? Sou humano, demasiado humano para compreender a natureza humana. Talvez algo ilumine a minha caminhada, mas o futuro é quase sempre incerto, e a vida é uma caixinha de surpresas. Por enquanto sigo, peregrinando pelos labirintos de minh’alma, sorvendo de mim o que eu necessito, e procurando, talvez tão erroneamente, conhecer aqueles que me cercam.
Vinicius" Neres
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Mistérios de Fernando Pessoa
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Uma coisa me intrigou nisso que li. Fazendo uma pesquisa sobre o grande Mestre português, deparei-me com um texto de sua autoria. Confuso. Misterioso. Sabem vós por que! Datilografada e assinada pelo escritor em 30 de Março de 1935. Publicada pela primeira vez, muito incompleta, como introdução ao poema À memória do Presidente-Rei Sidónio Pais, editado pela Editorial Império em 1940. Publicada em versão integral em Fernando Pessoa no seu Tempo, Biblioteca Nacional, Lisboa, 1988, pp. 17–22. Abaixo, na íntegra:Vinicius" Neres
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FERNANDO PESSOA
Nome completo: Fernando António Nogueira de Seabra Pessoa.
Idade e naturalidade: Nasceu em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de S. Carlos (hoje do Directório) em 13 de Junho de 1888. Filiação: Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim António de Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto e Director-Geral do Ministério do Reino, e de D. Madalena Xavier Pinheiro. Ascendência geral: misto de fidalgos e judeus.
Estado civil: Solteiro.
Profissão: A designação mais própria será "tradutor", a mais exata a de "correspondente estrangeiro" em casas comerciais. O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação.
Morada: Rua Coelho da Rocha, 16, 1º. Dto. Lisboa. (Endereço postal - Caixa Postal 147, Lisboa).
Funções sociais que tem desempenhado: Se por isso se entende cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas.
Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações ocasionais. É o seguinte o que, de livros ou folhetos, considera como válido: "35 Sonnets" (em inglês), 1918; "English Poems I-II" e "English Poems III" (em inglês também), 1922; livro "Mensagem", 1934, premiado pelo "Secretariado de Propaganda Nacional" na categoria Poema". O folheto "O Interregno", publicado em 1928 e constituído por uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que repudiar muito.
Educação: Em virtude de, falecido seu pai em 1893, sua mãe ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o Comandante João Miguel Rosa, Cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali educado. Ganhou o prémio Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.
Ideologia Política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, embora com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário.
Posição religiosa: Cristão gnóstico e portanto inteiramente oposto a todas as igrejas organizadas e, sobretudo, à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.
Posição iniciática: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templária de Portugal. Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: "Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação".
Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima. Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.
Lisboa, 30 de Março de 1935 [em várias edições está 1933, por lapso]
Fernando Pessoa [assinatura autógrafa]
Fonte: Cópia do original dactilografado e assinado existente na Colecção do Arquitecto Fernando Távora.
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Duas frases e um humor ácido
— Eu queria propor-lhe uma troca de idéias...
— Deus me livre!
Mário Quintana
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Genial. Simplesmente genial.
Postado por Vinicius Neres às 17:35 1 comentários
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