Neste exato momento acabo de assistir um filme, como tradicionalmente acontece todo o Sábado. Não sempre os filmes que assisto são bons, interessantes, ou, no mínimo, nos fazem refletir sobre algo superior. Este foi diferente. O filme chama-se A Ilha do Medo, tendo como protagonista Leonardo di Caprio. Logo ao acabá-lo, pensei em escrever algo sobre. Acho digno deste blog – e de nenhum outro mais de que escrevo.
O filme trata, basicamente e fundamentalmente, da Loucura. Mas não da Loucura humana, a excentricidade de nossos relacionamentos, aquela tratada com bom humor por Machado de Assis e Erasmo de Rotterdam. Não. A Loucura da qual falo é a demência. A Loucura doentia, insana. Não quero falar do filme – seria péssimo falar do enredo cá – mas sim do assunto abordado.
A mente humana, por si só – e sempre bato na mesma tecla – é fascinante. Criamos e destruímos coisas como se fôssemos deuses de nossos próprios mundos, criadores e destruidores de universos. Talvez a própria existência humana carregue consigo o fardo dessa genialidade. Feitos à imagem e semelhança de Deus, diria Eu, ousadamente, em nossas mentes sim. Mas até que ponto podemos suportar a genialidade e a capacidade de nossas mentes?
Mesmo nossa própria capacidade mental não nos deixa – em grande número de vezes – abandonar a característica instintiva e irracional de animais selvagens caçando e competindo constantemente. O ser humano mata, o ser humano humilha, destrói. Em várias ocasiões o ser humano é muito mais animal que qualquer outro ser que considera inferior a si. Deveras, essas atitudes não são suportadas por nossas faculdades mentais. É inconcebível, sim, conciliar o animalesco, vil e instintivo, com o racional e emocional – estâncias tão superiores e divinas do comportamento humano. Daí surge a Loucura insana, demente.
Estaria o homem, me pergunto, preparado para suportar toda a sua superioridade mental? Estaria o homem preparado para o conhecimento? Talvez seja esse o verdadeiro sentido do Gênesis, ao dizer que o homem perdeu o direito ao paraíso ao provar do fruto proibido do saber e do conhecimento. Talvez não estejamos preparados. Talvez sejamos em demasiado animais – ou demasiado humanos mesmo, como diria meu caro Friedrich Nietzsche – para sermos dignos do conhecimento divino.
Deuses de nossos próprios mundinhos, criadores e destruidores. Tornamos-nos tão criadores que nos esquecemos de nossa parcela de criatura. E não pequena parcela, para não dizer parcela inteira. Esqueçamos amigos, de nossa suposta superioridade, e reconheçamos nossa inferioridade ante o universo. Ainda muito animais, buscando compreender o incompreensível, descrever o indescritível e expressar o inexpressável. Vis. Vis como nosso próprio instinto animalesco que nunca nos libertará para a verdade suprema.
Vinicius" Neres
